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“quiburro!”

Abril 25, 2008

Há algum tempo, eu encafifei que queria escrever uma coluna engraçadinha sobre jornalismo e mandei uns textos para o editor de um site que está linkado aí ao lado, mas não direi qual é.

Eis o por quê de ter encafifado: quando larguei a faculdade de Ciências Sociais e decidi prestar jornalismo, não estava 100% certa de que era isso que queria ser (afinal, a gente quer ser tanta coisa…), mas acabei descobrindo que este é um assunto que me estimula. Sempre gostei de notícia, mas não tinha o costume de questionar a fundo a forma como as informações chegavam. E olha que nem é preciso ser estudante pra fazer isso. É legal ver que, em fóruns sobre o assunto, tem gente que é dentista, engenheiro, médico, físico e, ainda assim, gosta de analisar a imprensa. E, na verdade, era assim que devia ser. Todo mundo devia se preocupar com isso. Afinal, jornal é feito para o público e público somos todos, não?

Depois de começar a trabalhar, vi que, mais do que fazer jornalismo (o que pode ser sacal ou irritante de vez em quando), gosto de pensar e discutir jornalismo. Sinto um puta tesão em ler observatório da imprensa, columbia journalism review, comunique-se, revista Imprensa, vinte mil blogs e todo mundo que analise as atividades dos coleguinhas (desde que com um mínimo de embasamento). Primeiro, porque a gente aprende com o erro dos outros e, segundo… porque algumas questões relacionadas a jornalismo podem ser um puta assunto pra mesa de bar – se quiser, pode testar. 

Então, encafifei que queria batalhar um lugar de destaque razoável para escrever as minhas reflexões e debater com as pessoas – afinal, não tenho saco de divulgar este blog.

Aí, mandei um email pro cara falando das minhas idéias e anexando alguns textos (encabeçando-os, estava ”a mídia e o monstro”, publicado aqui recentemente) e o cara me responde: “então, mas é que não falamos de imprensa sensacionalista” (hello, como se o texto falasse só disso!) “nós fazemos e falamos sobre jornalismo cultural. Mande um texto relacionado a isso“.

Eu logo exclamei “quiburro!” (tal qual a menininha daquela velha propaganda, ao ver Çadia escrito assim, com ç) e me senti tentada a responder com o meu já quase bordão ”simata”. Mas respirei fundo e desisti da idéia, afinal a confusão que o tal cara fez é bastante comum: tá cheio de gente que confunde cultura com indústria cultural. 

Falar de cultura não é só falar de livro, disco, filme, teatro, estréia, bilheteria. Falar de cultura é falar de costumes, de pontos de vista, de opinião pública, de tendências comportamentais e da imagem que cada grupo social faz de si mesmo e dos outros. Sendo assim, não há nada mais cultural que jornalismo, já que ele é capaz de influenciar todas essas coisas.

Fica a dica para o moço em questão digerir.  

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