Posts de Maio, 2008

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Maio 28, 2008
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Al fucking Green

Maio 27, 2008

ADORO Al Green. Muito, muito mesmo. Se liga no paletó e no relojão de ouro.

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A letra A

Maio 27, 2008

Nem preciso pedir nada. Nem demonstrar ou prometer nada. É gratuito.  É constante. Está ali mesmo quando nem me lembro. E quando me dou conta - com uma frase bonita de supetão, um telefonema, um recado, um sorvete, um convite - a cabeça se anuvia. Para quê dar corda para o resto, afinal? Basta lembrar que tenho vocês e tudo em mim vira deixa-disso.

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Entre P e B, só M pode escrever

Maio 27, 2008

Um dia trai o outro e já estou arrependida da carta que lhe escrevi. Não, não mudei de idéia ainda, embora isto não seja vergonha nenhuma. A imutabilidade de nossa essência ainda é a teoria banal em que mais acredito.  Continuo bradando, para você e quem mais vier, que o que há de mais vergonhoso no mundo é pedir desculpas por ser quem é. Fazer isto é ser antinatural. É querer evitar o inevitável. É lutar luta perdida.

Mas hoje me ocorreu: e se a minha essência não for a que eu gostaria?

Ora, mas que bobagem, não se pode escolher: o imutável está posto e mais nada, somente. Nada mais estúpido que fazer-se tal pergunta. Melhor seria se eu nunca a tivesse feito: ignorance is bliss.

O problema é que, uma vez feita a pergunta, não há mais como fingir que ela nunca foi feita. Ela ficará ali, suspensa, flutuando, zunindo, até vir a resposta. E, se não houver resposta alguma, como uma pergunta dessas, então flutuará para sempre: o eterno desconforto.

Logo, a boa ignorância é não saber pelo simples fato de que a pergunta nunca lhe ocorreu. Mas esta infelizmente já existe e sequer posso me culpar por tê-la feito. Porque não a fiz. As perguntas é que se fazem na gente. E tê-las ou não tê-las é questão de sorte. Elas são como os vulcões, que podem permanecer adormecidos por séculos até que irrompem, sem que ninguém possa prever. Questão de sorte é viver perto de um vulcão. Questão de sorte é nascer e só depois descobrir que tipo de perguntas lhe ocorrerão ou não.

E para os desafortunados, como eu, que são esbofeteados por uma pergunta atrás da outra, estes estão fadados à eterna inquietação, ao desconforto: à impotência. Impotência, tragicômica palavra.

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Maio 26, 2008

E se a verdade (nua, em carne viva) for somente esta? O desamor? 

Pensei em perguntar “o que faço?”, mas a gente só faz essa pergunta quando não resta o que fazer. É difícil assumir a imobilidade. Difícil acreditar que não é possível remendar mais nada.

Recebi um spam meio esotérico que dizia “unlock yourself”. E fiquei pensando nisso. Em destrancar-se. Em destrancarmo-nos.

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Dicas

Maio 26, 2008
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Domingo

Maio 26, 2008

Sempre acordo antes, só para vê-lo dormir. É como se a mesa virasse e eu assumisse o controle.

Prometendo a mim mesma ser o mais objetiva possível, passo os olhos por seu corpo, em busca de alguma parte de que eu não goste. Não encontro. Ao contrário: vejo a mais absurda beleza até nas partes mais banais, como o seu nariz ou as suas mãos. Os pés. As sardas nos ombros. Os mamilos. As unhas. O pescoço grosso e másculo, como quem não aceita ser trucidado pelas injustiças da vida. Enfim, não há nada (nada!) de que não goste. É como se alguém tivesse acesso aos meus sonhos mais íntimos e montasse uma fôrma com a minha idéia de homem perfeito. E você foi feito nela.

Então, te abraço forte-forte, com os braços e com as pernas, enterro o rosto em seu peito e penso: “puta merda, você não pode ir embora!”. Tem de ficar aqui, assim, sereno, dormindo. Para sempre.

Mas não vai ficar. Aí percebo seu único defeito. O pior que poderia existir. Seria melhor que você tivesse orelhas de abano, dedos tortos, queimaduras - qualquer coisa, menos isto! E largo você de súbito, afastando-me para o canto da cama, quase caindo. À medida em que meu coração desacelera, quilômetros se abrem entre nós.

E aí você acorda e sorri, dizendo: “o que você está fazendo aí, tão longe?”.

Respondo: “Não sou eu quem está longe, é você”.

Mas ele nunca entende. 

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Sobre tolices

Maio 25, 2008

Olá. Esse texto é para você, com sede de atenção. Você, o tipo de pessoa que mostra o dedo médio para o mundo e diz que não liga para o que os outros dizem, mas, por dentro, está se corroendo até o osso.

O tipo de pessoa que diz ignorar quem não lhe agrada, mas, por baixo do pano, tenta espreitar o que estão fazendo. O tipo de pessoa que, com medo de ser quem é, ataca quem não partilha do mesmo medo.

Esse texto é para você, que debaixo do risinho esperto, não passa de um bichinho acuado, amargurado, envergonhado. Você, que cerra os punhos para disfarçar a própria insegurança.

Você, sociopata, que tenta fazer parecer que são dos outros os defeitos seus. Você, tão frágil diante do que não deveria lhe importar. Você, que desperdiça sua vida preocupando-se com pessoas que não lhe amam, que não se importam com você ou com a sua existência. Você, que perdeu o próprio eu no olhar alheio.

Enfim, esse texto é para você, só porque senti pena ao te ver tentando chamar minha atenção – ou será que, no fundo, seria a minha aprovação? Pois bem, então saiba que, desde abril, todo mundo tem direito a 12 consultas psiquiátricas em qualquer plano de saúde. Eu iria aprovar muito se você aproveitasse esta oportunidade.

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trôpegos

Maio 24, 2008

Sim, ainda estou viva. Meio esfolada, meio remendada, meio bicho-do-mato, meio arroz-de-festa, meio triste, meio sem sal, meio de saco cheio, meio querendo colo e silêncio. Criei mais uma teoria que você talvez não queira ouvir. Mas conto mesmo assim, fingindo entusiasmo e você fingindo interesse. Sei, minhas histórias já foram melhores. Quer dizer: eram mesmo melhores ou você é quem tinha mais colheres de chá? De todo modo, vamos seguindo meio trôpegos. Quantos anos já? Não faz diferença. Cada ano se arrasta tão lentamente que parecem três: beijo de oi e tchau, necessidades fisiológicas, como foi seu dia? (ai, a rotina, essa eterna vilã). Mas estou viva. Não precisa checar. O amor respira por aparelhos, mas é estável.

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Maio 21, 2008

Saiu uma matéria sobre o Lúcio Flávio Pinto no L.A Times.

O Lúcio é o faz-tudo do Jornal Pessoal, fundado por ele para falar sobre as mutretas e falcatruas que acontecem na Amazônia, já que ninguém lá publica nada sem ter rabo preso com algum coroné ou político. Lúcio insiste e resiste. Não sei como ainda não mataram o cara.

A primeira vez que li sobre ele foi no livro “Repórteres”, compilação do Audálio Dantas. Aí, meses depois, eu conheci o Audálio em um curso e depois numa pauta. Foi engraçado perceber que essas pessoas com histórias tão incríveis para contar são reais e normais…