Hoje baixei de novo o CD do Deadboy & the Elephantmen e ouvi inteiro: uma ruptura. Não conseguia mais ouvir nenhuma das boas músicas que descobri no seu quarto inteiro de CDs e vinis, sobretudo por vergonha do que fiz a você. Pois é. O único pecado que talvez eu admita, o único pecado que talvez eu considere pecado, seja este: magoar pessoas de coração bom - como você, o dono do coração mais bonito e sofrido que já conheci. O disco do Deadboy não é apenas um disco: é a constatação de que, embora pecadora, estou em paz com o pecado. Finalmente.
Espero que sua vida esteja boa. Que você tenha arranjado um novo emprego e uma nova namorada – menos confusa e mais calma do que eu. Contigo, eu era um palito de fósforos: tudo era vivido intensa e sofregamente até que: cinzas. Você merece um pouco mais de constância, de conforto, de fluidez; não os solavancos de quem ainda não sabia pôr freio no amor.
(E, se essa nova pessoa ainda não tiver aparecido, que os seus amigos continuem os mesmos: bons e disponíveis.)
Sei que você nunca vai ler isso, também nem quero. Primeiro, porque não quero pedir perdão – pois este pecado, o único que reconheço, não se apaga. Vai ficar para sempre na minha conta, assim como o amor que lhe dei. Se é que uma coisa anula a outra, te amei tanto que isso talvez tire alguns pontos do pecado cabeludo de te deixar. E continuo te amando, todavia de outro jeito. Amor é eterno mutante. O que hoje eu dou para os outros é o mesmo que usei para amar você. E ele vai continuar o mesmo, amando você, o outro, o outro, e todo mundo que me foi ou for bom nesta vida.
É óbvio, mas espero que saiba disso: não mexo na sua gaveta, mas você está ali. E é melhor que continue assim, a gaveta trancada, imexida. Não quero causar mais abalos do que já causei. Desejo somente que suas memórias de mim sejam tão boas quanto as que tenho de você.




