h1

Stop, I`m already dead

Maio 12, 2008

Hoje baixei de novo o CD do Deadboy & the Elephantmen e ouvi inteiro: uma ruptura. Não conseguia mais ouvir nenhuma das boas músicas que descobri no seu quarto inteiro de CDs e vinis, sobretudo por vergonha do que fiz a você. Pois é. O único pecado que talvez eu admita, o único pecado que talvez eu considere pecado, seja este: magoar pessoas de coração bom - como você, o dono do coração mais bonito e sofrido que já conheci. O disco do Deadboy não é apenas um disco: é a constatação de que, embora pecadora, estou em paz com o pecado. Finalmente.

Espero que sua vida esteja boa. Que você tenha arranjado um novo emprego e uma nova namorada – menos confusa e mais calma do que eu. Contigo, eu era um palito de fósforos: tudo era vivido intensa e sofregamente até que: cinzas. Você merece um pouco mais de constância, de conforto, de fluidez; não os solavancos de quem ainda não sabia pôr freio no amor.

(E, se essa nova pessoa ainda não tiver aparecido, que os seus amigos continuem os mesmos: bons e disponíveis.)

Sei que você nunca vai ler isso, também nem quero. Primeiro, porque não quero pedir perdão – pois este pecado, o único que reconheço, não se apaga. Vai ficar para sempre na minha conta, assim como o amor que lhe dei. Se é que uma coisa anula a outra, te amei tanto que isso talvez tire alguns pontos do pecado cabeludo de te deixar.  E continuo te amando, todavia de outro jeito. Amor é eterno mutante. O que hoje eu dou para os outros é o mesmo que usei para amar você. E ele vai continuar o mesmo, amando você, o outro, o outro, e todo mundo que me foi ou for bom nesta vida.

É óbvio, mas espero que saiba disso: não mexo na sua gaveta, mas você está ali. E é melhor que continue assim, a gaveta trancada, imexida. Não quero causar mais abalos do que já causei. Desejo somente que suas memórias de mim sejam tão boas quanto as que tenho de você.

Deixe um comentário