
A culpa não é nossa
Maio 13, 2008Eu fico com tremilique ao ler esse tipo de coisa (Sério, leia os comentários também). Reproduzo aqui o comentário que deixei no blog da moça.
Ai, cara, na boa. Tem muita gente que nem se esforça. Fica “buá buá buá, é chato, tenho que ler duas vezes, buá” e já abre o livro esperando ler uma coisinha fácil, mastigadinha e na linguagem de hoje. O que é óbvio que não vai encontrar.
Acho assim: ao pegar o livro, você SABE que ele foi escrito em mil oitocentos e guaraná com rolha. Sabe que não vai ser mamão com açúcar. Então, tem que estar disposto a ler algo que não é da sua época, uai! Tem que estar disposto a desvendar o que está ali. Afinal, há uma razão para aquilo ser considerado um clássico, não?
Tem algo de bom ali e é o interesse em descobrir o que é que deve levar à leitura do tal livro - e não pq vc se sente obrigado a ler só pq os outros leram. Que coisa mais besta. Nego tem uma puta disposição pra decorar nomes esdrúxulos no senhor dos anéis e depois diz que Machado é difícil e indecifrável. Ah, me poupe…
Uma boa dica é ler resenhas, críticas etc. No caso dos classicões, não faltam textos que expliquem a importância social e histórica da obra. Depois de ler essas coisas, fica mais fácil se interessar e entender o livro. Mas, como eu disse, nego nem se esforça. Abre Machado querendo ler Surfistinha.
****************************************************
APELO - Queridas pessoas que não curtem literatura “clássica”: parem de culpar os outros. Não quer ler Machado, não leia. É possível passar por essa vida sabendo pouco, muito pouco. Se esse tipo de existência vale a pena? Eu acho que não, mas isso é minha opinião.
Como disse no post sobre o Te Dou Um Dado?, os principais argumentos dessa turma são: 1) “Sou obrigado a ler as coisas e, por isso, elas ficam chatas. Eu fiquei traumatizado”.
2) “As pessoas dizem que gostam de coisas chatas só para pagar de ”intelectuais” e para fazer os outros se sentirem mal nas conversas sobre o assunto”.
Queridinhos, encarem a verdade. Os livros parecem chatos porque vocês lêem sem vontade. Aí, fica difícil mesmo entender- afinal, qualquer coisa que a gente faz sem vontade de fazer fica chata. Então, se sentem mal por não reconhecerem o que há de clássico ali e ficam culpando os outros. Ora, assumam logo que vocês só querem ler o que for atual, fácil e indolor. E pronto. O problema é seu!
Será que a questão é tão simples assim, minha cara? Sua fala é cheia de pré-julgamentos que relegam todos que não gostam de um determinado autor ou obra clássica como preguiçosos. Hum, será que é isso mesmo? Me parece
muito!um pouco reducionista. É possível achar autores clásicos um saco sem, contudo, tirar o mérito por uma obra genial.Felipe, realmente dei a impressão de estar generalizando. Talvez tenha pesado a mão no mau-humor porque esses são argumentos que tenho ouvido com certa freqüência.
Eu mesma acho a Divina Comédia chata, por exemplo, mas reconheço a importância da obra e não fico maldizendo o autor ou quem gosta do livro. Ao contrário, tem gente que diz que certos livros são chatos como se isso fosse absoluto, não apenas uma opinião.
Não contentes, tentam desmoralizar os livros clássicos, como fez a garota do blog - e foi ESSA minha birra. Tipo: “ai, esse livro é chato, não serve pra nada, as pessoas que falam que gostam estão mentindo para parecerem intelectuais”.
Foi essa a postura que tentei criticar no texto, postura já criticada em um post sobre o blog Te Dou Um Dado, publicado anteriormente. Daí o título “a culpa não é nossa”. Se você acha chato, guarde sua opinião pra você, não culpe o resto do mundo por ter gostado.
É isso. Abraço.