Posts de Maio 14th, 2008

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Do Polaroid

Maio 14, 2008

Acredita que esses jornais malditos nunca se debruçaram sobre seu sumiço? Ainda crente na imprensa e seu suposto quarto poder, indignava-me ao ligar para as redações e dizer: “como é que pode? Como é que pode?”. Eles respondiam: “como é que pode o quê?”. Eu emendava: como é que pode uma mulher jovem, culta, de classe média, desaparecer sem deixar pistas e nenhum jornal noticiar o sumiço? A voz do outro lado da linha não dava a menor bola. Todos me trataram por louco, meu bem, o que só me deixava mais puto: ninguém se interessava pelo caso, ninguém sabia de nada, ninguém ouviu falar de nada, ninguém sentia sua falta, ninguém se lembrava do seu perfume. Diziam: e eu com isso? Indaguei: e eu comigo? No olhar alheio, ouvi a resposta: sim, só você contigo, mais ninguém.

Se eu bem pescar, até que tem coisas bacanas no livro que um dia hei de terminar (espero não morrer antes).

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A piada que morreu no mar

Maio 14, 2008

Minha vida toda sempre foi olhar a manada se aproximando, enfurecida, desvaiarada, em direção ao precipício. Tinha duas opções: virar de costas e correr para o precipício também ou continuar de peito aberto, diante da tropa, seguindo o meu caminho. Pois bem, olha só!, triunfei. A verdade é esta: o medo é infundado e idiota porque a gente sempre triunfa. O que dá pena é que nem todos tomam a mesma decisão. Sobra medo de morrer, de apanhar, enfim, de não ser o que, em todo canto, gritam que é a melhor opção. E então, muitos dos raros heróis acabam se juntando à manada precipício abaixo.

Nunca vou me esquecer daquele dia na praia em que o mar e o céu estavam cinzas. Não pensei em nenhuma palavra, mas, de fato, entendi completamente a resposta que há muito procurava e estava ali, no mar. Entendi que deve-se calar a boca do mundo com uma boa colherada de tempo.

Gosto de você porque você me faz lembrar disso. Que nada é tão ruim que dure para sempre – depois de quase ensurdecer com o passar da manada, a gente abre os olhos e constata que está ileso, com tudo no lugar. E forte. Assim como aquele dia no mar (ou naquela tarde em que eu olhei para o céu e entendi que ele era o mesmo sobre as nossas cabeças e que pelo menos isso nos unia), hoje eu sei – aliás, estou convicta de – que, não importa quão pesados sejam os escombros sobre as minhas pernas, o tempo virá dar uma bordoada nisto tudo e me levar adiante, para onde sei que devo ir. Que não é o mesmo lugar de todo mundo. É o mesmo lugar de pessoas como você.

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Maio 14, 2008

O câncer do mundo são as dicotomias.

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Maio 14, 2008

Recebi um email de um carinha, dizendo que estou “querendo Ibope” com o post sobre a blogueira que maldisse o Machado. Ai, gente, me poupe. Se eu quisesse mais visitas, escrevia logo “fotos da Sandy pelada” ou qualquer coisa assim, não sobre um blog que “nem famoso é”.

E acabou o assunto. Voltemos à programação normal.

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Maio 14, 2008

Trabalhar com notícias em tempo real pode te transformar numa pessoa meio chata - as pessoas vêm comentar as coisas, dizer: “você viu?”, e eu penso: “meu, mas isso é tão velho”… E é só de ontem.

Estou mentalmente cansada.