Acredita que esses jornais malditos nunca se debruçaram sobre seu sumiço? Ainda crente na imprensa e seu suposto quarto poder, indignava-me ao ligar para as redações e dizer: “como é que pode? Como é que pode?”. Eles respondiam: “como é que pode o quê?”. Eu emendava: como é que pode uma mulher jovem, culta, de classe média, desaparecer sem deixar pistas e nenhum jornal noticiar o sumiço? A voz do outro lado da linha não dava a menor bola. Todos me trataram por louco, meu bem, o que só me deixava mais puto: ninguém se interessava pelo caso, ninguém sabia de nada, ninguém ouviu falar de nada, ninguém sentia sua falta, ninguém se lembrava do seu perfume. Diziam: e eu com isso? Indaguei: e eu comigo? No olhar alheio, ouvi a resposta: sim, só você contigo, mais ninguém.
Se eu bem pescar, até que tem coisas bacanas no livro que um dia hei de terminar (espero não morrer antes).






