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A dor dos outros

Maio 15, 2008

A parte mais difícil do meu dia foi escolher as fotos para ilustrar as matérias sobre o terremoto na China.

Até agora, escrevia 5 mil, 15 mil, 30 mil, 50 mil mortos numa boa. Considerar os números como meras abstrações é o que há de mais escroto nos jornalistas, mas, ao mesmo tempo, é o que permite que a gente mantenha (um pouco d)a sanidade.

Escolhi as mais amenas, sem corpos. Não sei dizer se essa foi a melhor escolha (até porque mostrar ou não o horror da dor alheia é uma velha discussão…). O fato é que não consigo parar de pensar na foto que mostrava as perninhas de um bebê (pelo tamanho, devia ter poucos meses de idade)  no meio de uma montanha de escombros. É aí que a gente percebe do que é que está falando.

2 comentários

  1. Essa foto deve ser bem forte, Marjorie. Só de ler e imaginar já me tocou, imagine ler a matéria no jornal, completa, com a foto e tudo? Talvez as pessoas estejam precisando de mais matérias feitas com o coração também, não somente os números soltos, não é mesmo?


  2. Pois é, Carol, acho que a foto daria uma noção maior do que realmente está acontecendo.

    Mas, por outro lado, pensei: não seria explorar a dramaticidade publicar uma foto horrorosa para as pessoas só olharem e não poderem fazer nada? Não seria uma forma de sensacionalismo, de espetacularização? Sei lá, é complicado…



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