
Julho 12, 2008
Queria dormir e não acordar nunca mais.
(Amanhã vou pra terra-natal e lá é sempre muito triste porque eu me sinto feliz demais. Às vezes me culpo por ter tido fome de São Paulo, mas São Paulo me arrastou, a bandida. Fingiu que também tinha fome de mim. Fui como cobra enfeitiçada, mas não havia música nenhuma, era só ruído.
Saí da cama quente direto para a rua gelada, onde a única moeda de troca é o tapa. Agora é tão-tão difícil achar beleza nas coisas – todas elas têm o peso de mil mundos e eu sinto saudades dos dias de sol molenga me batendo nos olhos, enquanto eu caminhava calmamente ao lado da linha do trem.)
Deus do céu, que foi que eu fiz de mim?
Disseram-me que eu poderia ser o que quisesse, mas esqueceram de dizer que aquele era o único palco em que eu cabia.




Qual é sua cidade natal?
Oi, Kinna! Minha cidade-natal Caieiras, no limite entre a periferia paulistana e o interior paulista.
Curiosidade estranha: chamada de cidade dos pinheirais, foi fundada pela editora e companhia de papel Melhoramentos – da os pinheiros. Entre os fundadores da empresa e da cidade, estavam alguns integrantes do partido nazista que, depois da derrota de Hitler, fugiram para onde nunca ningum pensaria em procur-los. Entre eles, o Mengheli, o mdico-monstro que injetava tinta nos olhos das criancinhas para ver se mudavam de cor. Anos depois, ele foi encontrado morto no litoral paulista, agora no me lembro em qual praia.