Posts de Agosto, 2008

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Agosto 25, 2008

Faith does not give you the answers, it just stops you from asking the questions”. Frater Ravus.

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Achei a frase num link do digg e, como nunca tinha ouvido o nome Frater Ravus na vida, joguei no google. Nas três primeiras páginas, saíram apenas citações suas em sites e blogs ateístas (cujo furor em atacar religiosos por disseminar o ódio é uma contradição enorme), mas nenhuma indicação de quem foi o tal Frater Ravus. Logo, suspeito de que o cara simplesmente non eczista. De todo modo, concordo com a frase, seja de quem seja.

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Agosto 21, 2008

“Escrever não é uma questão de sentimentos, é uma questão de invenção”. Philip Roth na Folha, hoje.

Depois, com mais tempo, explico por que estou começando a concordar com isto.

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São Google

Agosto 15, 2008

Intriga-me o fato de que algumas pessoas “conversam” com o google na hora de fazer suas pesquisas. O contador do wordpress mostra as buscas que remeteram ao blog e todo dia aparece algo como “quero saber como tirar passaporte” ou ”como forrar parede com tecido?”.

Há ainda os que usam o Google como confessionário. “Ah, este vazio que me assola”, coisas do tipo. Aí, por um termo ou outro, caem em posts daqui. Ok, sabemos que o Google está dominando o mundo ( e que Sergei e Larry são os novos messias), mas não é para tanto!

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Meu lado rabugento e resmungão vê nisto uma prova de que a Internet não é o espetáculo da democratização do conhecimento, como dizem os mais eufóricos (e o que há de blogueiro falando sobre democracia e liberdade em relação às mídias tradicionais, como se isso fosse absoluto e irrestrito…) 

Não adianta nada ter a ferramenta de busca, se você não sabe muito bem o que está procurando. Não adianta saber o que está procurando, mas não ser capaz de delimitar palavras-chave. E, por fim, não adianta pesquisar palavras-chave, se a pessoa não souber separar o joio do trigo (e a Internet tem mais joio do que trigo, creio eu). Tem que ter faro, filtro, enfim, tem que saber sacar que tipo de site presta e qual não presta. Senão, a pessoa fica perdida em uma infinidade de informações e, embora tenha a sensação de que conseguiu o que queria, a verdade é que não apreendeu o conteúdo em profundidade.

E esse traquejo é algo que se aprende do modo tradicional, creio eu. Se a pessoa lê pouco, tem pouca orientação de professor e não está acostumada a pesquisar, o google não adianta nada. A pessoa já vai ao google esperando encontrar uma resposta pronta. E, mesmo que encontre algo bem legal, leia e preste atenção, ainda assim acho que seu aprendizado vai ser um pouquinho mais pobre. Afinal, boa parte do aprendizado está na busca, nessa fase de adquirir o traquejo: fazer perguntas que despertem outras perguntas e não sossegar enquanto não respondê-las de forma satisfatória.

Só fui ter computador aos 15 anos e acho que isso foi positivo. Antes disso, tinha de me virar com biblioteca e enciclopédia. Claro que, hoje, é impossível manter a criança longe do computador - e nem precisa. Mas acho que é legal estimulá-la a pesquisar de outras formas. Fazer com que ela desenvolva o gosto pela investigação. “Não sei, vamos ver no google” é fácil e rápido, mas pode criar dependência. E se o google não existisse? Como é que a gente pesquisaria as coisas? Por onde começaria? Tenho medo de que as próximas gerações entrem em parafuso se não tiverem a Internet por perto.

Por isso, torci o nariz quando fiquei sabendo que já tem escola embutindo laptop na carteira. Dizem que é para que o aluno pesquise as coisas no momento em que sente curiosidade sobre elas e, assim, possa complementar o que o professor diz  – afinal, professor não é dono da verdade.

Olha, mesmo sem google, nada impedia que as gerações passadas pesquisassem e complementassem o que o professor dizia. Se a maioria dos alunos era passiva, isso se devia (e se deve) ao sistema pedagógico centrado no professor e à própria cultura da passividade, que ainda é muito presente na sociedade (de novo, “creio eu”). A gente está acostumado a aceitar e admirar a opinião de especialistas, de intelectuais, de gente “grande”. O próprio jornalismo é um dos meios que implementam essa cultura. Jornalista sempre ouve que tem que botar tudo na boca dos outros, de preferência com aspas de alguma autoridade ou acadêmico de alto garbo. Não importa que as informações estejam certas ou que você mesmo tenha sido testemunha. Nego vira e fala: “pô, consegue uma aspa aí”. Como se isso fosse atestado de credibilidade.

Mas sempre houve alunos que, apesar da cultura da passividade e da escola estilo “senta aí e fica quieto”, desenvolveram o tal do tino, do senso crítico (e isso acontece por uma série de fatores. Pode ser um único professor foda, que estimule o cara. Podem ser os pais. Pode ser ele mesmo, enfim). 

São essas as pessoas que formam a “elite” (termo idiota e batido, que uso na falta de outro) que sabe interpretar as coisas. Essas pessoas comandavam a produção de informação e conhecimento antes do google e continuarão comandando depois dele – a não ser que a educação deixe de ser essa porcaria que pouco estimula as pessoas a fazer as coisas por si mesmas.

Por enquanto, somente as pessoas que já têm o “faro” produzem conteúdo e adquirem conhecimento aprofundado na Internet. As outras infelizmente se perdem, ficam só com uns cacos de informação, um monte de peças que não se encaixam. 

E não vai ser uma mísera plataforma (nem blog nem orkut nem google nem twitter nem digg nem you tube nem banda larga nem nenhum site de jornalismo coletivo) que vai mudar isso, por si só. Deixem de ser ingênuos.

(Tampouco se “muda o mudo” ou se faz “democracia midiática” com blog de piadinha, fofoca e cultura inútil. Coincidentemente ou não, a maioria dos blogueiros que vejo celebrarem a si mesmos como produtores de informação na era democrática têm blogs que só falam besteira. Resta saber se o que as pessoas querem é o direito de se comunicar ou o direito de comunicar porcaria…)

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Agosto 14, 2008

Se houver neste Brasil varonil algum sósia do Murilo da seleção de vôlei, favor avisar que eu vou lá na mãe Sônia fazer uma amarração para o amor. Grata.

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A quem pretendo assistir na Bienal

Agosto 14, 2008

Listinha só pra mim, para não esquecer. Programação completa aqui.

17/08, domingo, 11h - Nélida Piñon 

23/08, sábado, 15h – Lygia!!!

23/08, 19h – Rubem Alves e Gilberto Dimenstein (blergh), mas o tema parece legal.

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No site, achei uma frase muito boa da Ana Maria Machado: “Escrevo o tempo todo, não só quando estou diante do papel ou do computador – esse é só o momento final, em que as palavras saem de mim e tomam forma exterior”.

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Agosto 13, 2008

Especialista dá respostas interessantes sobre a Geórgia aos leitores do NY Times. Pena que é curtinho, poderiam ter selecionado mais perguntas.

O que mais me intriga na cobertura deste conflito é que, a cada cinco minutos, há alguma declaração de autoridades russas ou georgianas (o presidente da Geórgia virou habituée da CNN). Mas até agora não vi nenhum jornalista, em lugar nenhum, chegar para um cara da Ossétia do Sul e perguntar: “e você? O que você acha? O que VOCÊ quer?”.

Ok, não é simples encontrar um ossetiano caminhando na rua agora. No mínimo, os caras devem estar trancados dentro do porão e tal – mas, ainda assim, acho infinitamente mais fácil ter acesso a um cidadão comum do que a um chefe de Estado.

A opinião de um único morador da Ossétia obviamente não é representativa do total, mas pelo menos valeria a intenção. Parece-me preguiçoso (e até meio escroto) retratar este conflito como se fosse uma disputa entre apenas duas partes. É como se não existissem pessoas de verdade na história e tudo fosse um reles jogo de War.

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Agosto 8, 2008

 

Sério: leiam Miranda July. Muito boa.

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O lado mais fraco da corda

Agosto 7, 2008

O Lewis Hamilton tem 22 anos, se não me engano, e olha aí onde ele está. A Marketa Irglova, aos 20, é multi-instrumentista, já ganhou um Oscar e ainda namora o lindo Glen Hansard. É esse tipo de gente que me deixa meio desgostosa. Estou na mesma faixa de idade e só o que consegui foi fazer com que uma aspone do Paulo Coelho mandasse e-mails revoltados para os meus chefes, quase que literalmente pedindo minha cabeça numa bandeja – afinal, onde já se viu uma estagiária escrever uma crítica negativa ao “maior intelectual do Brasil” (cof cof), não é mesmo?

Não sou a única a criticar o cara, obviamente. Não sei o que foi, mas meu texto deve ter cutucado alguma grande ferida do Coelhón (por quem, particularmente, não me interesso nem um pouco. Se não estivesse sendo paga para isso, provavelmente jamais colocaria as mãos em um livro dele).  Senão, a aspone não se esforçaria tanto para queimar meu filme.

Só digo o seguinte: se não quer ouvir crítica, não escreva. Não quer ouvir crítica negativa? Então escreva um livro decente. Olha, não precisa nem ser um livro bom, não -apenas decente. Não escrevendo xícara com ch já tá de bom tamanho.

Além do mais, se jornal vira embrulho de banana no dia seguinte, matéria em site tem vida mais curta ainda. Então dont worry, be happy. Se eu fosse o Paul Rabbit, iria gastar meus milhões, em vez de mandar a estagiária tentar demitir a estagiária dos outros.

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Agosto 7, 2008

Mãe, quando eu crescer posso ser o Banksy?

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Agosto 4, 2008

Dois contos meus estão na revista Palpitar.

Leia aqui e aqui.