
Pensamentos soltos sobre a picuinha
abril 3, 2009Tenho pensado nisto já há algum tempo, mas não sabia muito bem como estruturar o raciocínio. Alias, até agora acho que não sei. Desconfio de que este texto vá sair bastante truncado.
Mas enfim.
Tem algo que me irrita muito na blogosfera política brasileira. Quer dizer, não é bem na blogosfera, mas sim nos comentários da blogosfera. É o povo que separa o mundo em dois grupos estanques: a Direita e a Esquerda. Assim, com maiúsculas – porque os conceitos meio que se perdem na salada. É como se Direita e Esquerda fossem entidades com vida própria, não grupos. Se as vislumbram como grupos, é como se fossem grupos totalmente homogêneos. Sem espaço para nenhum desvio individual. Admite-se que os membros do grupo não pensem fora do que se espera da tal entidade. Eles são previsíveis. Imutáveis. E não têm solução, coitadinhos.
Então, supondo que você seja da Direita, tudo que dá errado é culpa da Esquerda. Essa entidade. A qual não se quer nem ouvir, porque é perda de tempo. Com a qual não se quer discutir. Afinal, eles são patéticos mesmo.
Isso é o que eu chamo de reinaldoazevedismo — porque, nos comentários daquele deplorável blog, só o que dá é isso. Mas é possível encontrar exemplos em outros lugares. Como no Pedro Doria. Ou no Rafael Galvão. Ou em qualquer outro lugar onde se discuta política brasileira com uma certa frequência. No Orkut, também, num piscar de olhos você acha vários fóruns que caem nessa troca de farpas bocó, baseada em estereotipificação grosseira.
Ontem, li este post do LLL (que, não, eu não conhecia até então. Já tinham me indicado o blog, mas eu nunca tinha tido tempo de ler. Agora, peguei a série sobre racismo e li quase tudo. E, putz, estou adorando. Loucamente). Fiquei curiosa para ver como se ampliava a discussão e decidi abrir a caixa de comentários. Pra quê? Não devia. Logo, dei de cara com um: “ah, se a esquerda detesta este livro, então deve ser bom!”. Ai. Até desencanei de ler o resto. Porque coisas assim me dão muita preguiça.
Também ontem, vi um documentário da mostra “É tudo verdade”, chamado “Agosto”. Achei mei’ runzinho. Mas o filme mostra relativamente bem essa coisa da criação do Outro. O outro entidade, com maiúscula. Sem que o documentarista dissesse ou perguntasse nada, apenas com a câmera na mão, muitos israelenses, ao se verem diante da câmera, automaticamente vociferavam contra os árabes. E ficava muito latente essa coisa da animalização. Diziam: “os árabes são uns porcos. Os árabes são cachorros”. Ou: “os árabes não têm higiene, os árabes são lixo”. Crianças diziam isso com a maior naturalidade. Brincando, saracoteando na frente da câmera. Tudo normal. Era tão normal dizer “os árabes deviam todos estar sete palmos abaixo da terra” quanto perguntar pro tio cinegrafista se ele era da TV e se tinha um pirulito. O menino libanês atirando pedras pela cerca, era a mesma coisa. Gritava: ”Barak é um porco”. Diante do Avi Mograbi (o documentarista), que estava do outro lado da cerca sem fazer nem dizer nada, o menino atirou pedras. Sem nem saber quem ele era. Pelo simples fato de estar ali, do outro lado, já merecia as pedras. Já os árabes desempregados de Israel botavam a culpa de seu infortúnio nos negros. Como se só os negros tivessem roubado seus empregos.
Enfim, era sempre essa coisa. De não ter contato nenhum com o outro, mas ainda assim objetificá-lo. Animalizá-lo. Como se ele fosse tão absolutamente diferente que vocês fossem mesmo duas espécies diferentes. Ou como se ele fosse menos humano que você. Como se fosse outra coisa, outro bicho. Completamente diferente. Natural e imutavelmente incompatível.
Resumindo muito grosseiramente: se a Direita é o lado conservador, que acha que tá tudo muito bem, tudo muito bom; então a direita é o lado que defende a discriminação. Porque a discriminação é a regra do status quo. É o estado atual das coisas. A Esquerda, naturalmente, é o lado dos movimentos sociais. Que querem mudar isso. É o lado mais justo e inclusivo, pois.
(veja bem que eu não estou pegando os outros lados da coisa. Como o debate — um tanto quanto enfadonho — de onde o estado devia se meter ou não. O que sempre cai numa oposição tosca entre laissez faire e marxismo, tudo muito bobo e truncado e desinformado e clichê. Eu tô pegando o que me interessa aqui, que é a questão da discriminação.)
Mas ei, você, caro comentarista, até que ponto você é mais justo e inclusivo quando trata essa “Direita” como Outro? Essa objetificação, essa coisa de considerar o outro um coitado irremediável com o qual você não se mistura, é o mesmo mecanismo que gera todas as discriminações. Todas. Negros, mulheres, judeus, pobres. Sempre começa assim. Se você considera o outro como Outro, intrínseca e imutavelmente Outro, então não só não vai querer se aproximar dele como também vai reforçar a distância.
Já a animalização é a condição sine qua non para a violência — porque, se o ser humano manipula a natureza para o seu bem-estar, e o outro é igualado a um animal, então você também pode subjugá-lo e matá-lo. Como faria a um animal. Mas jamais faria a um semelhante. É por isso que essas mensagens existem e as crianças aprendem a naturalizá-las desde muito cedo.
Enfim, você pode não ter chegado ao ponto da animalização. Mas se já fez do diferente um Outro, já era. Já entrou no mesmo mecanismo de discriminação que você diz rechaçar. Já caiu numa atitude que você diz que o seu grupinho não tem.
(Fora que é uma puta ingenuidade essa coisa de atribuir a discriminação somente à direita, como se fosse uma coisa exclusiva deles e não parte de uma estrutura na qual estamos todos inseridos e atuamos, em maior ou menor grau).
Eu posso estar falando merda (o que não é raro), mas acho que essa coisa de “ser” de direita ou de esquerda não é algo tão estanque. Acho que a maioria das pessoas transita entre os dois territórios. Cada um pende mais para um lado ou para o outro, claro, mas há certo espaço para o trânsito. Por exemplo: quando fiz o post sobre a Miriam Leitão, a Lola comentou que não achava que eu devia parabenizá-la por dizer-se feminista, porque ela é de direita. E eu acho que não é bem assim. Sim, ela é escrota em quase tudo. Mas, quando tem o peito de se intitular feminista na grande mídia, mesmo com todos os preconceitos que vêm junto com o rótulo; quando defende que, não, as mulheres ainda não conquistaram tudo… Bem, neste caso em particular, ela pulou a cerca e foi para a esquerda. Porque isso é possível, ora. Por que não?
E eu não vejo razão para não aceitá-la no clubinho por um motivo muito simples: se os preconceitos estão tão enraizados na cultura; se ninguém vive fora do kiriarcado; se nós, que estamos aqui, na internet, discutindo política, somos obviamente privilegiados; então é certo que, mesmo sem perceber, vamos escorregar e cometer escrotagens. É certo que, vez ou outra, vamos falar, pensar ou agir de maneira discriminatória, que corrobora o status quo. Nas coisas mais simples. E, nesses momentos, conscientemente ou não, nós estamos fazendo a passagem. Estamos pulando a cerca para o lado da direita. Ninguém está livre disso — é uma questão de auto-correção.
E, toda vez que tratarmos quem discorda de nós como um Outro com maiúscula, não só teremos feito a passagem como estaremos com os dois pés bem fincados no campo da direita. Eu vivo dizendo que o que falta é isso: sentar, calar a boca e ouvir o outro. Tomar as experiências dele como válidas. Tentar achar pontos de concordância e coisa e tal. Que é isso que quebra a estereotipificação. Enxergar a pessoa em sua complexidade, em vez de colocá-la na caixinha do estereótipo. Pode ser que a pessoa realmente se aproxime muito da idéia pré-concebida. Mas ela tem a sua unicidade. Se investigar bem, todo mundo, em algum ponto, faz a travessia.
[update]
A maior prova da frase que fecha este post: veja só o partido do autor do projeto. Aliás, a própria Heloísa Helena também é contra o aborto.
Sobre HH: a posição dela não me incomodaria – não fosse o fato dela ter dito: “sou feminista e sou contra o aborto. Não são coisas antagônicas”. Péra aí, péra aí, péra aí. Do jeito que você está fazendo, são coisas antagônicas sim, HH.
É possível ser feminista e ser pessoalmente contra o aborto, não desejando fazê-lo. Mas daí a militar ativamente a favor de restrições à liberdade de escolha dos outros, querendo forçar todo mundo a seguir a sua visão… Sorry, mas isso é, sim, extremamente antifeminista. Shame on you.
Quer militar contra a queda de restrições ao aborto? Milita. Você infelizmente não é a única. Mas não enfia o feminismo no meio disso. Não venha jogar água no nosso chôpp.




Nao acho que vc falou merda nao, nem que ficou tao confuso.
Uma coisa que eu acho importante nessa discussao eh a vontade que as pessoas tem de fazerem parte de alguma coisa. E uma vez que vc “pertence” a algo, o resto eh o “outro.” Isso eh uma coisa natural nas pessoas. Para a qual, na minha opiniao, a gente tem que estar sempre atento.
Nao eh porque eh natural que deve ser estimulada.
No meu caso, passei minha infancia e adolescencia querendo pertencer a alguma coisa – ter religiao, time de futebol, escola de samba, tribo. Nao deu certo, desisti e hoje vivo bem com isso. Nem ateia radical eu consigo ser, eu sou um fracasso nessa coisa de “pertencer”
E me sinto razoavelmente confortavel em ter algumas ideias de direita e outras de esquerda. As vezes eu me acho um coronel de pijama, as vezes pareco uma riponga falando. Acho que consigo desagradar todo mundo de uma vez so (ja tive belos arranca rabos com o LLL porque nao consigo concordar com tudo que ele fala).
Enfim. Acho que esse comentario nao acrescentou nada
Como disse Sartre: “O Outro é o Eu que não sou Eu”.
Às vezes (ou quase sempre) é difícil lembrar disso e considerar que o Outro tem o mesmo peso que o Eu.
Pois então, Marjorie. Desenvolveu (muito bem) um assunto sobre o qual quero falar há tempos (até tentei, em um dia de chilique, mas não deu muito certo). Não me sinto nem de esquerda e nem de direita, sabe? Acho que ambas as partes têm seus prós e contras, mas eu sou contra radicalismo de qualquer parte. Por exemplo, leio o blog do Reinaldo Azevedo: ele faz um bom clipping de reportagens e algumas análises bem fundamentadas, mas eu pulo os textos onde aparecem as palavras “apedeuta”, “petralhada” e afins. Acho desnecessário. Ah, e nem abro os comentários.
Mas veja só: pra mim, é uma gratíssima surpresa quando vejo uma dessas “puladas” de cerca entre a direita e a esquerda. Por exemplo: Azevedo a favor da adoção de crianças por homossexuais (e pelo que pesquisei, ele é a favor também da equiparação de direitos civis entre casais hetero e homossexuais – casamento civil). Mainardi contra a eugenia. Enfim, há muitos exemplos, dentro da esquerda também, mas não quero alongar o comentário.
O que você falou é perfeito, sobre ouvir o outro. Há um ditado (acho que é árabe) que diz que temos dois ouvidos e uma boca por uma boa razão. Gosto de saber sobre tudo, me informar sobre todas as posições, mesmo quando já tenho um pré-conceito (ahá) contra. Ou pra me certificar, ou mudar de idéia… ou mesmo pra “conhecer o inimigo”.
Pra acabar, acho sempre que temos mais a aprender com quem pensa completamente diferente de nós do que com quem concorda em tudo. É só saber calar a boca e ouvir, ou seja, respeitar.
Marjorie, tenho pensando muito nisso.
Adorei. Vou visitar sempre vc.
abs e muito prazer
Oi, Marj;
Ali Kamel é casado com uma judia – Patricia Kogut, da coluna Controle Remoto. Trabalhei no Globo na época em que ele era um dos diretores executivos e… bom, ele não é particularmente uma pessoa “informada”, se me desculpe as aspas. Li o livro dele e me parece a léguas de distância da realidade brasileira. Além de ter uma excelente posição social, ele hoje é um dos manda-chuvas da Globo. Mora num belo apartamento da Avenida Atlântica quase às portas de Ipanema.
Não sei. Sou partidária daquela corrente que diz que você deve palpitar sobre aquilo que sabe, vivencia, presencia, sente na pele. E, incontestavelmente, Ali Kamel jamais viveu o racismo na pele – sequer chegou perto dele, se ouso dizer.
Quanto a ser centro, esquerda ou direita, vivo segundo meu avô, advogado desde o berçário: bom senso é tudo. Use o que aprendeu e aplique. Bom, tem dado certo até agora.
Bjs
BTW, a tirinha no LLL é absolutamente hilária – “Me sinto um pioneiro”… hahahahahahahahahaha!
Interessante que desde a primeira vez que vi o título desse livro, me pareceu que era uma ironia, com a negação da existência do racismo no Brasil. E mesmo depois de me inteirar do assunto do livro, vem ainda um risinho lá de dentro… rindo da não-ironia.
Marjorie,
não só não achei que você falou merda, como acho que foi muito bom, muito bom mesmo. Eu penso sobre essa questão do Outro há tempos, e mais de uma vez já pensei em escrever a respeito, mas nunca conseguir clarear tanto os fundamentos como você fez aqui. No caso, escrevo sobre a Cidade, e vejo muito isso acontecer com a eterna cisão entre asfalto e favela, agora mesmo com essa proposta de murar as favelas. Eles são o Outro, totalmente. No dia que eu resolver tocar nessa questão, inevitavelmente terei que apontar pra cá, porque sua argumentação é perfeita.
Sobre direita e esquerda, é isso mesmo, as coisas são mais fluidas do que parecem. As pessoas podem ter posições mais à direita no que diz respeito a economia, papel do Estado, etc e mais à esquerda em comportamento, ou vice-versa, acontece toda hora, comigo inclusive. Daí que tascar o rótulo e aprisionar numa caixinha é burro e só faz esvaziar qualquer possibilidade de debate.
Bárbara — O comentário acrescentou, sim, boba!
Então, tb acho que essa coisa de generalizar e querer colocar o outro numa caixinha é automática. Porque é a maneira como o raciocínio humano funciona. Foi isso permitiu que a gente manipulasse o mundo. A gente observa, tenta achar uma regra e depois passa a aplicar essa regra às situações semelhantes. É assim a linha de pensamento para quase tudo. Só que pode falhar, claro.
O foda é que as pessoas não querem OUVIR o outro, sabe? Elas preferem se agarrar à idéia pré-concebida — que, na maioria das vezes, não se baseia num contato propriamente dito ou numa observação atenta. Somente numa especulação. Ou no que o cara ouviu dizer.
Hahaha e eu tb sou um fracasso nessa coisa de “pertencer”. Sempre fui.
Ashen Lady — Exato.
Srta T– pois é. Ainda assim, não sei como você consegue aguentar o Reinaldo Azevedo. Não dá, cara, não dá. Eu não consigo ler textos em que o autor só sabe se referir a quem discorda dele com adjetivos pejorativos. Para mim, isso demonstra uma ENORME fraqueza de argumentação e um certo desespero. Ora, se o outro está tão gritantemente errado, é só apontar o óbvio, uai! Não precisa ficar xingando. Acho nojento isso.
Então, para mim, ele (e os outros articulistas do mesmo estilo) podem fazer N transições para a esquerda… Ainda assim, não consigo levá-los a sério. Não consigo aguentar uma pessoa que pratica o “othering” de forma tão pesada. Porra, até se ele bate o dedo na quina da cama, diz que a culpa é dos “petralhas”. Tem dó.
Lina G — opa! Bem-vinda!
Suzana — pois é, sabe que eu já tinha pensado exatamente isso? “Oi, o que ele sabe? Ele, que é branco, rico e vive uma vida super privilegiada; que não sofre o racismo na pele e provavelmente não tem muitos negros entre seus contatos?”. Eu não li o livro, então não posso dizer muita coisa, mas a impressão que eu tenho é que é um cara escrevendo de uma redoma de vidro, sabe? Alguém que não tem contato com outras realidades. E é de uma arrogância tremenda isso. O cara querer dar uma de autoridade sobre um assunto que não lhe toca, sem sequer OUVIR O QUE O MOVIMENTO NEGRO TEM A DIZER.
E, sim, a tira do Arnaldo Branco é foda! Me lasquei de rir. Eu tb adoro a série “mundinho animal”, que sai no G1.
Amanda — Hahaha, pois é. Qual será o título do próximo livro dele? “O céu não é azul”?
Ana Paula — Nossa, isso total tem a ver com cidade. Só que eu não tenho cacife nenhum para sequer começar a falar sobre. O que me impressionou esses dias foi uma matéria (putz, agora não lembro onde, ô memória!) sobre o jardim são remo, que fica do lado da USP. E a matéria dizia: “a universidade é separada do jardim são remo por apenas um muro”.
Péra aí, péra aí, péra aí… “Apenas” um muro? Quê que eles queriam? Que também fossem colocados postos de controle, canhões, bazucas? Eu, héin.
E é isso aí mesmo. O resumo de tudo. Rotular o outro assim, automaticamente, é esvaziar o debate. É retirar do outro a sua humanidade, a sua unicidade.
Bjos!
Mas como eu disse, seleciono o que eu leio. Concordo plenamente com esse lance da ofensa ser o argumento dos “desesperados”; então, se o texto (qualquer texto, de qualquer um) toma esse rumo, simples: X vermelho no canto superior direito.
Marjorie, acho que a questao eh que se vc OUVIR todo mundo, garanto que vao sobrar muito poucas certezas na sua cabeca. E eh desconfortavel nao ter certezas (lembre da parte do pertencimento, zona de conforto, se apegar ao que ja se conhece, etc).
Entao, humm, melhor nao ouvir, e continuar confortavel, ne?
Como é que eu perdi esse texto? Diz tudo o que eu penso (e mais até) sobre essa necessidade das pessoas te enfiarem numa caixinha e te julgarem. Eu sempre brinco que eu consigo desagradar todo mundo: a direita me chama de comuna e a esquerda me chama de burguesa. E é tudo verdade.
[...] de quem está falando. Não convive com elas. Nunca dialogou com elas. Já escrevi sobre isso aqui: para transformar o outro em Outro, essa entidade homogênea, só mesmo não convivendo com ele. [...]
Marjorie,
Adorei esse texto pois retrata bem a minha dificuldade em entender qualquer discussão política que essencializa um lado ou outro. Eu simplesmente mudo de assunto quando alguém se intitula de direita e começa a falar que todo “esquerdista é miolo mole”. Isso me irrita profundamente pois não só o inimigo (que nem deveria ser inimigo, né?) vira o “outro” como o fato de essencializar o grupo contrário dessa maneira mostra um profundo desconhecimento das complexidades inerentes em ambos os lados, como vc mesma diz. (PS: não sei se essencializar é uma palavra que se usa em português, mas acho que deu pra entender).
Ler comentários de sites de jornal – mesmo aqui no Canadá – é de arrancar os cabelos mesmo e desistir da espécie humana. Ainda bem que sou uma pessoa positiva…
[...] de quem está falando. Não convive com elas. Nunca dialogou com elas. Já escrevi sobre isso aqui: para transformar o outro em Outro, essa entidade homogênea, só mesmo não convivendo com ele. [...]
[...] autora é ela, a Marjorie. De novo. O post inteiro está aqui. Deixe um [...]
[...] é que a reação instintiva é dizer que os alunos da Uniban agiram como “animais”. Eu também já falei sobre animalização aqui. Mas nunca custa repetir. Que, quando você animaliza o outro, está distanciando ele de você. [...]