
Cozidão
Julho 27, 2009Então que um dos mocinhos do CQC, Danilo Gentilli, conseguiu reunir um monte de clichês racistas em um texto só. Até aí, o mundo se move e o céu é azul, né? Danilo só está se mostrando bom aluno em ”preconceito descolado”, prática extremamente comum no humor brasileiro — e, como discutíamos dias atrás, exercida com maestria pelo chefe dele, Marcelo Tas. Não há novidade aí.
Entretanto, o texto dele serve de ilustração para uma porrada de coisas que eu já critiquei aqui. Enquanto passava o olho pelos parágrafos, ia lembrando de vários dos meus posts antigos e pensando: “tá vendo? Era disso que eu estava falando!”. Então, se não se importam, vou fazer um cozidão de links aqui.
Para começar, o texto do Danilo exemplifica o que eu quis dizer, em maio, com “subjugação pelo riso“. Cada vez mais, enxergo o humor como uma das ferramentas mais poderosas de subjugação e de silenciamento. Não sei se é a mais poderosa de todas, mas o humor sem dúvida tem um atributo único: ele torna-se sério justamente porque não foi feito para ser levado a sério.
Me explico: com a piada, podemos dizer coisas que não teríamos coragem de falar seriamente. Podemos, assim, usar o humor como uma muleta. Desta maneira, idéias discriminatórias são transmitidas e reforçadas através das gerações — mas, quando alguém reclama, o autor da piada sempre pode se justificar, dizendo: “eeei, é apenas uma piada”. Sempre se pode esconder-se atrás da (pretensa) falta de seriedade e falta de relevância do humor. Mas o fato é que piadas são manifestações culturais como quaisquer outras. São um grande indicativo de como uma sociedade pensa e se enxerga. Logo, também elas podem (e devem) ser analisadas sociologicamente.
Também vejo no texto do Gentilli mais uma tentativa de retirar as coisas de seu contexto. O histórico escravocrata do Brasil só é relembrado no texto quando convém ao autor. Olha o tamanho do malabarismo retórico: Gentilli enxerga o cara que se afirma negro, que diz ter orgulho da sua cor, como um idiota — afinal, quem inventou o conceito de raça foram os brancos que o escravizaram.
Mas eu duvido que Gentilli seja burro a ponto de não compreender que um cara que se orgulha de ser negro está apenas reagindo a este passado de escravidão e a todas as mensagens que estimulam o negro a ter baixa auto-estima (entre as quais as piadas de Gentilli se incluem).
A intenção de Gentilli, portanto, é a mesma dos alunos da Anhembi-Morumbi que aparecem na primeira parte do documentário “café com leite ou água e azeite?” (o doc, aliás, derruba todo e qualquer argumento do humorista). A carta da ”democracia racial” não é retirada da manga para uma celebração. O discurso bonitinho da “caixa de lápis de cor” só é usado para impedir que os negros se afirmem como negros. Afinal, se eles não se reconhecerem como um grupo com uma situação específica, obviamente não vão se posicionar politicamente contra esta situação específica.
Veja que o Danilo também sequestra o discurso antropológico, dizendo que “raça não existe”. Pois é, não existe mesmo. Mas isso não quer dizer que a idéia de que ela exista tenha se dissipado do senso comum. Tampouco quer dizer que não existam pessoas que ainda acreditam que há raças superiores a outras. E muito menos quer dizer que não existam discriminações com base na “raça”. Não é novidade para ninguém que os negros levam desvantagem em termos de renda, de escolaridade, empregabilidade e por aí vai.
Logo, negar que a distinção de raça ainda importe, como se a gente JÁ VIVESSE num mundo de caixa de lápis de cor, é de uma ingenuidade gigantesca. Essa negação só pode mesmo ser feita por um cara branco, que não sofre na pele os efeitos do racismo. Como, para ele, cor da pele nunca foi um impeditivo de nada, então dá para negar que isso tenha importância. Queria ver se ele fosse negro. Aliás, cadê os humoristas negros do CQC? Já sabemos que Danilo não faria parte da trupe se fosse mulher. E se fosse negro?
***
Leia também:
- outro post sobre o mesmo assunto.
- mais outro post sobre o mesmo assunto.
- argumentos circulares para continuar com o racismo.
- Pulling the race card e Some white people, dois dos meus posts favoritos de todos os tempos.
- a série do LLL sobre racismo.
- o desabafo de Warner Moura sobre a moda do humor imbecil. A gente pode e merece mais do que isso, falaí.




acabei de deixar o link do blog do gentilli no post anterior! nem tinha visto esse aqui.
não sei se vocẽ deu uma olhada nos comentários, mas é uma festa de clichês racistas disfarçados de não-racistas. teve até alguém que alegou que uma moça que disse que o gentilli tinha descontextualizado a questão e, portanto, falado merda, tinha qi baixo (!) e estava querendo aparecer.
fora aquelas coisas do tipo: “quem vê racismo no que ele tá falando é que é racista”, o argumento que em geral me faz desistir de viver.
Eu ia dizer o mesmo que a Carol. Depois de ler alguns comentários (pq eu não tive estômago mais do que uma meia dúzia) eu decidi que no máximo leio o post, por mais que me contrarie. Porque pelo menos a partir de uma determinada idéia vou pensar e debater a respeito. Ler caixa de comentário tem sido tarefa impossível não pelo desacordo – que eu acho extremamente saudável e necessário para o nosso crescimento – mas pela absoluta falta de noção do que é viver em sociedade. Eu li que “os negros são culpados pelo racismo”, “a escravidão aconteceu porque os próprios negros vendiam os negros de outras tribos” (sim, é verdade, mas pera lá, quer dizer que a escravidão é culpa do negro? incrível como as pessoas usam a história para distorcer os fatos) e que “as minorias que ficam reforçando os preconceitos contra elas mesmas” (daí vc pode incluir gays, mulheres, imigrantes etc). E o máximo dos máximos: que muitos povos brancos foram escravizados e que vc não vê os brancos reclamando eternamente disso. Oi?
Pára o mundo que eu quero descer.
Eu não li o texto todo do Gentilli, tô pensando se termino ou não, mas esta frase me chocou:
“Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta.”
Não tenho o que falar depois dessa. Sério. Se numa lista de grupos étnicos e seus correspondentes que ele faz, o branco não é a personificação do europeu, mas a personificação do ser humano (e mais nenhum outro!), esse cara já mostrou a que veio.
Carol e Flavita — desisti de abrir a caixa de comentários do Gentilli, quando eu vi que tinha 140. Pq eu já sabia o que ia encontrar, né? Já desconfiei que ia sair de lá “desistindo de viver” mesmo.
…Mas eu não sei se tô me beneficiando ou prejudicando, ao fazer isso. É foda porque eu estou me isolando numa bolha, né? E aí fico pensando que certas coisas são claras para todo mundo, mas não são. Sou eu que só tenho contato com gente para quem isso é óbvio.
Victor — Nossa. Nossa. Nossa. Não tinha reparado nisso. Nessas é que o cara se trai totalmente.
Essa não foi a primeira piadinha racista e de muito mau gosto desse “humorista” tosco. Há vários registros na internet que comprovam isso. Quando convidado para comentar o último concurso de Miss Brasil pela turma do TDUD ele disse que a miss São Paulo, uma moça negra, só entrou na competição “por causa da cota”. Ontem o meu amigo flagrou a sua filha de 9 anos, que está com baixíssima auto-estima por causa de “gracinhas” desse tipo, bebendo “branquinho” – aquele líquido branco usado para apagar textos impressos. A menina confessou ao pai, aos prantos, que não queria ficar totalmente branca, mas que não queria “ser tão escura” porque “é muito feio”. Aí vem uma idiota e faz beicinho: “sempre me chamaram de branquelinha e eu nunca tomei como racismo”. Ah, vá lamber sabão…
[...] o ótimo post da marjorie sobre o caso gentili, além dos links para outros posts sensacionais sobre [...]
O que mais tenho raiva é de quando a pessoa se faz de idiota! “Prefiro ser chamado de macaco do que de girafa.” Será que é por que ele não é negro e ser chamado de macaco nunca teria conotação ofensiva pra ele?
O mais preocupante é que esse cara, assim como o Tas, não deixa de ser um formador de opinião. Nessa febre de CQC a molecada lê isso e aplaude – daí os comentários esdrúxulos.
Ai que preguiça de abrir lá o Gentili…
Mas cara, o quanto mais se fala “veladamente” sobre as coisas, principalmente sobre o preconceito com suas inúmeras fantasias, mais as coisas se naturalizam. E mais absurdos vão aparecendo.
Vc escreve muito bem, parabéns.
Marjorie, eu realmente não sei mais como me posicionar nesse mundo. Não sei. Eu sei lá se eu desisto.
Dias desses eu presencio pelo twitter essa barbaridade do Lingerie Day, me sentindo uma alienígena por achar aquilo tão absurdo e ver tanta gente achando legal. Me sentindo uma completa idiota de ter acreditado em um post que todo mundo passou a rotular de agressivo. Sei lá, devo ter areia na vagina também… O fato é que quando vi o avatar da Aline, eu não sabia mais onde eu estava. Não sabia mais se aquela minha revolta era legítima ou puro extremismo inrustido. Fiquei meio sem chão, tenho que admitir. Estava caindo na espiral do silêncio. Aí eu li seu post e o da Lola e senti que… bem, ainda há alguma sanidade nesse mundo. Ou eu não sou louca sozinha. Ok, antes que você comece a pensar que eu estou comentando no lugar errado, isso é só pra ilustrar o que eu venho sentido ultimamente em relação a essa sociedade escrota.
E aí vem essa história do Danilo Gentili, que vi pelo twitter, através do Tulio. Pq eu não sigo mais nenhum babaca do CQC. No Tas, dei unfollow logo após saber da história da Juliana Pas, através do seu blog (e nem sinto falta. Já não dizia nada interessante mesmo, além de levantar a bandeira vazia do ForaSarney, algo que excita essa molecada tão carente de ídolos e revoluções – como se o Sarney fora do Senado fosse REALMENTE tirar seus poderes. Como se política fosse como uma história no Power Rangers, que é só chamar o Megazord e derrotar o vilão). O cara posando de formador de opinião dessa nova geração (que para eleger um boçal desse como formador de opinião, definitivamente, só pode estar perdida) e dá uma dessas? Não que eu goste da Juliana Pas; sequer a conheço o suficiente para dizer qualquer coisa. Mas peraí né.
É assim que as nossas “celebridades” se revelam. E celebridades por quê? Por que devem ser celebradas? O que fazem de célebre?
É algo célebre colocar todos em uma caixa de lápis de cor? Como se todos os lápis fossem ter a mesma oportunidade de ensino durante a vida. Como se fossem ter o mesmo acesso aos bens de consumo que programas como o CQC anunciam a cada quadro. Como se realmente vivêssemos em uma democracia racial. (e nem na caixa de lápis de cor há igualdade; eu sempre uso mais o preto e o marrom, que tendem a ficar cotoquinhos primeiro que qualquer um; enquanto nem uso o rosa ou o vinho – discriminados completos nesse meu sistema de colorização)Céus… eu não sei nem mais o que dizer… isso é tão complexo, tão profundo… que uma mente rasa como a desses humoristas reacionários não poderia mesmo entender. Ou se entende ignora. Em nome dos privilégios que possui, ou em nome do público que precisa fazer rir para os anunciantes ganharem bastante dindim.
E aí, como vc disse, fico achando que tem coisas que deviam estar claras pra todo mundo, mas não estão. Li parte dos 400 comentários e tive vontade de morrer. O mesmo sentimento de incapacidade e esmagamento que senti quando li os comentários da Ana Carol. Um aperto no peito. Um desespero. Como pode tanta gente NÃO VER???
É como o Alex disse: “se vc não enxerga o problema, então vc É o problema”… Deve ser tipo em Matrix. Aliás, é exatamente como Matrix, quando os agentes podem se transfigurar para dentro de qualquer uma das pessoas que estão dentro do sistema. São as pessoas que os despertos lutam para tirar da Matrix, mas enquanto eles estiverem plugados, são apenas uma ferramenta que o sistema VAI USAR para esmagar qualquer um dos despertos.
E é essa massa disforme presa ao sistema e dependente dele para manter o status quo, essa massa que se julga pensante mas atribui o rótulo de humor inteligente a qualquer programinha que se julgue revolucionário quando não passa de um reacionário disfarçado de moderninho, é essa massa que se manifesta em comentários como aqueles, e em atitudes escrotas como essa do Danilo Gentili… é essa massa que continua a perpetuar na sociedade esses valores que tentamos sepultar dia após dia para tentar viver em um futuro onde as pessoas possam ser consideradas como iguais. Iguais não como lápis de cor; mas iguais como pessoas.
Marjorie, desculpe o texto extenso… Não sou uma pessoa muito de comentar, embora acompanhe sempre o blog… e embora acompanhe sempre essas barbaridades atônita, na minha bolha de passividade. Mas eu precisava muito desabafar, de alguma forma. Algumas vezes, é isso ou desistir de vez.
Estou indignada com tamanha “inocência” do sujeito!!! Pra ele é simples: é só fechar os olhos e fingir que o preconceito não existe!
Nunca assisti o CQC e sempre soube que era uma merda. Agora acabei de confirmar isto. E pior, este Danilo Gentilli é ídolo de meio mundo de caras “descolados” e mulheres retardadas.
Escrevi isto lá, mas não postaram porque estorou a capacidade:
Oh, que bonitinho!!! Como vc é fofo!!!! Basta fechar os olhos , imaginar uma caixa de lápis e acabou-se o preconceito e o racismo! Se alguém insistir em enxergar o racismo, é pq é complexado ou é ele o próprio racista, não? Concordo com o que a Paula disse lá em cima: vc deveria ser indiciado pelo ministério público!!! O que esperar tbm de alguem, que num infeliz post no twitter, comparou jogadores de futebol com King Kong? Pela sua logica rasa e imbecil, tbm uma mulher sendo chamada de piranha e vaca não deveria se ofender, visto que são apenas animais, não é?
Vai crescer e fazer algo que preste, seu mané!!!!
Rosângela — pois é. Só eu sei o quanto eu fui zoada na infância por conta do meu cabelo. E o quanto fez falta não ter referências de beleza que fossem ao menos um pouco parecidas comigo. E olha que eu ainda sou branca. E olha que tem cabelo muito mais afro do que o meu. Se eu sou mestiça e já me fodi, imagine os outros.
Uma pena a história da filha do seu amigo. Espero que ele vá trabalhando a auto-estima dela. bjs
Mônica — nossa, total dando uma de desentendido. Como se fosse no vácuo mesmo. E, cá entre nós, até onde eu sei homem alto é considerado desejável, minha gente. Naonde que ser alto é problema?
Paula Maria — thanks
Aline — Uau. Eu respondo ainda. Juro que prometo, rs.
Sheila — Posso patrulhar um pouquinho, rs? Eu não gosto do termo “retardado”, acho meio preconceituoso com quem tem deficiências mentais. Mas então. Se isso que o Gentilli faz é que é piada boa, então eu REALMENTE não tenho senso de humor. É preciso mais do que isso para me fazer rir. Definitivamente. E olha que eu sou um ser mó risonho — quebrando totalmente o estereótipo bocó da feminista chata, já recebi elogios pelo meu senso de humor (embora, eu sei, pelo blog não pareça). Mas ter senso de humor é diferente de ser idiota.
Foi mal… pra vc ver como certos termos já estão tão inseridos no nosso dia-a-dia que nem reparamos mais o quanto são ofensivos!Concordo com vc!
Vamos corrigir então: ídolo de mulheres com m*** na cabeça. Pronto!
acho que você já deve ter lido isso:
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=221708&modulo=808
Marjorie, corrige ali: baixa auto-estima. Não é pra bancar o pasqualete, não, juro. É que teu texto tá foda, mas podem pegar nesse viés besta e desqualificar tudo o que foi escrito, porque falta resposta melhor. Daí é bom que não se dê oportunidade pra isso. Apaga esse comment depois, pq ele não soma nada. Abraço.
eu não tenho acesso ao CQC, não sabia da existência deste animal. preciso dizer que eu estou impressionanda. durante todo o texto dele eu me perguntava “sera que esse cara acredita nisso mesmo?!” e no final, claro. “eu sou italiano”. “soh porque eu sou branco…” hehehe
fui procurar um video onde chico buarque fala sobre racismo. talvez você ja tenha visto, não sei, mas sempre vale a pena ver de novo. o “humorista” do CQC precisa ser avisado sobre a existência desse video, talvez ele entenda um pouco mais sobre a propria vida dele.
Muito bom esse vídeo, Luci.
O mais engraçado é sermos todos miscigenados, fazermos piadas como se fôssemos brancos, e acharmos que ainda assim não existe raça.
kct, este carinha é medíocre pra carai…
E burro, e, meo deos, que fotinho é aquela com a linguinha para fora no blog dele??
Yo queria morrer sem ter visto aquilo, eca!!!
Nao li o post do gentili e nao li todos os comentarios, Mas eu queria fazer o advogado do diabo aqui.
Se alguem chega e diz que “brancos tambem ja foram escravizados e nao ficam reclamando,” eh porque a pessoa ouviu isso em algum lugar e achou que fazia sentido. Chegar para essa pessoa e dizer “Oi? Voce eh um idiota e eu quero morrer” nao vai ajudar nada!!!
Era esse o nivel das respostas do lLL no blog dele e eu ficava fula da vida. Porque, oi? nem todo mundo estudou o assunto? Nem todo mundo leu os textos que vcs leram? E que tem gente que eh branca, nunca foi discriminada nao tem a mesma experiencia de vida que um negro?
Para essas pessoas, eh preciso que alguem venha, educadamente (atencao: educadamente! sem acusar!!!!!), e mostre para esse branco que o racismo existe. Porque eh natural que o branco fique indiferente ao racismo, ja que ele eh privilegiado.
Conheco muitos homens que nao percebem o machismo do mundo, e cabe a gente mostrar para eles que o machismo existe. Contando alguns casos, chamando atencao para as coisas.
Eu acredito, de verdade, que se a gente mostrar para essas pessoas (sem acusacoes!!!) que o machismo/racismo/qualquer outra coisa existe, grande parte delas vai se sensibilizar. Nao todas, logico, mas essa eh outra historia.
Escrevi um post sobre isso também. E acho bem complexo o limite qto a “subjugação pelo riso”. O que pode e o que não pode ser piada. Não sei como levam o pessoal do cqc a sério viu. Não sei.
“O processo de discriminação repousa no exercício preguiçoso da classificação: só dá atenção aos traços facilmente identificáveis (ao menos a seu ver) e impõe uma versão reificada do corpo. A diferença é transformada em estigma. O corpo estrangeiro torna-se corpo estranho.
A presença do outro se resume à presença de seu corpo: ele é seu corpo. A anatomia é seu destino. O corpo não é mais moldado pela história pessoal do ator numa dada sociedade, mas ao contrário, aos olhos do racista, são as condições de existência do homem que são os produtos inalteráveis de seu corpo. O ser do homem corresponde ao único desenvolvimento de sua anatomia. O homem nada mais é que um artefato da aparência física, do corpo imaginário ao qual a raça dá nome.
Cartesiano na ruptura, não é mais ao espírito que o racismo dá importância, mas ao corpo. Lá onde o aspecto físico parece não existir para operar a discriminação, o racismo manifesta tesouros de
imaginação.”
David Le Breton, A Sociologia do Corpo, pp. 72-73
Draupadi — Opa. Já não era sem tempo de alguém dizer isso. Simpatizo pacas com o Wagner Moura. Vou linkar. Obrigada pela dica!
Pedro — Nossa, véi, eu escrevi baixa-estima? Escorreguei mesmo. Valeu pelo toque. Mas relaxa — se alguém vier invalidar o post inteiro só por causa desse errinho, estará assinando seu atestado de boçal. Bjs
Luci – adorei o vídeo do Chico. Não tinha visto ainda, obrigada. E é isso aí mesmo. “Eles pensam que são brancos”. Só acho que o Chico escorrega um pouco ao dizer que a gente não é branco apenas pq o Brasil é miscigenado.
Sendo cricri, o buraco é mais embaixo. Porque até a palavra “miscigenação” pressupõe que existem raças. E que, na miscigenação, elas se misturam. A verdade é que a gente não é branco pq “branco” não existe. Porque não existe raça pura nenhuma, em lugar nenhum. O que existem são construções culturais e posições políticas.
(Aliás, falaí: não é engraçado que o Gentilli se embanane todo, negando a existência de raça, mas ao mesmo tempo afirme que é um “ser humano branco”?)
Mas é, eu tb tenho um certo problema com as definições. Se me perguntam, a minha auto-classificação é como branca. Porque eu acho que não posso ser hipócrita e me classificar como parda, como mestiça ou qualquer outra coisa (embora eu o seja), se a sociedade me dá privilégios pq me considera branca. Então, para fins estatísticos, eu digo que sou branca. Mas sei que não sou, etc.
…Ah. preciso dizer uma coisa. Até reclamando de racismo o Chico Buarque soa sexy, héin? Benzadeus!
Barbara — Concordo completamente contigo. Acho que só dizer “Fulano é burro”, “Fulano é imbecil”, “Fulano é racista” não adianta nada. É preciso ir lá e meter as colheres de chá. Porque, como o próprio Chico diz no vídeo, muito disso é fruto de total ignorância mesmo. Só que às vezes dá preguiça, né? Eu total assumo minha preguiça de me embrenhar nos comentários e lutar a boa luta.
Michelle — MELHOR citação. Obrigada!
Ufa, que bom que vc entendeu meu comentario. Porque serio, eu fico muito irritada com essa briga toda, gente se xingando dos dois lados, em vez de conversar. Eh logico que as vezes da preguica, mas enfim, acusacoes de um lado e de outro so dao m…
E sobre a miscigenacao do Brasil, eh muito interessante ver como muito brasileiro branco vem pra Europa e deixa de ser branco (porque aqui pruma pessoa ser considerada branca tem que ser mais clara que no Brasil). Isso mostra como a construcao eh totalmente social, eh logico.
De um modo geral, as coisas aqui sao muito, muito diferentes (em varias coisas, pra melhor e pra pior). E logico que existe racismo e preconceito contra imigrantes/indianos/asiaticos/negros/o escambau. Mas olha que interessante: existem negros trabalhando no escritorio onde eu trabalho. No Brasil, isso era rarissimo.
Marjorie, não é cantada: Mas eu te amo (L)
Sério seus posts são brilhantes
Esse cara é um imbecil, o PEOR é que eu só trabalho com homens e todos eles acham o CQC um humor “inteligente”. Vira e mexe eu dou “patada” no pessoal aqui. A última foi um dos caras falar que tem mulher que “gosta” quando falavamos de abuso sexual na infância. Eu falei que teria de discordar, pois conhecia e participava de grupos de apoio a mulheres e mais um monte de saliva pra refutar meia dúzia de palavras que ele disse. Na verdade os caras do meu trabalho são bem bacanas, mas quando dizem “pérolas” eu não consigo ficar calada.
Eu também sou bem humorada. Na verdade eu gosto muito de Bob Esponja, Pingu e Hey Arnold!
“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
Os “politicamentes corretos” adoram impor seu moralismo , se acreditam mesmo que suas idéias estão certas por que então não se acham capazes de convenser as pessoas ?
Usar da força para coagir as pessoas é nojento , anti-ético e um ato contra a liberdade , caso esse sujeito seja preso ou processado esse será um caso obvio onde o moralismo falará mais alto que a liberdade de expressão .
Escrevi sobre esse lamentável episódio no meu blog e linkei este seu post.
Quem quiser, está convidadíssimo a comentar :
http://emformol.blogspot.com/2009/07/negros-e-macacos.html
Obrigada!
PS: Amo o Wagner Moura, meu conterrâneo. Assino embaixo de tudo q ele disse nessa carta aberta!
Tô tão pasma que nem sei o que comentar … a humanidade tá perdida cara. De vez …
Alguém parou pra ler os 400 comentários? Um pior que o outro. Eu não sei como, mesmo, alguém para pra escrever um texto daquele, ou alguém que para pra comentar algo pior. É bem naquelas, quando a gente acha que não pode piorar … igual no post do lingerie day, era cada comentário que eu não sei mesmo o que fazer.
Sei lá, chego a desistir as vezes …
Deborah — hahaha teu amor é correspondido, Deborah!
Nossa, na Reuters os caras (a redação era majoritariamente masculina) tb adoravam o CQC. E eu tinha que ouvir tosqueiras todo dia — tipo que “tem mulher que gosta de apanhar” enquanto passava uma matéria sobre violência doméstica na TV. Total desrespeito inclusive com as mulheres que trabalhavam ali, né?
E eu quase nunca conseguia responder essas coisas da maneira como gostaria. Primeiro, porque essa questão da violência doméstica é muito cara para mim — minha mãe passou por isso, tenho tia que passou por isso. Então eu nem sempre mantinha o distanciamento necessário para dar uma resposta classuda. Minha vontade era mesmo falar “ok, então vamos amarrar a SUA mãe ou a sua filha num tronco, bater nela e depois perguntar se ela gostou”. Meu ímpeto era baixar o nível mesmo. Mas aí, como eu tinha de manter o emprego e o meu chefe era quem soltava a maior parte das pérolas, eu ficava quieta.
Mas enfim. A minha conclusão é que, para quem arrota senso comum, CQC é super inteligente mesmo.
Sheila — Adorei teu post.
Caio — Olha o clichê aí, gente!
Os “politicamente corretos” não são uma entidade homogênea nem um partido conspirando para tirar nada de ninguém, viu, chuchu? Pare de transformar quem discorda de você em “Outro”.
Ademais, liberdade de expressão não é liberdade de ofender. Fosse assim, não teríamos uma constituição que prescreve (pelo menos no papel…) que ninguém deve ser discriminado por cor, sexo, etnia, etc. Fosse assim, não existiria o direito a processos por calúnia e difamação. Fosse assim, não existiria a lei Afonso Arinos.
Não é uma questão de moralismo, mas de RESPEITO. Vamos analisar as coisas aqui? Você está defendendo um cara que chamou jogadores negros de macacos e quem se orgulha de ser negro de “idiota”. E quem é nojento e anti-ético somos nós, por reclamar do racismo dessas declarações?
A tentativa de silenciamento tá do seu lado, honey. Esse papinho cor-de-rosa de defesa da liberdade e oposição à censura não cola aqui, não. Tchau, troll.
Aline Valek – Eu tardo, mas respondo!
Eu me sinto como vc a maior parte do tempo. “Puta que pariu, como que eles simplesmente NÃO VÊEM?”. Porque até eu, que não sou nenhuma iluminada; eu, que sou tão medíocre e lesada, tô vendo! E aí me dá preguiça de me embrenhar nessas caixas de comentários, como eu disse pra Baxt. Como tb disse o Chico no vídeo, “vc fala, mas é inútil”.
Mas eu tô lendo “Pedagogia do oprimido”, do Paulo Freire. E tem um trecho muito foda, logo na introdução, sobre como cada um de nós tem um pedacinho do pensamento do opressor dentro de si. E esse opressorzinho faz com que a gente tenha medo da liberdade. E aí esse medo tem duas fontes: o medo de perder o privilégio, no caso do opressor, e o medo de perder o pouco que se tem ou pensa que tem, no caso do oprimido. Enfim, é lindo. Não sei vc já leu, se não leu, LEIA. Sério, vc vai adorar. Eu não terminei ainda, mas estou amando.
Então eu tenho procurado enxergar as coisas assim. “É o opressor dentro deles. Se a mensagem dominante é essa e, às vezes, não há contato nenhum com um discurso dissonante… Então, como uma caixa de comentários daquela poderia ser diferente?”. É claro que a gente ainda se irrita. Ainda fica com vontade de desistir de viver, como disse a Carol. Mas acho essa uma boa maneira de se reeducar a ver as coisas. O que é um processo. E o melhor disso é que a gente tb tenta ver também o opressor que há dentro da gente. Porque ele está aqui, o tempo todo.
No mais, vou comentar dois outros trechinhos:
“Como se política fosse como uma história no Power Rangers, que é só chamar o Megazord e derrotar o vilão”.
ISSO. Nossa, nossa, nossa. Melhor metáfora. Como se o nepotismo fosse desaparecer da face da terra como pó de pirlimpimpim, apenas com a saída do Sarney, né? Como se o Sarney fosse deixar de ser o dono do Maranhão de um dia para o outro. Vc lembra da campanha “Não reeleja ninguém?”. É do Tas também. Tão alienada quanto. O único raciocínio é que político é tudo corrupto, mimimi e pronto. Mais nada. Não vai além nunca.
“uma mente rasa como a desses humoristas reacionários não poderia mesmo entender. Ou se entende ignora.”
Minha aposta é que entendem e ignoram. Sempre. Não pode ser um simples caso de ignorância, no caso deles. Tem mta ignorância também, mas o que pesa mais é a defesa de privilégio. Afinal, se o discurso deles não fosse justamente este, eles não teriam o espaço que têm na mídia.
Enfim. Beijo grande e obrigada pelo comentário.
Eu li o texto desse cara e pensei no que tu disse de que as coisas não acontecem no vácuo. claro que não teria problema chamar de preto SE o mundo fosse a tal caixa de lápis de cor. A segunda coisa que pensei foi o fato de que, né, fácil falar já que não é ele o negro que sofre preconceito. só discordo de você na parte de teve alguma ingenuidade dele de pensar assim. cada vez mais me deprime esse tipo de, cof, humor.
Oi Marjorie, só passando pra dizer que sou muito sua fã (tanto que já coloquei um texto seu no meu blog, rsrsrs e só fui descobrir o seu blog bem recentemente).
Fiquei pasma ao ler o post do Nojentili (como diz a Sheila, rsrsrs) e não pude deixar de expor a minha indignação com tal fato. Será que essa realidade não vai mudar nunca? Affe.
(meus comentários são geralmente inúteis, mas eu não poderia deixar de demonstrar aqui o quanto apreciei seu texto!)
Anotada a sugestão do livro, Marj! ;D
Marjorie, não sei se você conhece, mas tem um artigo acadêmico muito interessante que bate com isso que você falou de “subjugação pelo riso”.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69922008000300007&script=sci_arttext&tlng=e
Abraços
Oi Marjorie
Olha, eu tive que respirar fundo umas 10 mil vezes para poder terminar de ler texto, ele ilustrou muito bem um livro que eu estou lendo, Killing rage-ending racism, da bell hooks. Ela diz que prefere usar o termo supremacia branca em vez de racismo porque supremacia branca engloba toda essa ideia neo-colonialista liberal de negar e oprimir a negritude e a subjetividade negra (traduções toscas detectadas) e que é muito fácil se posicionar contra o racismo quando ele envolve violência – escravidão, apartheid – mas que a coisa se torna bem mais difícil quando envolve o colonialismo enrustido, como o do texto citado.
Fora a metafóra infeliz da caixa de lápis de cor eu achei interessante a maneira como ele iguala chamar o amigo de elefante ou ser chamado de girafa a chamar um negro de macaco. Primeiro porque girafa e elefante se referem a indívidos – ele ou o amigo – não a um grupo, ao contrário de macaco que é usado para negros em geral. Segundo porque o macaco é o nosso parente mais próximo na cadeia evolutiva, para mim é como dizer que um-a negr@ é quase homo-sapiens, mas um pouco menos evoluído.
Ele também escreveu “eu sou um ser humano da cor branca, o índio vermelho, chinês amarelo, africano preto”, quer dizer ele é ser humano antes de ser branco, mas os outros são definidos primordialmente pela sua cor.
Ah, e comparar a escravidão com a exploração dos imigrantes europeus?! Pelo amor do saci-perere. Nao sei nem o que dizer.
comentário do hélio de la peña, do casseta e planeta, sobre o tema:
http://tvglobo.casseta.globo.com/helio-de-la-pena/2009/07/28/a-coisa-ficou-afrodescendente-para-o-humor-negro/
Oi, Marjorie! Recebi uma espécie de “Corrente”, divulgação ou chame como quiser que traz as seguintes informações:
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“Depois das declarações do Lula sobre ‘mulher deve ser dengosa com o seu homem, senão ele põe o cuecão e volta a dormir’…
Depois da ministra do turismo, a dona Marta Suplicy mandar a população que perde voos , ‘relaxar e gozar’…
Depois que o Renan Calheiros, usou seu dinheiro (do seu imposto, caro contribuinte) para pagar suas escapadinhas de um casamento monótono…
Depois do irmão do Lula virar apenas ‘ingênuo’, quando confabulava nos bastidores para se apropriar da grana alheia…
Depois de tanta gente ficar impune e até reeleita como o Valdemar da Costa Neto e outros…
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TEM CHEIRO DE PERIGO NO AR!!!
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Independente do partido político a que vocês simpatizem essa notícia é preciso divulgar e se indignar, pois voltar a ditadura será o fim da picadanesta altura de nossas vidas!!!
Realmente estamos sob novo AI-5, neste governo do Lula.
O Boris Casoy foi calado, despedido por ordem do Lula. Agora, o Jabor foi processado, condenado, calado por ordem do Lula. É um escândalo!!!
A imprensa divulgou a sentença que condenou o Jabor a pagar indenização pordanos morais, dois dias antes do Juiz assinar a sentença. Agora o Jabor foi calado na CBN. O Diogo Mainardi, além de processado, sofreu ameaças de morte no jornal doMR-8 (da base aliada do Lula).
Há Medida Provisória enviada pelo Lula ao Congresso, instituindo a censura-prévia aos programas de rádio e TV. CENSURA PRÉVIA inclusive aos programas jornalísticos.
Os censores já estão nomeados. São muito jovens com a participação de estudantes da Universidade de Brasília (todos Petistas é claro). Agora só faltam as torturas e desaparecidos.
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Vamos denunciar isto pela Internet e por todos os meios que pudermos. Arnaldo Jabor foi expulso da CBN!!! Por favor, repassem para todos que puderem!!! VAMOS REPASSAR!!!! NÓS BRASILEIROS E PATRIOTAS, DEVERÍAMOS SER 160 MILHÕES DE JABORES PARA GRITAR CONTRA ESSA BADERNA POLÍTICA E TANTOS DESMANDOS QUE EXISTEM NOSPODERES DA REPÚBLICA! Tem cheiro de ditadura no ar!!! Leia o comentário de Dora Kramer, Estadão de Domingo: ‘A decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabordo site da CBN, a pedido do presidente ‘Lula’ até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa e de expressão, configurando-se, portanto, um ato de censura.’ Em outro trecho: ‘Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos pelo Presidente Lulacomo desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à medida que seapresentem as oportunidades!’
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ESSE TEXTO DEVE SE TRANSFORMAR NA
MAIOR CORRENTE QUE A INTERNET JÁ VIU!!!”
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Se possível, gostaria que você enviasse a quem pudesse. Não sou partidária alguma: apenas contra quem está administrando mal os meus bens lá daquele Palácio do Governo de Conto de Fadas. Se quiser emitir opinião sobre isso, acharia interessante porque me interesso pelo seu ponto de vista. Grande abraço!!o///
[...] merece mais que isso, né? Fala aí, Marjorie! Ir aos comentários Tô copiando e colando o Cozidão da Marjorie Rodrigues que deu uma paulada no artigo tosco de um dos meninos neocools do CQC, que [...]
Marjorie, acho que o dia que vc parar de escrever aqui eu entro em depressão! Hahahahah
Me lembrei muito da minha mãe, ela foi adotada quando bebê e é mais morena que seus irmãos mais novos. As pessoas se referiam a ela como “a pretinha do Fulano(pai)” e ela se sentia mal com isso. Achava que se fosse mais branca ia ser mais “aceita”, daí ficava horas no banho se esfregando com sabão , na esperança de sair mais clara. Não ia pra aula sem guarda-chuva em dia de sol, odiava os joelhos e cotovelos mais escuros, entre outras coisas.
E o pior de tudo é perceber que ainda hj isso não foi totalmente superado…
Obrigada pelos seus textos, vc escreve maravilhosamente bem, aprendo muito contigo. Parabéns!
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Sete dicas para se dar bem no Stand-up comedy
A risonha classe média paulistana
Virou moda em São Paulo o tal do Stand-up comedy, até o Sérgio Malandro entrou nessa. Este tipo de espetáculo surgiu nos EUA, lógico, como tudo que é chique, ao menos para a classe média paulistana. De uns tempos para cá os teatros paulistanos foram invadidos por esse tipo de espetáculo, e este fenômeno já se espalha para o resto do país. A pergunta que fica é: por que a classe média de São Paulo tem tanta necessidade de rir? Claro que uma boa comédia não faz mal para ninguém, mas há pessoas nessa cidade que tem um desejo compulsivo de rir, quem mora aqui já deve ter visto gente assim. Cada vez sobra menos espaço para a reflexão, para sensações conflituosas que só o bom teatro pode proporcionar, o grande público quer mesmo é gargalhar. Para estes o Stand-up comedy está aí, mas claro, a animada classe média paulistana é exigente com o que consome, por isso os comediantes precisam se ajustar ao gosto deste público. Tenho observado via televisão e You Tube os mocinhos gozados e descoladinhos do Stand-up, e já descobri suas manhas. Assim sendo, para ser um bom comediante deste tipo de espetáculo, é só seguir as seguintes dicas:
1 – Incorpore todos os preconceitos possíveis a suas palavras e gestos, as favas com seus escrúpulos.
2 – Quando tratar de política siga sempre a crítica corrente, da mídia gorda, aquilo que alguns blogueiros chamam de PIG.
3 – Concentre as ridicularizações nos pobres, sobretudo negros e nordestinos, faça imitações grotescas e frise bem os sotaques.
4 – Convém criar tipos como faxineiras, empregadas domésticas e porteiros, pois estas categorias estão mais presentes no cotidiano da classe média.
5 – É imprescindível tripudiar em cima do presidente Lula, saliente bem o seu português, seu dedo amputado, sua origem humilde, o público irá ao delírio.
6 – Jamais faça qualquer tipo de piada envolvendo o nome do governador José Serra, sob pena de perder o emprego.
7 – Não sofistique demais suas piadas, pois seu público está ali para rir, e não para pensar.
Pois bem, estas são as dicas, se você caprichar bem pode até arranjar uma boquinha na MTV ou no CQC (Chirico O Que Custar) da Band.
Sério problema de interpretação de texto ao falar que a frase abaixo é racista.
“Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta.”
Vamos lá. Ele não disse que os outros não são seres humanos, pelo contrário. Ele disse que é branco e ser humano, e que os DEMAIS seres humanos como os índics ou africanos têm outra cor. Só isso.
Em momento nenhum disse que só ele é ser humano muito menos que só ser humano é branco.
Vamos parar de querer enxergar racismo em tudo, em cada frase ou palavra que se escreve.
Sou loira e conto e ouço piadas de loira.
Tenho amigo negro que faz piada com macaco.
O preconceito está na cabeça de cada um.
Na capacidade individual de rir das coisas e de si mesmo.
Abraços
Roberta — Ééé, “o preconceito está na cabeça de cada um”. Non ecziste. É tudo uma paranóia coletiva. Esse pessoal do IBGE, então… Tão tudo vendo coisa. Deve ser a ayahuasca.
Cappacete — esse texto é seu? Gostei!
Meu, preconceito existe e não é só de branco com preto, existe mto mais com branco doq com preto…
vcs pessoas afro descendentes são mto mais racistas q os brancos, ve se um negro fica feliz qdo um branco chega num cabelereiro onde os negros são maioria? segundo vc ve mto mais negros com loiras doq com mulheres da msm raça, eae qual a explicação? e terceiro, a merda do sistema de cotas, vcs lutaram por isso e sinceramente não sei pq, pra mim, com esse sistema vcs msm se rebaixam, afinal, faculdade soh passa quem tem capacidade, vcs buscaram cotas, sserah q vcs não tem essa capacidade? eu creio q sim, mas vcs preferiam se rebaixar.
então pensem bem antes de falar de rascimo. piadas, sempre vão existir se vc se ofende, saia da roda ou não leia.afinal eh como o danilo falou no blog, chamar de viado, burro, elefante td bem, mas macaco não pode?
larguem mão e mude a cabeça de vcs, se toda vez q isso acontecer vcs se ofenderem, dae eh q não vai mudar em nada.
Lamentável o nível da classe média brasileira, mormente a paulistana.
As mudanças políticas e sociais no Brasil têm que acontecer à revelia dessa gente. Eles se aliam com a elite branca e racista, sempre.
Quanta hipocrisia.
Sem comentários.
Vou te dizer, Marjorie, adoro teu blog porque você sempre vai no âmago da questão. Brilhante texto.
O texto do Tulio também foi perfeito.
A Roberta foi a única que teve aulas de português aqui e conseguiu entender a frase do Danilo?
Quanto ao Lapena…sem comentários…vejam a imagem
http://img291.imageshack.us/img291/1134/202854694a8c4038c6ef515.jpg
Nossa, quantos comentários carregados de ódio aqui. Como se o Danilo Gentili fosse o culpado por todo o preconceito que há contra os negros no Brasil. Não concordo com quase nada aqui escrito e nem com a autora Marjorie, Aliás no seu texto vc defende que o Danilo falou o que disse pois não é negro e nunca sofreu na pele o preconceito. Uma pergunta vc é negra?
Att,
http://twitpic.com/c2sd9
Danilo Gentili wins.
André — oi? Me mostra onde é que eu culpo o Danilo individualmente pelo racismo no Brasil? Hello, né, querido? Fosse assim tão fácil, eu estaria é feliz. Era só esperar o Danilo morrer e pronto.
Não sou negra. Por isso mesmo não acho que estou numa posição de autoridade, como se eu devesse ditar aos negros quando eles podem se ofender ou não. E é isso que o Danilo tentou fazer em seu post. De todo modo, ser negra ou não ser negra não invalida o meu discurso. Por acaso eu tenho de ser homossexual para criticar os prejuízos da homofobia? Não. Não sofro na pele, nunca poderei saber, mas posso estender o meu olhar para quem sofre com isso e ouvi-lo. O que é muito diferente de dizer que ele não deveria se ofender já que “poxa vida, eu também já fui chamado de girafa, bobo e feio na infância! Eu posso me casar oficialmente, levo vantagem no mercado de trabalho, não corro o risco de levar porrada na rua e ser parado em blitz sem motivo, mas, eeeeei, já fui chamada de bobo e feio!!! Então estamos quites!”. Entendeu a diferença?
Outro aspecto importante (que a Paola já apontou aí em cima) é que “girafa” não é um xingamento associado historicamente a um GRUPO que sofre discriminações efetivas (renda, escolaridade, etc), mas a indivíduos. Ser chamado de girafa não implica nenhum malefício concreto ao Danilo. Já os negros são um GRUPO discriminado econômica e socialmente. “Macaco” é um xingamento estendido a negros em geral. Girafa não. Então, na boa, comparação esdrúxula FAIL.
Douglas – leia o comentário do Victor, acima. Danilo associa cores a etnias (japonês, índio, etc), mas a cor branca ele associa a ser humano somente, não ao europeu. O que evidencia uma visão eurocêntrica do mundo. Você deve saber que, no século XIX, havia toda uma série de teorias pseudocientíficas destinadas a provar que o europeu era “mais evoluído” do que os outros povos, não? Embora isso já tenha sido refutado, a influência dessa visão persiste. Tanto que é costume chamar os negros, não só aqui no Brasil, de pessoas “de cor”. Como se branco não fosse uma cor. Como se branco fosse neutro. Outro exemplo? Nos EUA, há todo um bafafá em torno da nomeação de Sonia Sotomayor para o cargo de chefe do departamento de justiça. Tem gente que diz que, por ser latina e mulher, Sotomayor terá uma conduta enviesada. Só que, antes dela, todos os que ocuparam o cargo eram homens e brancos. Por acaso o fato de ser homem e branco não implica também um viés? Para essas pessoas, não. Porque elas estão acostumadas a enxergar o branco como neutro. Pense nos comerciais, filmes, novelas. A maioria deles só tem personagens brancos. E a maioria das pessoas nem repara, acostumada que está. Agora, coloque um negro no meio. Ou faça um comercial só com negros. Aí as pessoas tendem a perceber mais.
Enfim. Gentili, talvez sem perceber, cai neste erro. Associando “branco” a ser humano e as demais “cores” a japonês, índio, negros, ele está definindo somente OS OUTROS por sua etnia e cor. Ele não. Ele é mais do que isso. Danilo não é o primeiro a cometer esse erro nem será o último. Nós só estamos colocando as coisas em contexto aqui. Não é uma questão de língua portuguesa, mas de história.
Douglas e Alan — Ai, não tenho o menor saco para maniqueísmos. Coisa de criança isso. Então, porque o Helio de la Pena já fez piada racista, o Danilo vence? Toda e qualquer crítica ao Danilo perde a validade? Taí mesmo a mentalidade CQC “power ranger versus megazord” que a Aline Valek mencionou.
Os dois fazem piadas racistas (e homofóbicas, machistas, gordofóbicas, etc etc etc). Ninguém ganha, queridos. Só quem perde são os negros. E os gays. E as mulheres. E os gordos. Etc etc etc.
Marjorie, como disse antes estava me referindo à alguns comentarios e seu texto tb….não quis dizer que foi vc quem acusou o Danilo de ser o principal responsável. Mas enfim, li outros comentários desse blog e gostaria de te perguntar outra coisa, já que vc ficou toda na defensiva com mneu comentário.
O que essa parte do texto:
“Nossa, na Reuters os caras (a redação era majoritariamente masculina) tb adoravam o CQC. E eu tinha que ouvir tosqueiras todo dia”
difere do comentario do Danilo, no que diz respeito à preconceito ??? Quer dizer que eu homem que sim assito CQC sou tosco e só sei falar besteira ???
No mesmo texto vc fala sobre o senso comum, como sendo a super cool e diferenciada do outros mortais….
Em nenhum momento estou defendo o Danilo ou o CQC até porque eles são grandinhos e podem se defender, mas criticar e rotular aos que assistem o programa é sim um preconceito, e me desculpa o fato de vc não ser negra sim invalida o seu argumento, afinal vc utilizou isso para criticar o Danilo. Vc pode elocubrar a vontade, mas nada além disso, ou senão ele tb pode….e antes que vc ou alguém me critice por estar aqui (afinal não sou legal, inteligente, não assito documentario iraniano sobre o pé, não assisto cinema mudo suéco, nem sei sobre o ultimo cd da menina de 13 anos que é o novo sucesso da MPB) prometo postar esse comentário e ir embora, só cheguei aqui pois tinha um link no blog do LaPena e não resistir a fazer meus comentários, mas sei que não pertenco a esse mundo e nem tenho paciencia pra ficar aqui, aliás sugiro isso pros descolados daqui…não precisam seguir ninguem que vcs não queiram no twitter, não precisam ir assitir aos Stand_up aqui em são paulo, não precisam assitir ao CQC, não precisam fazer os progamas da classe média paulistana (alias mais um comentario com preconceito esse tb). Vou citar aqui um “poeta cool” (pra fazer uma média com o publico do blog) Raul Seixas: “faça o que tú queres pos é tudo da Lei”….
Tiger — nossa. Não tome como ofensa, mas o teu problema é ignorância. Falta de conhecimento histórico e sociológico mesmo. É o grande problema da maioria das pessoas, quando elas começam a discutir racismo.
Neste post, eu deixei vários links que explicam por que o Danilo está errado. Que contextualizam a questão. Tem links tanto ao longo do texto quanto depois, no “leia também”. Tem texto, tem foto, tem documentário. Este post é completamente não-linear. Se vc abrir link por link e conferir tudo, lá se vão algumas horas. Este post é feito para ser lido inteiro, link por link. É um monte de material — e boa parte desse material ensina o beabá do racismo.
É por isso que o post se chama “cozidão”. Porque o texto do Danilo demonstra que ele não tem esse beabá. E muita gente não tem mesmo. É justamente este o problema: querer discutir história e sociedade sem fundamentos básicos de história e sociologia, só com achismo. Então, eu fiz esse “cozidão” justamente para dizer: taí. Se REALMENTE se interessam pelo assunto, separem um tempinho para ler, pensar, refletir, aprender sobre. Porque isso faz bem pra todo mundo.
Este post é justamente para pessoas como você.
Marjorie, daonde surgiu tão de repente esse ataque de gente preconceituosa e rasa ???
Como disse um rapaz lá em cima, estou sentindo vergonha da “elite pensante” brasileira!!!
Quanto ao Helio de La Pena: percebe-se claramente que ele utiliza um mecanismo de defesa do ego: a identificação com o agressor. É mais fácil aceitar a discriminação e até fazer piada disso, do que lutar contra todo um sistema opressor e racista.Mas DUVIDO que lá no âmago dele, ele ache alguma graça nestas piadinhas.
A propósito (se isso muda alguma coisa, creio que não), não sou negra.
agora meu post também virou ponto de encontro da turma do “é só uma piada”… sério, eu desisto. macaco é só uma palavra e uma pessoa alta ser chamada de girafa é tão insultante quanto comparar um negro e um macaco =(
e quanto às tais piadas do de la peña, não acho que isso mude o fato de que o gentili cagou no pau. na pior das hipóteses, cagaram os dois.
Não só foi preconceituosa como também racista, a tal piadinha do Gentilli.
Primeiramente porque associa a imagem do homem-jogador-negro à de um macaco, no caso, o King-Kong – E não adianta ele querer corrigir depois, dizendo que não mencionou a cor do jogador da piada. Ele foi idiota e infeliz, e: ou subestimou a capacidade de compreensão dos leitores, acreditando piamente no poder da piada passando por cima do politicamente correto, ou brincou e não pensou(e são nessas ‘gafes’ mal pensadas que conseguimos captar muito do que a pessoa realmente acredita e pensa). Não sei. Mas foi racista.
E preconceituoso, porque quem o homem-negro-macaco pensa que é, hein? Jogador de futebol? Pois somente um negro-jogador-de-futebol conseguiria pegar uma loirona gostosa.
De qualquer forma, não adianta ele se incomodar com as consequências da piada-absurdo. Qualquer pessoa que viva no anonimato corre o risco de levar uma chuva de emails em protesto, caso lance uma dessas… Imagine ele, sendo a figura pública que é.
Quer saber…CALA A BOCA, GENTILLI!!!
Bruno — nossa. MUITO OBRIGADA MESMO. Vc não sabe o quanto eu estava procurando artigos nesse sentido. Vou ler e depois te mando um retorno por e-mail, tudo bem?
Carol — Até que vindo de um cara da trupe do Casseta e Planeta, o texto não está tão ruim, né não?
Paola — Ok, sobre o livro da Bell Hooks: EU QUERO. Agora! E, sim, a desonestidade retórica tá justamente aí. Comparar um xingamento bobo, individual, que não acarreta nada, com outro, que historicamente é utilizado para justificar a escravidão, o genocídio, a discriminação. Chega a ser risível o argumento: “girafa e macaco são a mesma coisa porque são todos bichinhos! Aliás, prefiro ser chamado de macaco porque ele é mais fofinho”. Tenha dó, né? Para uma coisa eu tiro o chapéu: é preciso mesmo muita coragem para publicar um negócio desses.
A comparação com os imigrantes europeus, pelo visto, é mais frequente do que eu imaginava. Tem uma menina no doc “café com leite” que fala justamente isso. E dá vergonha alheia, cara. Como que a pessoa quer comparar séculos de escravidão com os italianos que vieram por livre e espontânea vontade (dentro de uma política oficial de BRANQUEAMENTO DA POPULAÇÃO, diga-se de passagem)? Ainda por cima, muitos dos imigrantes italianos ganharam terras — e, se não ganharam, começaram a prosperar a partir da segunda geração (enquanto que, com os negros, isso não acontece).
Enfim, um comentário desses demonstra ignorância histórica, só isso. Se a família do Gentilli é mesmo tão ligada às raízes a ponto dele se dizer “italiano”, então FAIL. Porque nem a própria história ele conhece direito.
Galera, essa evidenciação da “visão eurocêntrica do Danilo” é furada. Vejam: “Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta.” Neste caso, alguns aqui estão vendo problema onde não existe. Não há nenhuma visão eurocêntrica nisso. A forma como a frase é construída é que confunde a cabeça de alguns, mas o que vejo ali, é apenas um recurso de linguagem. Ele não precisaria escrever “ser humano” em cada fragmento da frase, pois o mesmo está subentendido em todas as passagens. Língua Portuguesa.
Carol– Argh, uma pena isso. Porque o seu post tá foda. Não levá-lo em consideração é não querer ouvir, mesmo.
E, como eu disse num outro comentário: cagaram os dois. Ninguém ganha. Só quem perde são os negros.
Sheila — E olha que eu não estou aprovando boa parte dos comentários, héin! Esses que estão aqui é só porque eu sou generosa e acho que o maior mal é a ignorância, não a grosseria.
Pelo visto o meu post (e o da Carol) foram jogados em algum fórum do tipo “I love CQC forever”, sei lá. Porque eu desaprovo uma leva de comentários e vêm outros 5, só nesse intervalo. A quantidade de troll vindo aqui só pra defender o ídolo não tá escrito.
Vai TU-DO-PA-RA-O-LIM-BO.
Para os Gentilli lovers, aqui, ó: http://marjorierodrigues.wordpress.com/esta-nao-e-a-casa-da-mae-joana/
Alem da piada, o pior foi a explicacao dele.
Aonde que eh “normal” chamar gordo de baleia e gay de viado?? Ate onde eu saiba, isso eh ofensivo, e sempre usado em contextos ofensivos. Esse texto dele foi tao ruim, mas tao ruim, q deu ate preguica de ler ate o final.
É…o tema é polêmico…é necessário debatê-lo mesmo. Quem dá mais, quem dá mais?
Minha opinião é a de que o negro sofreu e sofre sim preconceito de todas as formas na linha do tempo. Sim, isto é indiscutível. É preciso sim criar mecanismos pelos quais os negros sejam recompensados, por isso, sou a favor das cotas. Agora, o negro assumir uma condição racista (o que está inconscientemente presente em muitos negros) em resposta ao preconceito que sofreu também é algo tão repugnante quanto o preconceito inicial que sofreu. Acho que é impossível se desvenciliar completamente das questões hisóricas, mas o prorrogamento de algumas questões é algo que perpetua os problemas e é um passo contrário na redução e por fim extinção de qualquer forma de preconceito, pelo fato de ficar remoendo isso na cabeça das pessoas que são alvo de tais práticas. Apenas uma opinião, me critiquem.
Jen — Pra vc ver. No mundo dele, ofender os outros é super normal. Ele só não tem ofensa na manga para homens brancos, heteros e de classe média/alta. Porque será, né?
André — Respondendo às suas perguntas:
1) Não. Vc leu o post da Deborah que eu estou respondendo? Ela disse que trabalha numa empresa com vários homens que gostam de CQC e consideram o programa “inteligente” — mas esses mesmos homens dizem várias frases não-inteligentes e preconceituosas. Tipo: “mulher gosta de apanhar”. E aí eu respondi à Deborah, dizendo que eu também já trabalhei em um lugar com pessoas assim. Só isso.
De todo modo, mesmo que eu tenha preconceito contra “homens que gostam de CQC”, este preconceito não se transforma numa discriminação EFETIVA. A tua vida não muda porque eu torço o nariz para você e o que vc assiste ou deixa de assistir. Já os negros levam a pior no mercado de trabalho, na preferência quando o assunto é beleza, nas universidades, em termos de renda, mil etceteras. Quando alguém reduz o grupo dos negros, comparando-os a animais (menos que seres humanos), está reforçando o preconceito que dá origem a essas discriminações. Entendeu? Preconceito sozinho é só preconceito. Preconceito num contexto de discriminação é outra coisa, bem mais grave.
2) quando eu falo em “senso comum”, não é que eu seja iluminada. É que existe essa diferença — entre senso comum e discurso acadêmico. Só isso.
3) Pelamordedeus, vc leu o meu argumento inteiro? Releia. O fato de eu não ser negra não invalida o meu argumento — porque eu não estou querendo ditar aos negros como se portar quando se sentem vítimas de racismo. Ao contrário do Danilo.
Toda e qualquer pessoa pode criticar as discriminações, faça ela parte do grupo discriminado ou não. Isso é completamente diferente de dizer: “os negros não deviam se ofender com isto e com aquilo, eles deviam agir de tal maneira. Se não agem como eu penso que devem agir, então são uns idiotas”. Se eu estivesse dizendo isso (como o Danilo está), aí sim o meu argumento seria inválido. Porque, se eu sou branca e nunca vou sofrer com o racismo, quem sou eu para me colocar numa posição de autoridade, como se coubesse a mim determinar como os negros devem se portar diante disso? Entendeu agora? Porque, sem querer ser grossa, mas depois disso, só se eu desenhar.
4) Traduzindo sua última frase: “ignore, mas não critique”. O que, meodeosdocéu, é horrível.
Olha, eu já não assisto ao CQC nem sigo ninguém no twitter — até porque eu não tenho twitter. Isso porque eu não quero. Não porque quero pagar de pseudointelectual ou de qualquer outra coisa. Aliás, valeu pela contradição, ao reclamar do preconceito contra “caras que gostam de CQC”, mas se apressar a me classificar como a “mocinha que gosta de cinema mudo iraniano”. Vc tirou isso de onde mesmo? Ah, foi puro pré-conceito, por conta da maneira como eu escrevo? Pois é.
Eu (e qualquer outra pessoa) temos todo o direito de pensar e criticar o CQC e o que acontecer no twitter, se a gente assim desejar. E isso é ótimo. Sabe por quê? Porque pensar, criticar e dialogar é o que nos torna humanos. É o que faz a humanidade avançar, meu caro. A gente tem cérebro pra isso. Se ignorarmos tudo, feito autistas, nada muda nunca. Não saímos do lugar.
De todos os trolls que entraram aqui pra passar vergonha, o que mais me impressionou foi o Tiger, atacando o sistema de cotas (entre muitas outras coisas que ele ataca sem saber). Eu adoro essa frase “Só entra na universidade quem tem capacidade”. Aí eu fico imaginando: se o Tiger conseguiu entrar numa universidade, tem alguma coisa muito errada com o sistema. Se o Tiger não conseguiu entrar, é por isso que ele tá se mordendo de raiva do sistema de cotas? É mais fácil culpar o sistema de cotas que reconhecer a própria ignorância, né?
Não entendo como “humor inteligente” agora significa fazer piada com negros, mulheres, portadores de deficiência, gays, judeus…sair ofendendo a todos a torto e a direito , e depois simplesmente fazer beicinho e dizer “aaah, mas a ofensa só tá na sua cabeça…”
OK, Marjorie, eu aguardo seu retorno então. Acho que você vai gostar muito do artigo. Para mim foi uma leitura bastante enriquecedora.
PS: Talvez muitos desses trolls tenham vindo lá do twitter. Seu post tá fazendo um sucesso danado lá.
aliás, vários posts seus andam rodando pelo twitter.
Carol — Que bom que eu não tenho twitter, então. Devem estar xingando até a minha mãe por lá.
Marjorie, eu acho que você deveria estar no twitter. (Deosdoceu, de onde surgiu tanta gente tosca aqui?)
na verdade, os posts que eu vi eram elogiosos. eram todos sobre algum post da série “assvertising” (aliás, acho que você poderia criar uma categoria só pra eles, não? fica mais fácil pra quem se interessar e quiser ver outros).
Carol — Pois é. Esse blog é muito desorganizado mesmo. Eu teria de dar tags pras coisas e separar direitinho, etc. Mas e a preguiça?
eu me lembro da escola muito bem. e macaco, macaco! Que escola esse cara estudou onde era “a mesma coisa” chamar magrelo de salsicha e negro de macaco! Me avisem pra eu passar longe.
Tanto me lembro que fiz este post a um tempo atrás já
http://pensamentobarbudo.wordpress.com/2009/04/16/ele-queria-ser-cor-de-pele-ou-quando-o-racismo-mora-ao-lado/
Abraços Marjorie, adoro seu blog.
Marjorie,
Vasculhando um blog antigo do Danilo Gentili, veja o texto que eu encontrei: http://danilozero.zip.net/arch2004-07-01_2004-07-31.html
O texto é “Sou da Paz…Eles Não” (não deu pra pegar o link só do post)
É impressionante. Além dos clichês anti-racistas, ele abusa dos clichês fascistas anti-violência.
bjs
parabéns pelo blog
ops
onde está “clichês anti-racistas”, lê-se “clichês racistas”
Marjorie, foi um grande prazer acabar sendo remetido a este seu blog neste período que hoje destinei ao que chamo de “vadiagem e reflexão on-lines”. Vc está de parabéns, excelente escrita acompanhada de uma ainda melhor consciencia e contextualização social/histórica/antropológica dos fatos.
Quanto a questão em cerne, deixe-me antes fazer uma rápida apresentação:
conheço o Gentilli (via youtube, apenas, é verdade) desde tempos mais remotos que o próprio CQC. Curtia seu trabalho e seu tipo de humor – claro que sempre há aquela piada que não achamos graça, mas no geral o considerava o melhor comediante de stand-up (tá, admito que também não conheço todos). No CQC – programa ao qual assisto e gosto bastante (também em termo de análise de saldo positivo x negativo), a ponto de talvez considerá-lo o melhor programa da televisão aberta brasileira (junto com o Jô, será?!) – o Gentilli é o integrante que prefiro.
Não concordo com o comentario que o CQC tem uma filosofia Power-Rangerista da vida: tanto que na minha visão o ponto forte do programa é o denuncismo/ativismo político sem rabo preso(?). Não sei se vc assiste ao programa, mas se sim, há de concordar que determinados quadros como o Proteste Já e o CQC no Congresso são extremamente positivos e importantes para a sociedade e para a consciencia da vida civil, apesar da veia comica.
Voltando: não é porque o problema não é só o Sarney, ou porque sua fonte de poder não assenta apenas no cargo que ocupa, que eu vou dar as costas entao para isso e esquecer, preferindo ignorá-lo e nada fazer – a final, não é exatamente disso que trata esse post? Não dá mais para assistir passivamente… É melhor fazermos algo, qualquer coisa que seja, do que ficar parado.
Mas enfim, não estou aqui para fazer propaganda pró CQC nem nada disso. O assunto é outro…
Pois bem, como já disse, gosto do Gentilli, mas não a ponto de acompanhá-lo no twitter, no orkut, ou qualquer outro tipo de idolatria. E portanto acabei sabendo desse bafafa por outros meios. São minhas considerações, em tópicos:
– o que não foi o caso da referida piada.
- Gentilli perdeu a mão na piada, acredito que sem a intenção de ofender – necessidade de fazer o público rir ou subjugação pelo humor? tendo mais a crer na primeira opção
- Piorou a situação com as explicações e defesas estapafúrdias, causadas talvez pela pressão em que se encontrava
- Não creio que seja normal ou legal fazer piada que venham ofender outros seres humanos – principalmente negro, gay ou deficientes, grupos que são sabidamente ofendidos e marginalizados.
- Por que essa necessidade de rir dos outros e ridicularizá-los?
* – Não posso também ser hipócrita e dizer que não rio de algumas: mas tudo depende do conteúdo e da construção intelectual da mesma
*2 – Mesmo essas piadas que acabo rindo, se as julgar ofensivas após exercício de reflexão, não as transmito a outros… Seria bom se todos fizessemos isso.
- Mas nao concordo com a leitura deturpada que fazem da frase “sou um ser humano da cor branca, o indio vermelho, o japones amarelo etc”. Aí não vi nada de euro ou etnocentrista. Interpreto como: o indio é também um ser humano da cor vermelha, o japones um ser humano da cor amarela e bla bla bla.
- Achei exagerado, contudo, o rumo que a história tomou: a piada foi de mal gosto, ponto. Mas foi racista? Ou apenas resultado de um senso comum deturpado?
- E o Gentilli, o indivíduo, é racista?
- Por puro e simples exercício de observação, não acredito que o Gentilli o seja.
- Não sei se já viu o rap anti-Gentilli que foi postado no youtube, mas que já foi retirado do ar. Continha frases ameaçadoras e montagens do Gentilli com o bigodinho hitlerista e roupas do KKK. Achei isso desnecessário e uma tática errada de combate.
- A melhor forma para acordar as pessoas para esses problemas é atraves de informação e eduacação, e não porrada ou ameaças. Às vezes é pura ignorância mesmo.
- Fico estupefato com a inversão dos fatos que as vezes lemos em comentários por aí. Fruto da ignorância ou da crença da superioridade branca?
- Nossa sociedade brasileira é de fato muito preconceituosa: isso fica mais evidente através da internet, onde todo mundo é corajoso
- Sou branco, magro, heterossexual, classe média carioca e estudo direito numa universidade pública. Isso me tira legitimidade para querer que todos vivamos em uma grande caixa de lápis de cor?
- Sou contra a reserva de cotas.
- E a favor da renúncia coletiva do Senado.
Arnaldo — O texto estava me dando raiva, mas aí eu olhei para a barra lateral do blog e comecei a rir. Olha QUEM ele tinha em seu blogroll! HAHAHAHAHAHA
Daniel — Vou por tópicos.
# “Não sei se vc assiste ao programa, mas se sim, há de concordar que determinados quadros como o Proteste Já e o CQC no Congresso são extremamente positivos e importantes para a sociedade e para a consciencia da vida civil, apesar da veia comica”.
Eu acho essa crítica MUITO superficial, Daniel. Proteste já? Contra o quê? De que maneira? Quando os estudantes da USP se mobilizaram e fizeram uma manifestação pacífica na avenida paulista, o Marcelo Tas disse que eles deveriam levar bala da polícia. Quando a Juliana Paes acionou a justiça para protestar contra uma coluna que ela julgou ofensiva, Marcelo Tas disse que mulher que faz da bunda o seu logotipo deveria ficar quieta. Então, o que é “proteste já”? Que tipos de protesto valem? Só vale protestar individualmente, pedindo para um programa de TV resolver as coisas para você, no maior estilo paternalista? Ora, isso não é ensinar a fazer política. Isso é reforçar a imagem (alienada) de política que muita gente já tem.
Sobre o Congresso: reforçar o clichê “político é tudo corrupto” é alimentar a desesperança e misantropia e, consequentemente, a alienação. Tipo: “se político é tudo corrupto, pq eu devo me importar com isso? Quando eu quiser ou precisar de alguma coisa, vou pedir para um programa de TV me ajudar. Já que eu, como povo, não posso fazer nada”. Sorry, essa já é a mensagem de todo programa de TV. O Luciano Huck faz a mesma coisa, pelamordedeus. Não vejo nenhuma inovação aí. Não vejo nenhuma crítica mais aprofundada.
# “o ponto forte do programa é o denuncismo/ativismo político sem rabo preso(?)”; “É melhor fazermos algo, qualquer coisa que seja, do que ficar parado”.
Ativismo político? Como se dá essa “atividade”? Eu só vejo o denuncismo pelo denuncismo. E é aí que a gente discorda: que vale “qualquer coisa que seja”. Eu não acho que vale qualquer coisa. Dependendo do que for, até atrapalha. O que o CQC faz não adianta absolutamente nada, dado que não contextualiza nenhuma crítica e só estimula a mobilização coletiva se ela for mobilização “de sofá”. É fácil “protestar” com um topicozinho no Twitter, né? Sendo que boa parte dessa galera nem sabe direito quem é o Sarney. Ou pede para sair todo mundo do Senado e não sabe dizer quem é que está no Senado.
Sobre o Gentili em si:
# não importa se ele tinha ou não a intenção de ofender. O que importa é que ofendeu. Metade da mensagem é feita pelo receptor. Se o receptor entende a mensagem de uma maneira não intencionada pelo emissor, a mensagem tem falha. Ponto. É semiótica isso aí.
# Concordo contigo que a emenda saiu pior que o soneto. Teria pego menos mal para o Danilo se ele simplesmente se desculpasse publicamente. Seria até melhor para a imagem dele, afinal. Mas aí ele ficou com orgulho bobo. Coisa de menino mimado que não aceita críticas. Pior pra ele.
# A frase do “ser humano branco” realmente tem duas leituras. Tem gente que vê eurocentrismo, gente que não vê. Mas eu acho que, num texto com tantas outras frases racistas, uma frase dessas acaba reforçando a mensagem eurocêntrica por tabela. Mesmo que seu sentido não fosse esse originalmente.
# Se Gentilli, o indivíduo, é racista, não importa. Isso é uma não-questão. Nós vivemos em um MUNDO racista. Numa cultura racista. E taí o maniqueísmo power ranger que a gente tava falando. As pessoas falam como se existissem pessoas racistas e não racistas. Ora, todo mundo nasceu e cresceu numa cultura racista. Então todo mundo corre o risco de reproduzir idéias racistas, portanto. Você pode ser não-racista hoje e racista amanhã. Não é maniqueísta a coisa. Você pode ser um negro racista. Porque é a cultura que vc aprendeu.
Eu não posso agir como se eu tivesse nascido no vácuo e nunca fosse ser racista. Porque isso não existe. Mas eu posso reconhecer que essa cultura é nociva para os negros e tentar me reeducar — para que isso, um dia, deixe de existir. O Danilo, pelo visto, não quer se reeducar. Não quer largar mão de suas piadinhas sem graça para respeitar os outros. O que é uma pena.
# Não ouvi falar do tal rap do Gentili. Sou meio autista com esses negózdi internet.
# “Sou branco, magro, heterossexual, classe média carioca e estudo direito numa universidade pública. Isso me tira legitimidade para querer que todos vivamos em uma grande caixa de lápis de cor?”
Não. Eu também sou (considerada) branca, sou hetero, estudo na USP e gostaria de viver em um mundo de lápis de cor. Só que esse mundo (ainda) não existe. O foda do texto do Danilo é que ele trata o mundo como se JÁ FOSSE uma caixa de lápis de cor, em que ser branco ou negro não importasse nem um tiquinho. Como se a cor da pele não tivesse consequência nenhuma, hoje. O que é uma puta ingenuidade. Querer um mundo de lápis de cor é uma coisa, falar que a gente vive em um é outra.
Ufa! Acho que acabei. Abraço!
Então, Marjorie, mais uma vez, vamos por tópicos!
- Começando pelo tema CQC. Antes, só uma obs: longe de ser minha intenção fazê-la assistir ao programa e tornar-se fã de carteirinha do Marcelo Tas – mas gostaria apenas de esclarecer alguns pontos para que nós, que assistimos ao programa, não sejamos tachados (preconceito? rs) por bocózinhos power rangers rs!
* Vc não disse se já assistiu ou não ao programa. Mas pelo que afirmou, desconfio que não, pois parece não saber muito bem do que se trata os quadros que citei… Vale a pena dar uma olhada nos seguintes vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=nrHa_O-haa4 –CQC Teste de Qualidade no Congresso
http://www.youtube.com/watch?v=SX8fdpXknoE – CQC no Congresso “Recesso Branco”
http://www.youtube.com/watch?v=TeHxd4Vm4bI – CQC no Congresso “Farra das Passagens”
http://www.youtube.com/watch?v=v3YStJapbUE – CQC Proteste já “Kits Escolares”
http://www.youtube.com/watch?v=AF-elddfqoI
http://www.youtube.com/watch?v=dnkAxQ8Ijc0 – CQC Proteste já “Extravio de Bagagem” parte 1 e 2
http://www.youtube.com/watch?v=Sfxgk0uHSAE
http://www.youtube.com/watch?v=Xd_hbBDLhJ4 – CQC Proteste já “Hospital de Ibiúna” parte 1 e 2
* Sei que o CQC não é o programa ideal, até mesmo pela necessidade de se encaixar no rótulo de programa de humor e ter que existir sempre uma piada, o que as vezes resulta em não tratar de forma mais séria alguns assuntos que mereciam sê-lo. Porém, como diz meu pai, “o bom é inimigo do ótimo”. Ou seja, mil vezes fazer algo bom do que esperar eternamente pelo ótimo inatingivel. E do jeito deles, por mais imperfeito que seja, estão acordando uma parcela da população para as questões políticas e sociais. É mais ou menos a mesma coisa que dizem os críticos literários da série Harry Potter: pode não ser um Shakespeare, mas se fazem as crianças tomarem gosto pela leitura – para quem sabe um dia chegarem a tirar um Shakespeare da estante -, já é algo elogiável…
* Parece que ainda acreditas nos nossos políticos. Eu confesso que acho que já praticamente perdi as esperanças – talvez com algumas pouquíssimas exceções ainda. Mas longe de isso resultar em mim numa preferência pela alienação ou pasmaceira, no melhor estilo “se político é tudo corrupto, pq eu devo me importar com isso?”. Longe disso: isso fez e faz com que eu me torne cada vez mais ativista, querendo mudar o estado das coisas! Não consigo mais aturar os parlapatões que ficam a deblaterar em rede nacional, em solo que deveria ser sagrado – o Senado.
* Se tiver assistido aos vídeos acima, verás que os homens de preto (CQC) vão ao encontro dos detentores do poder, questiona-os e dão espaço para resposta. Isso, no meu modo de ver, é ensinar ao povo alienado que a participação política se dá por meio de cobranças e não isolamento.
* O fato de ser um programa de tv a fazer essas cobranças não é, a meu ver, algo negativo apenas por “ser um programa de tv” . Até porque não há como negar o poder que a imprensa e a mídia tem, infinitamente superior ao de um indivíduo isolado. A camêra na mão faz milagres! Ela é o instrumento do cidadão de publicizar os problemas que percebe na comunidade.
* Discordo também quando diz que o estilo do CQC é “reforçar o clichê ‘político é tudo corrupto’”. Como pôde ver nos vídeos, eles vão lá cobrar e questionar, mas abrem o espaço para resposta – há respostas coerentes e outras absurdas. Apenas os das respostas absurdas (estilo “iria sentir tantas saudades da minha esposa, que tive que levá-la a França comigo”, no episódio conhecido na mídia como “farra das passagens”) são taxados de corruptos ou coisas semelhantes. Acho que tem que escancarar mesmo os bastidores da politicagem porque o cidadão precisa de informação para poder votar. Você vê gente no vídeo que não tem condição alguma de estar onde está e representar o povo que o elegeu. E a culpa disso é de quem? Do próprio povo! É como disse o Tas, nós podemos mudar isso! Acho maravilhoso levar essa consciência ao povo. E são poucos os programas que tratam de tais questões desta forma (por isso disse anteriormente serem “sem rabo preso”). Ou Luciano Huck, por exemplo, faz isso?
* Político tem sim que prestar contas ao cidadão, pois é este último, afinal, quem paga suas viagens e orgias!
* Afirmo, e reafirmo: junto com Jô, são os melhores programas da nossa maravilhosa tv aberta (e por acaso isso lá é mérito?).
- Voltando à questão da piada:
* 1- Sim, ele perdeu a mão na piada. 2- Ao meu ver ela é ofensiva. 3- E sem graça!
* O histórico do humor brasileiro é esse mesmo (no tocante aos itens 1 e 2, pelo menos), infelizmente. São os Cassetas, o Chico Anysio, o Jorge Lafond, o Didi, o Dedé, o Zacarias e o Mussum.
* Por isso acho exagerado pegar o rapaz para Cristo, como se a moralidade do humor brasileiro tivesse mudado de uma hora para outra. É historicamente incoerente quererem processá-lo, enforcá-lo, esfolá-lo ou estuprá-lo agora. É o que chamamos de “segurança jurídica” no Direito, a observância dos precedentes.
* Lendo as desculpas estapafúrdias do Danilo fica para mim a sensação de que tudo aconteceu num contexto de necessidade de fazer piada (como disse o outro, “afinal, é seu trabalho, seu ganha pão”, às vezes até passando por cima de seus escrúpulos – não concordo com isso, mas fazer o que?! É o famoso perde o amigo, mas não perde a piada… Ou às vezes fala a merda sem nem se tocar que está falando, por esse senso comum já estar tão arraigado no humor brasileiro, como disse antes) e de desconhecimento e ignorância pelo assunto – se não na teoria, na prática pelo menos – e não de intenção de ofender ou por ele ser preconceituoso. E isso é, em termos legais, uma importante questão sim. É a famosa questão da culpa e do dolo…
* O problema, então, não está no Danilo, mas na sociedade.
* Assim, no fim das contas foi bom suscitar a polêmica, para todos nós acordarmos e percebermos que há (ou deveria haver) sim certos limites, até no humor.
* Os reacionários militantes da bandeira da democracia que a confundem apenas como liberdade de expressão dizem que assim, daqui a pouco não poderá mais haver nenhuma piada, uma vez que piada é mesmo ridicularizando alguém ou algum grupo. Se piada for mesmo isso, obrigatoriamente ofensiva – esse não é meu conceito de piada, mas talvez eu esteja errado -, acho que seria mesmo melhor um mundo sem elas, uma vez que elas são apenas representações culturais da identidade social e do inconsciente coletivo. Atingir um mundo sem piadas de cunho pejorativo, significaria que o ser humano não seria mais discriminatório um para com o outro. Ou seja, estaríamos todos vivendo numa grande caixa de lápis de cor! Mas infelizmente, como você mesma disse, ainda não estamos (e tenho lá minhas dúvidas se estaremos algum dia… Ô raça maldita, essa tal de humana!)
* A questão do “Sou branco, magro, heterossexual, classe média carioca e estudo direito numa universidade pública. Isso me tira legitimidade para querer que todos vivamos em uma grande caixa de lápis de cor?” não foi especificamente direcionada a você, mas às pessoas que dizem que só podemos levantar voz quando somos diretamente atingidos. Isso é de uma tremenda babaquice, além de exorbitante falta de solidariedade e humanidade… Não necessito ser um oprimido, para falar em favor dele, para lutar por ele.
Enfim, é isso…
Abaixo a todo e qualquer tipo de preconceito!
Forte abraço,
Daniel
http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2009/08/07/o-politicamente-correto-necessariamente-se-ope-ao-preconceito/
Sem mais.
L – bom, devo dizer que, de bate-pronto, não curti o “sem mais”, porque dá a impressão de um tom mei’ arrogante pro teu comentário, né? Mas oquei.
Li, discordo de várias coisas, mas, na boa, não vou falar nada. Não comento mais textos da Lu e da Aline. Depois do bafafá lingerie day, parece que toda e qualquer crítica ao que elas dizem pode (e será) encarada como um ataque pessoal. E quiçá rebatido com alfinetadinhas e indiretas wannabe espirituosas no twitter. Então me abstenho, cá no meu cantinho. Continuo apenas como leitora passiva do blog das duas. Bico fechado, vespeiro longe.
“Danilo: Antes que diga “Não devemos fazer piadas com negros, nem com gordos, nem com gays, nem com ninguém” Te digo: “Pode colocar meu nome aí nas páginas brancas da sua lista negra, mas te acho chato pra caraio”.
O estranho nisso tudo é que não existem ‘piadas de branco’…