h1

Como você OUSA não ser “feminina”?

Agosto 19, 2009

Quando eu disse que as mulheres são tratadas como um enfeite para o deleite dos homens (e que ser enfeite nos é imposto como uma obrigação), choveu gente dizendo que eu estava exagerando. E eu sei que parece exagero mesmo – até porque nem sempre (ou melhor: quase nunca) eu consigo explicar direito do que é que estou falando. 

…Pois bem, eu estou falando DISSO. Obrigada, Marcelo Coelho, por desenhar isso pra mim.

Veja que o texto não fala do embate entre Dilma e Lina Vieira. Ele apenas compara a aparência e a “amabilidade” das duas. Como se a questão fosse essa. Como se isso fosse relevante para o caso. Imagine que o bafafá fosse entre dois homens. Você acha que haveria colunas de jornal tratando a coisa por este lado? Comparando a beleza, as vestimentas, a maciez do tom de voz, a postura e o charme dos envolvidos? Não, né.  

Em vez de falar sobre como as alegações de Lina Vieira podem afetar a imagem de Dilma Roussef como candidata presidencial (que é o que realmente interessa), Marcelo descamba a falar de Marina Silva, Marta Suplicy e Heloísa Helena. O que elas têm a ver com a história? Nada. É só que ele não gosta do jeito como elas falam, se vestem e se portam. Coitadinho.

Quando a gente fala de privilégio masculino, muita gente também não entende e diz que estamos exagerando. De novo: privilégio masculino é ISTO. Por acaso é relevante quão atraente um jornalista acha Fulana de Tal ou não? Não, nem um pouco. Mas, como Marcelo embarca na idéia de que as mulheres têm de estar ali como enfeites para o seu deleite, ele se acha no direito de reclamar quando elas não estão fazendo isso. Ele se acha no direito de cobrar uma mudança.

Marcelo não vê ridículo em escrever um longo texto lamentando que as políticas não são “delicadas, agradáveis e charmosas” o suficiente para o seu gosto. Marcelo está de mimimi porque as quatro não agradam aos seus olhos e ouvidos como ele acha que elas deveriam.

Ele fala de Marina, Dilma, Marta e HH como se elas estivessem em falta. Com quem? Com a política nacional? Com o desenvolvimento do país? Não. Com a tal da ‘feminilidade’. Se é mulé, tem que ser delicadinha e bonitinha; se não for delicadinha e bonitinha, então não é mulher. É outra coisa.

Diz ele:  

“A feminilidade de Heloísa Helena é de outra ordem. A militância abafa sua identidade. Poderia ser atraente, se não se restringisse ao cabelo puxado, aos óculos, à camiseta branca. Representa, na verdade, a mesma dureza que Dilma encarna, numa versão mais burguesa. Por que, indago, não ser simplesmente uma mulher?”.

Primeira coisa que me chama atenção: quem é Marcelo Coelho na noite para saber mais do que a própria Heloísa sobre a identidade dela? Por acaso a militância não faz parte da personalidade dela? Não faz parte de quem ela é? Não é possível ser mulher e ser militante ao mesmo tempo?  E esse “atraente” aí? É “atraente” em que sentido? Político ou sexual? Se for no sentido político, então Marcelo está dizendo que os eleitores só vão votar em uma mulher caso ela varie sempre de roupa e de penteado? E, se for no sentido sexual… Bem, qual a relevância disso? Por acaso HH tem o dever de ser sexualmente atraente para ser senadora ou para tentar ser presidente? Marcelo também parece pensar que a sua idéia de “mulher atraente” é universal. Como se absolutamente ninguém na face da Terra pudesse se interessar sexualmente por Heloísa, pelo menos não enquanto ela não trocar de camisa e de óculos.

A segunda (e mais importante) coisa que salta aos olhos: o que é ser somente uma mulher, cara pálida? O que é ser mulher, Marcelo? Faltou muito responder essa pergunta. Se eu entendi bem, para você, ser mulher é ser um protótipo de Stepford Wife –  sempre impecável, cheirosa, arrumada; não grita, não reclama, não incomoda e não se incomoda. Nunca.

Por fim, cabe ressaltar que tá cheio de político (homem) feio, ríspido, grosso, mal educado, mal asseado e mal vestido. Pelamordedeus, liga a TV Câmara, né? Vocês sabem do que eu estou falando. Mas isso não vira coluna. Por dois motivos. O primeiro, já exposto, é que homem é considerado sempre sujeito, nunca enfeite. A análise de seu trabalho, portanto, se sobrepõe à análise da sua aparência. O segundo motivo é que analisar quão atraentes são os políticos homens seria dar voz ao desejo sexual feminino (hetero) e gay. E esses desejos não são retratados como a norma.

Eu não me canso de repetir isso também. Que sexualidade feminina é como se não existisse pra esse povo. Que colocar o homem heterossexual na posição de objeto a ser desejado sexualmente, e não na de sujeito que deseja, é algo considerado ridículo — e até ofensivo, se pá. Mas esta é outra coisa que nem sempre eu sei explicar bem. Então deixa eu abrir um parêntese para indicar este post da Van Prates e estes dois textos (imperdíveis!) do Sociological Images. É por ISSO que aparência de político homem é  considerada não-notícia ou notícia de mal gosto. Mas falar da cara da Dilma, das pernas da HH e do cabelo da Marina tá beleza.

PS – Repare, no trecho sobre a Marta, que a mulher não ganha nunca, viu? Se você, a fim de ser levada a sério,  decide não se emperiquitar toda, te esculacham porque você não é “feminina”. Se você atende ao chamado e começa a se emperiquitar, aplicando botox, fazendo plástica, se maquiando… Ah, aí te condenam porque você é perua! Resumindo: vão te esculachar de QUALQUER maneira.

PPS – só pra relembrar, a revista Rolling Stone fez o mesmo “como ousa?” para cantoras como Marina Lima e Ana Carolina.

78 comentários

  1. Marj,

    Já li vááários blogs – nessa semana- com discussões embasbacantes, do tipo: quem você comeria?(sim, comeria, porque nós somos comidas, né?). Dilma ou Lina?
    ___

    Semana passada coloquei um poema da Maria Rezende(http://vanprates.blogspot.com/2009/08/mais-uma-dela.html), que me remeteu automaticamente ao filme Mulheres Perfeitas. Até mencionei o filme no rodapé, inclusive dizendo que ele só é APARENTEMENTE INGÊNUO.

    =)


  2. Ai, Marjorie, esse seu texto agora foi diretíssimo ao ponto. Estou até com o estômago revirado. Claro que acho legal a mulher ser feminina, o problema é quando isso é COBRADO, ainda mais em situações em que isso não é pertinente. O feminismo, no meu ponto de vista, luta para que as mulheres tenham, de fato, DIREITO de escolha, que elas possam escolher se querem ser “femininas” ou não! Mas eu não vejo isso apenas como machismo, mas como lesbofobia/homofobia, mesmo que as mulheres citadas não sejam, a gente observa nisso o medo das pessoas ao verem alguém fugindo dos padrões do que é considerado “feminino” e do que é “masculino”. O mesmo quando um homem tem maneiras “femininas”, como o andar e o falar, as pessoas já apontam e criticam. Eu penso: Tudo isso é o medo de ver que o mundo não é quadrado como eles pensam? Pra quê ver o mundo de forma tão rígida?


  3. [...] Como você OUSA não ser “feminina”? « Marjorie Rodrigues [...]


  4. Ah, mas também tô aliviada. Já viu os comentários? A maior parte é crítica. Ufa!


  5. Marjorie,

    Post preciso, exato, como de costume.

    Acho que esse discurso sexista vai ser uma constante em 2010. Já estão se preparando, aquecendo os tamborins… Vão pisar e repisar nessa “falta de feminilidade” de Dilma, pode escrever.

    Pode ser coincidência, mas domingo, na mesma Folha/UOL, foi pubicado um artigo de Danuza Leão que faz quase as mesma “acusações” a Dilma que o de Marcelo Coelho. Vou deixar o link aqui para você, caso ainda não tenha lido, e para os seus leitores:

    http://docs.google.com/View?id=dhsmhng2_24gn8xgzdw

    Um abraço


  6. Oi Marjorie!
    Concordo contigo… Estão mudando o rumo da conversa, estão julgando quem é e quem deixa de ser mulher, estão padronizando, generalizando.
    MAS tem mais uma coisa que me chama atenção nessa conversa de “estão tratando as mulheres como enfeite”: as mulheres!
    Juro, tenho vergonha quando estou trocando de canal e vejo um clip das Pussycat Dolls, ou um programa qualquer escolhendo a musa sei-lá-do-quê.
    EU não sou, nem pretendo ser uma bunda, um corpo sarado, um fio-dental. Ao meu ver, pior do que os homens que nos tratam como enfeites, são as mulheres que se veem como enfeites! Uma alienação total.
    Abraço.


  7. Ah, eu lembro da Hillary e da Palin. A Hillary sempre foi criticada pela aparência. Mas a Palin foi criticada por ser perua. Não só por isso, claro.


  8. Eu também acho muito importante frizar que o padrão é a sexualidade heterossexual masculina. Que a sexualidade feminina não existe, como você disse. Como fica óbvio no post sobre Lust, do Sociological Images. E não interessa se é sexualidade feminina heterossexual, bissexual ou homossexual. Aquelas mulheres dançando na festa (no post do Sociological Images) não estão lá para serem apreciadas por lésbicas. Estão para serem apreciadas por homens, e também para servirem de exemplo do que é “luxúria” para as mulheres.


  9. Como sempre, aplaudo nossa amiga Majorie em pé!


  10. Você está coberta de razão,Marjorie:a mulherada parece só ter voz se for enfeite.Ou melhor:nenhuma voz pq não será sua mensagem que irá importar,apenas se você está atendendo a sua “orbigação” de deixar o mundo mais bonito para os homens,se você está aparentando uma “moça de família”,etc…Escroto,né?


  11. Peço sua permissão pra mandar esse seu texto pra todo mundo ler.
    Sério, tô aplaudindo intimamente.

    E o pior sabe o que que é?!?! É que ninguém se indigina, ninguém acha anormal um artigo desses. A não ser você e algumas outras mulheres que infelizmente não tem a voz tão ouvida quanto deveria ser.

    Tà de parabens, tá me ajudando a abrir os olhos.


  12. Imagino que talvez o blog do rapaz não se proponha a dicussões políiticas…não passa pela sua cabeça que nem todos tem a obrigação de levantar a sua bandeira?

    me lembro de ter comentado no blog da Lola sobre essa nóia dela e o qeu recebi de resposta é que o blog é dela e ela escreve o qeu quizer….
    talvez ela tenha razão.. tanta quanto o rapaz….

    veja bem, adoro seu blog, e mal conheço o trabalho do rapaz…mas pelo que olhei, não trata de nenhum assunto relevante… já era de se esperar….

    é o mesmo que esperar que a discriminação social seja tratada na novela das 8….


  13. Texto brilhante, mas não é daí que vem a sua força. Argumentos precisos sobre um jornalista que tem grande abertura para falar merda. Parece que todo mundo já estabeleceu um padrão de mulher, uma mulher boneca, que chora quando outros levantam a voz. Mas, o mais triste quanto a isso é que o texto do Marcelo Coelho não deixa de ser uma verdade para milhões de homens que olham a mulher como presa, e quanto mais fast food, mais cheia de “temperos” melhor. O conteúdo nutritivo pouco importa.


  14. Mariana, que são só mulheres que percebem o ridículo disso não. Nos comentários de lá tem mais homens criticando o texto do que eu esperava até. Dá uma olhada. ;]


  15. Mariana, não são só mulheres que percebem o ridículo disso não. Nos comentários de lá tem mais homens criticando o texto do que eu esperava até. Dá uma olhada. ;]

    *corrigido


  16. “Membro do Conselho Editorial da ‘Folha’ e escreve semanalmente na ‘Ilustrada’ desde 1990.”
    A Folha deveria ter vergonha de ter um projeto de profissional desses como o que escreveu o respectivo texto. A Folha está muito mal “aconselhada”, por sinal.

    Estou me questionando até agora se a escritura desse texto se deu por burrice genética, vagabundagem cotidiana, necessidade de chamar atenção e receber muitos comentários ou se porque o “distinto” Sr. Marcelo quis reforçar uma justificativa cabível e explícita para a “queda” do diploma de jornalismo (se é que ele tem diploma de alguma coisa, claro!).

    Independente de qual tenha sido a opção, ler o descabido texto só me fez ter mais certeza de que estamos em um país que, onde menos se pensa,se respeita e se é, mais se ganha.

    Viva!! Animais acéfalos agora também escrevem!!
    Estamos no país do futuro!!\\o//

    P.s:: coloquei esse mesmo comentário no blog do “digníssimo” guru de toda a falta de feminilidade Sr.Marcelo, mas tenho quase certeza que ele não aceitará…


  17. Oi Marjorie,

    vc ja leu o blog de um dos candidatos a troll? http://palidopontobranco.blogspot.com ele escreve sobre o seu blog mas o “melhor” sao os comentarios sobre como influencia a mulher dele e de como ele nao tem culpa de ser um privilegoado pelo sistema, é a “estrutura”…

    seus posts sao sempre esclarecedores

    Carol


  18. O Marcelo Coelho tenta passar uma imagem de sofisticado, mas se mostra absurdamente vulgar, filisteu. Patético que aquele papo de boteco misógino tenha sido publicado por editor de jornal e colunista de caderno cultural. Mostra que o Brasil tá pronto pra ter lideranças positivas, mas a imprensona está presa em um mundo antigo, que não existe mais.


  19. Esse homenzinho me deixou com o estômago embrulhado `-´
    Esculhamba ele, Marjorie!


  20. Pelo menos fiquei feliz em ver que a maioria do pessoal q comentou é homem, e eles ficaram indignados tbm. Aí me vem uma muçher e bota tudo a perder, com mais cliches machistas:

    vera *******
    Que coisa incrível foram os comentários! Fiquei perplexa pois fiquei sinceramente impressionada com a Lina; não por ser mulher mas por ser distinta, elegante, serena, ou seja educada como há muito não se via na politica e/ou na TV! Achei o assunto super hiper adequado, mas “os pessoal” ficou irado. QQ isso gente! Muito bom Marcelo Coelho!


  21. Ai, ai, confesso que nem terminei de ler pra não passar raiva…

    E momento desabafo por aqui, mas numa das recentes lavações de roupa suja em casa, eu ouvi uma afirmação igualzinha à do título do tópico. Não foi exatamente isso, mas a mensagem era essa: que eu não estava mais me arrumando, que estava me vestindo mal, que estava andando “desleixada” (nada a ver com higiene)… Tenso.


  22. Marjorie, o Marcelo Coelho se viu necessitado, precisava afirmar sua macheza e externar seu ideal de que política é para homens, todas essas mulheres que ele citou alcançaram grandes postos e renome na política, isso o incomoda como macho, o texto da Danuza é igual, Lina Vieira é suave e por isso uma boa mulher (nem importa que ela é completamente contraditória) e a Dilma é uma mulher ruim, pois é dura e não é meiga, a diferença é que parte de uma mulher. Diante da ascenção feminina na política que incomoda os machos da nossa sociedade, é bom darmos uma nova denominação a eles, são todos agora “macho-cados” pela insolência feminina de querer chegar tão longe quanto a presidência da república, isso os atinge profundamente.


  23. Vanessa — Eu estou APAIXONADA pela Maria Rezende, cara. Vi no seu blog e no da Haline e adorei.

    Andréia“Claro que acho legal a mulher ser feminina”.

    Então, mas eu sempre me pergunto: O QUE É ser feminina? Porque, se “feminino” significa “o que é próprio da mulher”, então absolutamente qualquer coisa que eu faça vai ser feminina, certo? Afinal, eu sou mulher. O tempo todo. Ser mulher no mundo é a minha situação. E vai ser assim até eu morrer. Logo, uma mulher que fala grosso e tem cabelo curto não é menos mulher que a de cabelo comprido e voz macia. São ambas 100% mulheres, uai.

    Dizer que a mulher “pouco delicada” é “menos mulher” ou “não é mulher” não faz sentido algum. Dizer isso basicamente é afirmar que certas atitudes podem tirar de você algo que é impossível de ser tirado (a feminilidade). Nonsense puro. Mas é isso que o Marcelo Coelho está dizendo. Embora ele seja super inteligente e erudito, está caindo num modo de pensar que é TÃO, MAS TÃO BURRO.

    Então o que me incomoda nessa palavra, “feminina”, é que ela é muito usada para fazer isso que o Marcelo está fazendo. Pra fazer PATRULHA (oi, galerê, prestenção: patrulha é isso!). Pra cobrar das mulheres um determinado comportamento. “Você TEM QUE que agir assim para ser feminina! Você tem que provar ser aquilo que já é!”.

    Andréia, de novo — ‘Cabei de ler os comentários. Eletá sendo massacrado mesmo. Mas também, né? O machismo é escancarado. Quem não vir machismo aí, não vai ver em lugar nenhum. Além disso, tem várias figurinhas conhecidas nos comentários, né? Raiza, Amapola, Tica… Então talvez a caixa de comentários não reflita o pensamento geral sobre este post, mas mais a reação feminista mesmo.

    Bruno — Sim, a Dilma nem candidata oficial é ainda e já começou a podreira. Imagina no ano que vem. Eu queria MUITO fazer um Dilma sexism watch, que nem fizeram com a Hillary. Mas não vou conseguir fazer sozinha. O Idelber propôs uma força-tarefa coletiva. Acho que, pra funcionar, só assim. Vou cantar a bola aqui no blog. Quem sabe um blog coletivo?

    Sobre a Danuza Leão: fiquei com medo de ler. Eu detesto a Danuza Leão, prontofalei. Todas as colunas dela que eu li, achei umbiguistas e clichês. Fora que essa coisa de “eu tenho medo da Dilma” é tão infantil. Tu tem medo de alguém só porque fala grosso? Cresce, né? Medo do Serra você não tem não, né, darling?

    Bruna — Faz uma busca (à direita) por Juliana Paes. E lê o post que sair, please. Depois lê outro chamado “Da onda feminista i choose my choice”. Eu falo justamente disso.

    Você não pode botar a culpa pela objetificação das mulheres na mulher que está ali, tendo sua imagem explorada como objeto sexual. Primeiro, porque há toda uma cultura que nos incita a ser enfeites, que diz que temos que nos emperiquitar porque somos enfeites antes de qualquer outra coisa. As meninas do Pussycat Dolls estão apenas fazendo o que o patriarcado espera delas. Embora ganhem com dinheiro com isso, elas são tão vítimas da objetificação quanto as demais mulheres, que apenas recebem a mensagem. Afinal, elas estão numa posição de vulnerabilidade. Ganham dinheiro e fama, mas isso vai embora no momento em que elas começarem a envelhecer. E, quando quiserem ser levadas a sério, vai ter sempre alguém pra esculachá-las, dizendo: “ah, é só a mina do pussycat dolls. Uma vazia que só mostra a bunda”. As minas do pussycat dolls estão sendo tão prejudicadas quanto nós. Logo, em vez de voltar o dedo em riste para elas, temos de voltar o dedo em riste para o patriarcado.

    Astrocat — Os jornais dos EUa diziam que o ano passado foi o “ano das mulheres” na política de lá. Por causa das candidatas. Mas, véi, tb foi o ano em que eu mais vi sexismo. De ficar de boca aberta mesmo. Quer apostar quanto que 2010, no Brasil, vai ser a mesma coisa? Com Dilma e, quiçá, Marina concorrendo? Um monte de gente vai encher a boca pra dizer que isso é sinal de que as mulheres estão avançando, mas os jornais vão tocar o machismo pra cima delas. Tratando-as com dois pesos e duas medidas em relação aos candidatos homens. Pode esperar.

    Astrocat, de novo — Eu gosto tanto desses posts. aliás, do sociological images inteiro. Porque eles deixam tudo tão claro, né?

    Miriam — é a Miriam, advogada que atooora perigón? Ora, tu sabe que eu quero ser vc quando crescer.

    Priscilla — é tão fácil perceber, né? Que a Dilma não tá lá pra enfeitar. Tá lá pra ser ministra. Quer enfeite? Compra um bibelô no 1,99. Política não é concurso de miss.

    Mariana — eu acho o machismo desse texto tão escancarado que, sério, quem disser que não viu ou tá mentindo ou tem que meter a cabeça na parede pra ver se começa a funcionar.

    Thiago — o blog do Marcelo Coelho é de jornalismo cultural. Faz crítica de música, peça, livro. Tanto que eu nem entendi o que é que ele tá fazendo tentando falar de política ali. Mas enfim. É, por vezes, um blog bastante erudito. Ou seja: não tem nada comparável à novela das 8. Não é um blog “pras massas”.

    Eu gosto do blog dele e, oi, tem livro do Marcelo Coelho à venda no meu sebo tb. MAS PORÉM CONTUDO TODAVIA: se o cara publica um disparate desses, eu tenho o direito de apontar isso. Meu direito discordar. Não acho que ele tenha o dever de “levantar as minhas bandeiras”. Eu não espero isso do blog dele — nem do de ninguém, na verdade. As minhas bandeiras levanto eu. Só espero que haja um mínimo de bom senso ali. Até porque tem um jornalão por trás.

    Vitor Rezende — Pois é. Stepford Wives total.

    Carol — É o marido da Van, né? Bom, ele demonstra que não leu a política de comentários MESMO. Não adianta ele me mandar mil comentários e reclamar que não estão sendo aprovados. Porque eu simplesmente não recebo estes comentários. Uma vez tendo sido classificado como spam, todos os demais comentarios vão direto pra caixa de spam. O wordpress não me pede mais aprovaçao. A não ser que o autor mude o e-mail. Essa medida visa a coibir os trolls que mandam trocentas mil mensagens me xingando de vagabinha pra baixo, uma atrás da outra. É foda pq tb pune o cara que deixar algum comentário construtivo depois da trollagem, mas fazer o quê? Ele que pense duas vezes antes de trollar da primeira vez.

    César — A imprensona tá jogando sujo porque a dilma tá colando no Serra. Vamos combinar que o X da questão é esse, né? Aí tão usando todas as armas. Primeiro, jornalismo feito nas coxas. Com aquela ficha falsa. Não deu certo, tão apelando pro sexismo. “tenham medo dela porque ela fala grosso”.


  24. Que machista que nada. Só bobo! Parece que ele está naquela fase em que acha que tudo o que pensa é inteligente.
    Sem ver a foto, pensei que fosse algum adolescente daqueles que vive despindo as mulheres com os olhos sem conseguir se concentrar no teor da conversa ou do discurso… lembrei dos meus colegas do colégio…
    Assim, fica bem mais fácil dominar o mundo! rs


  25. Oi Marjorie!
    Li esse texto hoje à tarde e achei tão ridículo a ponto de não levar a sério. Incrível que ainda passe para a publicação uma coluna dessa estirpe. Não acredito que nenhuma colega desse senhor tenha lido e não comentado o teor machista das palavras. E a análise política que é bom, necas. Pior é que essa gente é “formadora de opinião”. Jesus! Ainda bem que já larguei o jornalismo de mão.


  26. Vanessa — então, mas isso saiu no impresso também? Ou foi só no blog? Porque o blog não tem editor, né? Até onde eu sei, pelo menos. Mas, embora o jornal sempre tire o seu da reta, dizendo que “a opinião do colunista não representa necessariamente a do jornal”, fato é que o colunista sabe onde pisa e não vai falar nada que destoe muito da posição do chefe. Outro agravante é que o Marcelo Coelho é do conselho editorial da Folha, né? Representa o jornal sim, e como.


  27. Carol,

    Não se vexe, porque eu não me incomodo nem um pouco. Pode falar a vontade.
    Tadinho dele, tão trabalhador. Comprando as maças que eu gosto e também o desodorante…Mas desde que eu cale minha boca e não venha com discussões feministas; ainda mais com teor conservador. Afinal, ele já bem disse que está de saco cheio de qualquer tipo de carolice. Também já afirmou que somos todas umas lunáticas-patrulheiras.
    Ai, ai, ai
    E não adianta, ele não entende, parece… Vive afirmando que a Marj ‘vê pêlo em ovo’.
    Já eu, na maior simplicidade, como que explicando pra um adolescente:
    - Viu, ninguém tá censurando ninguém, não. O Marcelo Coelho pode falar e escrever o que ele desejar. Vivemos numa democracia, claro. Mesmo assim, nós também podemos comentar e escrever sobre machismo contido em sua narrativa. E qualé o problema?

    Daí já virou baderna, ele perde as estribeiras, e daí vc já viu…

    Haja paciência!
    Ele diz o mesmo pra mim…


  28. Nunca tinha visto seu Blog, mas adorei o texto.
    Só pra deixar claro que não são só as mulheres que ficaram putas com o Marcelo Coelho.
    Nós homens também ficamos!
    Eu, particularmente, não quero saber de mulher (nem homem) machista. Até escrevi sobre isso tbm no meu blog (http://prafalardecoisas.wordpress.com/2009/08/18/fragil-e-delicada-como-devia-ser/).
    saudações
    Manoel
    ah, parabéns pelo ótimo texto (pena que ele tenha sido necessário, né?)


  29. Eu leio o seu blog desde a época dos confrontos com a PM na USP, por conta dos seus comentários no Biscoito Fino. Eu não escrevo blog, eu nem escrevo muito, mas adorei como você escreve e assinei o RSS e leio quando você publica alguma coisa. Acho os posts sobre assvertising especialmente instrutivos – eu não tinha me dado conta do machismo subliminar na propaganda. Deve embotar a vista depois de tanta exposição. É a primeira vez que eu comento, mas eu adoro como você pensa.
    Li esse texto na Folha Online (eu moro no Rio) e fiquei impressionado com a coragem dum cidadão pra ser tão escroto em público.
    Desculpa o palavreado – falta vocabulário.


  30. Iniciada a campanha política sexista para 2010…

    Se havia alguma dúvida de que a campanha para as eleições de 2010 esbarrariam no sexismo, essa dúvida se dissipou definitivamente hoje. Marcelo Coelho, membro do Conselho Editorial da Folha, escreveu em seu blog o post Lina Vieira, Dilma Rousseff, uma …


  31. Nao aguentei e deixei um comentario la. Espero que a mae desse paspalho esteja agradando bastante os homens por ai.


  32. Marjorie,
    É a primeira vez que entro no seu blog e me deliciei com o seu texto-resposta ao infame Marcelo Coelho. Seu texto foi bastante assertivo, vc escreveu a resposta que eu gostaria de ter escrito. Muito bom!


  33. Ele fez depois um post pedindo desculpas pela bola fora. Nao sei se eh sicnero, mas ja eh um bom comeco…


  34. Marjorie, vc é um tesão! Bjo na boca!


  35. [...] aqui também, porque a Marjorie escreve sobre isso melhor do que [...]


  36. Só vim te avisar que te linkei =]
    Leio o blog há meses e meses, mas nunca comentei.
    http://garotacocacola.wordpress.com/2009/08/20/post-do-marcelo-coelho/


  37. marjorie,

    vamos combinar que toda vez que vc colocar um link para uma coisa nojenta, avisa a gente antes? Por favor!
    Eu vou até sair um pouco…depois de ler esse texto desse imbecil, tenho que pegar um ar fresco. argh que nojo!


  38. “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são.”
    Salve Macunaíma, salve Mário de Andrade!
    Ai, que preguiça me dá o Marcelo Coelho…


  39. Tava aqui pensando com os meus botoes. Engracado que o Obama eh um cara todo malemolente, sorridente e tals, e ninguem diz “como vc ousa nao ser masculino?” Ninguem diz que ele eh menos masculino so porque nao sai por ai prendendo e arrebentando e falando grosso.

    Realmente, as mulheres tem um padrao que elas sao obrigadas a seguir mas os homens, bem, esses podem ser como quiserem. Eles sao sujeitos, como vc gosta de dizer.

    Acho que isso ficou mais claro na minha cabeca agora.

    (e depois eu reli o post “foi mal” do Marcelo Coelho e percebi que nao, ele nao aprendeu nada. Ele acha que a subjetividade dele feriu a subjetividade dos outros. Em outras palavras, ele continua achando que nos somos todas umas histericas mal resolvidas que gritam por bobagem)


  40. Olha, uma coisa eu gostei muito, os comentários são quase 100% contra e muitos homens se manifestaram. Até peguei alguns blogs pra visitar depois. Danuza leão num dá né? Nem li o que q ela escreveu, numa boa. Desconsidero. Acho que não resta dúvida que pouco importa como um candidato aparenta, eles não estão lá desfilando moda. Mas sabe, me chama atenção isso do “ser feminina”. Eu acho a maior graça. Pq além de tudo ele (e todos que costumam usar esse argumento como no caso marina/ana carolina versus vanessa da matta) dita para nós quem é ou não interessante. Quem inventou que elas não são interessantes? Sei que isso não importa, mas pq eu deveria achar mais interessante a, sei lá, Juliana Paes do que a Marina Silva. Ce chega no show da Ana Carolina ou da Marina e as pessoas passam o espetaculo inteiro gritando por elas. Pq a Vanessa da Matta seria mais interessante? São diferentes e talvez atraiam públicos diferentes. Só isso. Não importa se usa salto alto ou tenis. Como vc disse no post, são mulheres. Os adornos não fazem ninguem menos ou mais mulher.


  41. De volta pra pedir desculpas pelo destempero..é que o artigo do cara realmente me deixou irritada.

    O seu post ta maravilhoso e o texto da Van Prates idem. Valeu. É isso, a gente tem que ir engolindo os vômitos para tentar mostrar o óbvio e realizar a mudança que a gente quer! Coragem meninas e meninos.


  42. Estava pensando hoje de manhã sobre como o que se entende por feminilidade é apenas um estereótipo. Afinal, minha identidade como mulher não tem nada a ver com falar fino, falar grosso, ter curvas ou não, usar maquiagem ou sair de cara lavada. Estabeleceu-se um modelo único que não condiz com a multiplicidade de formas de estar no mundo como mulher. Bem “stepford wives”, mesmo, como se só fossem legítimos projetos de feminilidade saídos da mesma linha de montagem. Só falta o controle remoto com botoezinhos – porque se o que Marcelos Coelhos estão fazendo na mídia não for controle, então eu ignoro o conceito.
    Já tô imaginando a Regina na próxima campanha: “Eu tenho medo da Dilma”.


  43. gosto mto do q vc escreve e da maneira como escreve, mas so hj vim conhecer seu blog. lia seus textos recebidos por emails de diferentes amigas feministas. gostaria de convida-la para participar da rede social: http://www.midiafeminista.ning.com
    ela é fechada, mas vc pode acessar a pagina inicial p/ ver o q temos la. se tiver interesse te mando 1 convite. vc bem podia aceitar e postar sempre la seus interessantes textos.


  44. Marjorie — parabens pelo texto mais uma vez.

    Eu deixei um comentario ontem — olha que qse nunca comento em blogs por “cyber vergonha”…rss. Mas fiquei passada com o texto de ontem.

    Tive que deixar outro comentario hoje ao ler o post de desculpas dele. Nem tanto por isso, mas ao ler os comentarios, havia homens dizendo que feministas estavam “Sem senso de humor”, pra relaxar q nem eh tao serio….enfim, coisas que voce ja analisou aqui. Isso me deixa muito brava.

    Se for necessario analisar mulher por aparencia fisica (o que ja nao importa em politica mesmo, porque, oi?, ninguem nunca deixou de votar em homem feio ne?!), entao que facam a mesma comparacao com homens….ridiculo.


  45. Por falar em feminilidade, falar fino, falar grosso, ter gestos delicados, blá-blá-blá, wiskas sachê,blá-blá-blá, hoje vi na tv e no jornal a polêmica envolvendo uma atleta sul-africana que terá que se submeter a testes para aferir se é realmente mulher. Claro que sendo uma competição séria, há que se ter cautela para evitar trapaças (vide problemas com dopping). Mas que é mais uma amostra de que o falar grosso ou ter gestos considerados “não femininos” suscitam desconfiança per se. E acho que daria um bom debate por aqui, não?
    Para quem ainda não viu, a notícia está aqui: http://oglobo.globo.com/esportes/mat/2009/08/20/duvidas-sobre-sexualidade-de-sul-africana-tiram-brilho-de-vitoria-nos-800m-757488422.asp

    Marjorie, vim parar aqui meio que por acaso, pulando de blog em blog, mas já favoritei e espalhei para os amigos.
    [ ]’s


  46. Barbara: “Realmente, as mulheres tem um padrao que elas sao obrigadas a seguir mas os homens, bem, esses podem ser como quiserem. Eles sao sujeitos, como vc gosta de dizer.”
    Concordo que as mulheres tem um padrão muito rígido que devem seguir, como tu e mais um monte de gente aqui nos comentários disse.
    Concordo que os homens são sujeitos, como disse a Marjorie. E concordo que temos sim uma liberdade maior que as mulheres, somos menos patrulhados.
    Mas dizer que podemos ser como queremos? Aí também exagera pro outro lado. Porque eu já perdi a conta de quantas vezes já fui ridicularizado por atitudes minhas.

    Não digo que as mulheres não restrições. Só que nós também temos, e não são poucas.


  47. Esse texto do Marcelo Coelho me embrulhou o estômago. Não foi força de expressão, não. Como pode? Arghhhhhh. Essas coisas quase me desanimam, mas daí me vem a raiva, que é combustível, hehe.

    Sobre Danuza Leão… Me sinto mal de compartilhar o nome com essa pessoa. Não tenho a menor paciência pras coisas estúpidas que ela afirma.


  48. É verdade, Marjorie, mas é difícil a gente se livrar da noção de “feminilidade”, né? O que é isso mesmo? Ser delicada? Ser meiga? Ser sensível? Será mesmo que as mulheres são mais delicadas e sensíveis que os homens? Ou somos criadas para EXPRESSARMOS esses sentimentos, enquanto os homens são criados para não expressá-los? Será que os homens não são tão sensíveis e delicados quanto as mulheres? Será que esse lado não seria mais aflorado se eles fossem criados livres das amarras de gênero? Pois na nossa sociedade, o choro, o sofrimento masculino tem que ser guardado a sete chaves dentro de casa, já as mulheres não… e até esperado que a gente chore e expresse nossas emoções livremente. Mas o que eu queria dizer mesmo é que não acho ruim a mulher exercer o padrão de feminilidade, desde que isso não seja algo imposto. Sei lá. Isso é confuso! Tem post sobre isso por aqui?


  49. MC pediu desculpinha – http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-16_2009-08-22.html#2009_08-20_02_27_09-10759959-0

    Foi pouco comparado ao que escreveu, mas já é algo.


  50. Ilusoriamente a mulher de aparência delicada, passa a imagem de mulher de fácil controle. Tolinhos…

    Eu acabei de ler um texto que analisava a postagem em um outro blogue – no blogue mencionado o ‘cara’ receitava aos leitores homens que foram rejeitados o seguinte: ‘“ Na eventualidade do excesso alcoólico, não hesite (…)se ela ficar bêbada além da normalidade a ponto do vômito e da amnésia temporária, COMA-A SEM DÓ, TIRE FOTOS E PUBLIQUE NA INTERNET!”’ e complementava o pensamento dizendo que mulher não gosta de homem bonzinho e que os cafajestes sempre se dão bem.

    É com este pensamento que muitos pais receosos do filho passar pela rejeição, incentivam a cafajestagem, assim como entre eles também confabulam.

    E complementando com o seu texto, eles dizem ‘mulher feia pra mim é homem’ ou ’se a mulher for feia, mande virar de costas ou coloque um travesseiro na cara’ – como se as mulheres fossem apenas uma carcaça. Mas isso, ao meu ver é assinar um atestado de incapacidade para relacionamentos mais profundos. Vivem no raso pois têm medo do afogamento.

    Vou deixar os links, porque sei que é uma fonte para debate e análise – o blogue é de ‘garotos’ ou para garotos, mas de grande visitação. Pois sim, formadores de opinião. Como somos cadeias e cadências de pensamentos, podemos tentar refinar condutas, porque não?

    http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2446

    http://www.morroida.com.br/2009/08/18/somos-apenas-amigos


  51. Manoel — pois é. Sabe o que eu acho pior no texto do Marcelo Coelho? O finalzinho, onde ele diz: “lina é charmosinha, delicadinha, do jeito que TODO homem gosta”. Eu acho isso muito redutor também para vocês, homens. Essa generalização. Essa universalização. Para ele, só há uma possibilidade de feminilidade e uma possibilidade de gosto para os homens. Gostei muito do seu post. Beijão!

    Bruno — Poxa, que bonito o seu comentário. :) Fico muito agradecida mesmo.

    Sobre os comerciais: eu acho que é um exercício, né? Eu passei a prestar mais atenção nos comerciais. Decidi fazer esse exercício mesmo. E aí vc meio que vai treinando o olho. Tentando interpretar e contextualizar o que tá ali e tal. Comercial não foi feito pra ser visto desse jeito, claro, mas eu acho que é um bom exercício. Antes, eu tb não prestava muita atenção. A gente acaba se acostumando mesmo. Bjo!

    Paloma — obrigada :)

    Barbara Baxt, Jen e Gustavoamigo — Achei bacana ele ter pedido desculpas. Muito melhor do que simplesmente ignorar, né?

    Mas, pelo que ele escreveu, ficou parecendo que SÓ pediu desculpas porque houve uma enxurrada de comentários negativos. Se não tivesse tantos, ele não teria pedido. Vcs tb ficaram com essa impressão ou fui só eu?

    Tb achei mei’ estranha a parte em que ele diz “com a minha subjetividade, feri a subjetividade dos outros”. Fica parecendo que ele nem leu os comentários direito, sabe? Que nem se deu ao trabalho de ver qual era a crítica que tava sendo feita e pensar nessa crítica. Então me dá a impressão de que não são desculpas sinceras. Se se importasse com a questão, ele discutiria, responderia a crítica que foi feita. Mas não, nem entrou nessa questão. Só disse “malzaê se vc é sensível e eu acabei te magoando”. Meio que transportando o ônus para NOSSA subjetividade. “Tá bom, vai, eu peço desculpa, mas não fui eu que errei. Vc é que é sensível demais”.

    Os comentários no estilo “mimimi, as feminazis sem senso de humor” só provam o que eu comentei lá em cima, para Andréia. Que a enxurrada de comentários negativos talvez não refletisse a posição geral diante desse post. Mas sim a posição d@s feminist@s e de quem se interessa pela questão da mulher. Pq o link circulou entre a nossa panelinha e mtos dos comentaristas são nossos conhecidos.

    Bimblom — Hahaha ;-)

    Garotacocacola — opa! Obrigada pelo link e pelo aviso! Bjo

    Aiaiai — hahaha eu achei que as maiúsculas no link já demonstrassem que eu tava PUTA. hahaha

    Michelle — Perfeito o teu comentário. “como se só fossem legítimos projetos de feminilidade saídos da mesma linha de montagem”. Como se só houvesse um único modelo de feminilidade. Bjs

    Maria Angelica — Eu já estou no Ning! Mas eu esqueci minha senha. Nem fiz perfil nem nada. Vc pode me mandar outro convite? marjorie.rm@gmail.com Bjo!

    Bia — eu vi isso. liguei a Tv rapidinho hoje no almoço (oi, adoro atletismo. Eu sou mei’ bizarra, aliás: fico entediada com futebol, mas adoro assistir salto com vara, arremesso de dardo… em ano de olimpíada, eu fico vidrada com esportes considerados esdrúxulos hahaha) e era bem a hora que essa moça tava recebendo a medalha. E dava pra perceber na cara dela e na platéia. O clima super tenso. O rumor estragando o sabor da vitória.

    Eu não sei muito o que escrever sobre esse tema. É triste ver as pessoas especulando desse jeito só por causa dos traços dela, do tipo físico dela (é igual fazem com a edi nanci né?). Só porque ela não é “feminina” e se destacou tanto, a 1ª suspeita é de que “seja homem”, não dopping. Se fosse uma mocinha de maxilar delicado e cabelo comprido, falariam em dopping.

    Eu entendo e concordo que as provas devam ser separadas por sexo, porque se fossem mistas, os homens levariam vantagem por causa da força muscular. É justo. Mas, ao mesmo tempo, como ficam os transexuais e/ou intersex? Não podem participar? Não podem ser atletas? Fica uma questão muito complicada mesmo. Eu defendo fortemente que eles devem ter todo o direito de participar. Se há atletas assim na competição, eles não podem ser excluídos. E eu acho que eles devem disputar com quem têm melhores condições de competir justamente — com homens ou com mulheres. Aí mede-se a resistência da pessoa pra ver onde ela se encaixa melhor, etc e tal. Mas como meus conhecimentos de esporte são bem chucrinhos, eu não sei se tô falando besteira. Não tenho opinião formada mesmo — pois não sei mto bem como as coisas funcionam. Só acho que todo mundo que tenha condições de participar deve ter o direito de fazer isso.

    Danut — eu concordo com você. Os homens tb tem várias restrições. Tem um ideal de masculinidade pra cumprir. Se um político for muito “afeminado”, vai ser esculachado também. Porque macho alfa não pode ter nada que seja considerado “feminino” ou “gay”. E, nessas, os homens são ensinados a reprimir comportamentos que, biologicament,e não têm nada de masculinos nem femininos. São humanos. Mas a Barbara tem toda a razão quando diz que os politicos homens são mais livres. Têm uma amplitude muito maior de coisas que eles podem fazer sem que um colunista venha lhes encher o saco.

    Danusa — posso destilar um veneninho? Não curto essa coisa da Danusa Leão de viver de passado. Toda vez que eu esbarro em alguma matéria jornalística sobre ela, tem sempre que ter uma mini-biografiazinha, com um monte de fotos das pessoas ilustres com quem ela andava quando jovem. É como se a mulher já tivesse morrido, estivesse morta em vida, sabe? Não curto.

    Andréia — sim, eu tb acho legais várias coisas que a sociedade classifica como “femininas”. Eu gosto de vestidos, gosto de babadinhos, de lacinhos, de estampa de florzinha. E por aí vai. Mas me emputece quando alguém vem dizer que, por ser mulher, eu TENHO QUE falar assim, me sentar assado, cruzar a perna de tal jeito. Porque senão “não tô sendo mulher”, como diz o Marcelo. Apaputaquepariu. Eu sou mulher o tempo todo. Sou mulher, me sinto mulher, ninguém vai tirar isso de mim. Tem post sobre isso, sim. Se chama “o problema é o de verdade”. Bjo!

    Luma“eles dizem ‘mulher feia pra mim é homem’ ou ’se a mulher for feia, mande virar de costas ou coloque um travesseiro na cara’ – como se as mulheres fossem apenas uma carcaça”. É DISSO que eu tô falando quando uso a palavra “objetificação da mulher”. Mais que isso, só se desenhar, né?

    Esse morroida aí é a “cabeça” por trás do lingerie day. Imaginei as besteiras que podem vir nesse link e já sofri por antecipação. Posso resolver me poupar e não clicar no link? Hahaha vc não se incomoda?

    Mas todo mundo que quiser clicar no link e discutir, super pode, claro.

    bjo!


  52. Texto excelente, dá gosto ler seu blog, sabia?
    Huahuahauhuahuah! Adoro os textos, muito bons!


  53. Puts! Muito bom, muito bom, muito bom!Ótimo texto. Depois dele só posso adicionar o blog ao meu, e é claro, vou postar teu texto lá.
    Bju


  54. Eu achei as desculpas do cara piores do que o post. ridículo!
    Danut,
    é claro que os homens sofrem restrições também. Eu sempre digo que fiquei mais feminista depois que tive um filho homem…desde bebe ele sofre restrições.
    As meninas bebes podem usar azul…certo?
    Vá botar uma roupa levemente rosada num menino bebe!!! E por ai vai…são os brinquedos, as brincadeiras, a forma de falar e andar, o choro (menino não chora…neguinho fala isso para o seu filho na sua cara, aconteceu comigo).
    Então, quando eu me posiciono como feminista, estou também me posicionando pelos homens. O que eu quero é igualdade. Não necessariamente igualar as mulheres ao que os homens têm hoje, mas buscar um formato de convivência igual…hummmmm acho que ficou prolixo. Mas é por ai.


  55. Gostei do que vc escreveu, me fez ver o texto do Marcelo Coelho por um outro ângulo. Gosto muito do blog do Marcelo e não vejo nenhuma maldade no texto dele. Ele poderia ter falado das questões politicas que envolvem a vida dessas mulheres, mas decidiu falar da beleza e charme delas. Foi apenas uma escolha. É apenas um texto e um blog é uma coisa muito pessoal.
    Gostei do seu texto também. Achei Muito bom. Só não seja radical e amarga com a vida. O mundo precisa de amor e paz. Faça sexo, não faça guerra.
    Abç


  56. Isso me lembra muito aquela deputada do paraná, se não me engano, ótima, jovem e bonita. Mas só falavam disso. Que ela era bonita, que tirava a atenção por onde passava e ‘blablabla’, mas claro, que não era essa imagem que ela queria passar. Uma vez li uma reportagem com ela, na revista BRAVO! e só haviam perguntas envolvendo beleza, sabe? Ela ficou brava até. rs Com razão.

    A mesma coisa, é o que fazem com a Michelle Obama … ninguém fala nada a respeito do curriculo dela, do que ela fez/faz, só sabem falar de como ela se veste bem e afins, quer dizer, querendo ou não sempre transformam a mulher num objeto, numa boneca, num enfeite.

    É triste.


  57. Ceceu — o machismo permeia a nossa cultura, portanto, os nossos atos. Eu não disse que o Marcelo Coelho escreveu o post com maldade. Só disse que a mensagem que ele passa acaba sendo essa. Que mulher é enfeite antes de qualquer outra coisa.

    O fato de eu ser assertiva ao criticar um texto não significa que eu seja amarga COM A VIDA. Quiquéisso. E o que vc quis dizer com este “faça sexo, não guerra?” Que eu não faço sexo? Hello, clichê. É exatamente este padrão duplo que o texto do Marcelo apresenta e que eu acho que tem que ser combatido: homem sendo assertivo é ok. Mas a mulher quando faz isso, ah não póóóde. Tem que ser doce, nunca amarga.

    Bem, eu acho que tem hora para a doçura e tem hora para o amargor. Se eu tô criticando um texto que me ofende e que ofende às mulheres, não tenho como ser docinho. Gosto de todos os meus “sabores” e sou capaz de ver beleza na rebeldia. Vejo beleza no radical. deus me livre de ser doce o tempo todo.


  58. “Por que não ser simplesmente uma mulher?”

    o problema é o tal marcelo achar que existe uma ‘essência’ no conceito ‘mulher’ ou ‘feminino’. como se existisse algo, fora do mundo concreto, algo etéreo, imaterial e eterno que desse ‘lastro’ pra essas noções. como se esses conceitos – e todos os outros – não fossem dinâmicos e cambiantes. claro que esse estratagema – de se tratar tudo como se ancorado estivesse numa essência serve a um propósito – nesse caso muito bem mascarado – que é justamente dizer que ‘as coisas são o que elas são’, ‘olha, tá vendo, o mundo é assim’, ‘isso não vai mudar’ e outras baboseiras. fato que, obviamente é mentira. as ‘coisas’, os conceitos, são construídos, né? e como tal podem ser desconstruídos também. tarefa difícil, mas acho que o papel da gente é denunciar esses absurdos, botar a boca no trombone mesmo. claro que nada muda assim da noite pro dia, nem é tarefa de uma pessoa só. mas a história tá aí pra mostrar que isso não é impossível. o teu texto é uma bela reflexão sobre o assunto. bjs!


  59. Marjorie: Tive a mesma impressão, de que só escreveu por causa da enxurrada de comentários. Que foi desculpa esfarrapada mesmo, só porque ele viu que pegou mal. E o negócio da subjetividade é bem isso mesmo. Ele pediu desculpas sem se preocupar com a besteira que escreveu, só pro pessoal se acalmar (pra poder dizer: ainda tão reclamando? mas eu pedi desculpas…). E jogou pra cima de quem viu problemas a culpa. Foi a minha subjetividade que viu problema lá, não ele que escreveu errado, né?

    Infelizmente tu estava certa novamente, os comentários realmente não eram termômetro pra nada.

    E sobre o negócio de os homens terem restrições, eu concordo que um político homem tem bem mais liberdade. E (já respondendo ao comentário outro comentário também) eu sei que o pessoal aqui se posiciona pela igualdade. Acho isso ótimo :)
    Mas é que pelo primeiro comentário dava a entender que só as mulheres tinham problemas com isso. E já vi muita feminista dizer que não, que eu estava exagerando, que se visse o que ela sofre eu veria que não tenho porque reclamar de nada. Do tipo “cala tua boca que quem tem problemas sou eu”.
    Acho que não é o caso aqui, mas falei mesmo assim, só pra ninguém ficar com essa idéia na cabeça.

    Não sei se deu pra entender…


  60. Ah, Marjorie, nem clique naquele link mesmo. São idéias tão rasas, mas tão rasas! “Sempre mais do mesmo”, todos os clichês escrotos reunidos. Mulher é tudo piranha. Amigo de mulher é cabeleireiro. Homem bonzinho não come ninguém. Mulher não gosta de homem, gosta APENAS de pica. Blablablá. Depois “mimimi” é coisa “de mulher”, tá bom, vai e isso é o quê? Puro mimimi.

    Olha só uma amostra: “A mulher tem em seu DNA uma necessidade eterna de escravizar mental e emocionalmente os caras legais e ingênuos.”

    E essa: “Mulheres são, inegavelmente, todas umas piranhas. É um ensinamento ancestral: as mulheres estão no mundo para foder os homens, e não estou falando foder literalmente.”

    Olha só, hein. Somos todas umas escrotas fodedoras de homens!

    Houve um tempo que eu ficava indignada com esse tipo de coisa, mas não fico mais, pois eu quero é distância desse tipo de gente que pensa tão pequeno como: “mulher + amizade não rola”.

    Olha só esse comentário: “isso ae…. mulher é so pra comer e depois dar uma surra de pau mole, e deixar 5 pratas na cabeçera da cama pro busao pra ela volta pra casa.”

    E esse: “E o pior, é a realidade… por isso eu digo, com mulher (tirando a mãe e as irmãs…risos) o cara tem que deixar bem claro 2 duas coisas:

    - Que quer “comê-la”, se ela der mole você: entrou no radar virou alvo, e deixar muito bem claro isso!

    - Ou, que não irá comê-la por que ela tá feia/gorda/baranga ou é muito chata… ou, na maioria dos casos, não rola nem fudendo…

    Pronto… é Zero ou Um… Oito, Oitenta…”

    Pois é, vivem no raso pois têm medo do afogamento, MESMO.

    Mas vale dar uma olhada no post criticando o texto: http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2446


  61. [...] orgulhodomeupaís, tudo. incrível. e o marcelo até se retratou. e até colou link pro texto da marjorie rodrigues, como vc ooousa não ser feminina, que irei visitar a partir de agora. entendeu? tudo pra eu ler o [...]


  62. @Andréia Freire: Desculpa a grosseria, mas a verdade tem que ser dita: homem que pensa que toda mulher é piranha é sempre FDP e acha que todas as mulheres são iguais à mãe.


  63. Eu achei o pedido de desculpas o uó. Deu nojinho.
    Do tipo: falei, ofendi, mas não deixa de ser o que eu penso verdadeiramente – vide, minha subjetividade.


  64. Sabe que eu lembrei de vc hj na hora do almoço? Tava passando uma matéria no jornal local sobre boxe para mulheres. No lugar de fazerem uma coisinha mais bacana, sei lá, podiam pôr umas cenas de ‘million dollar baby’ pra ilustrar.. não. Começaram enfatizando que boxe para mulher era o aero boxe, ‘que queima calorias e deixa tudo durinho’; mostraram as praticantes SE MAQUIANDO – pra ressaltar a ‘feminilidade’ delas, por supuesto, como se parar o treino pra retocar o batom fosse uma necessidade, não um disparate; dizendo que homem pratica boxe pelo gosto de dar porrada, pra descarregar a agressividade, enquanto a mulher o faz pra ficar gostosa; mostrando as ‘luvas cor-de-rosa, CLARO’ (?). Pra fechar, a repórter dizia que o maior desafio era.. tcharã! Alguém pensou que era ser ágil o suficiente para se esquivar e não tomar um direto no queixo? ‘Praticar o esporte sem abrir mão da feminilidade’. Quase vomitei rúcula com coca zero.


  65. Olha la, acabei de ver que ele linkou seu post. E acho que ate leu o que vc escreveu :) E, diria mais, acho ate que pensou no assunto (pelas respostas aos comentarios). Sera? Ou eu tou sendo otimista demais?

    De qualquer maneira, eh bom saber que esse post conseguiu fazer tanto barulho.


  66. Geeeente adorei, e vc se explica bem sim… porfavor escreva sobre a questão das mulheres não terem desejo sexual, afinal, somos a boneca que eles estupram neh.


  67. alias… proponho começarmos a mandar e-mails pros jornais e revistas em resposta as matérias sérias sobre politicos homens com comentários do tipo “mas que horror esse cabelo ensebado do Sarney não ? será que falta agua pra ele tbm no Maranhão ?” …ou “alguém avisa o Mercadante que esse Grecin 200 que ele passa no bigode tá horrivel”


  68. marjorie, esse cara desse blog aqui http://bp.santana.zip.net/ também entra nesse debate… dá uma olhada, beijos, daniele


  69. Olá Marjorie.Primeiramente concordo com o teor machista do texto sem dúvida.
    A mulher vem lutando pelos mesmos direitos dos homens no contexto econômico (empregatício, cargos de responsabilidade,etc), social (a queda do paternalismo basicamente e ESSENCIALMENTE neste momento histórico) e político (reconhecimento da figura feminina como representante DIGNA, ética e responsável ).As 3 esferas se enraizam no passado DE PÁTRIO PODER.Ao Economico, vem-se demonstrando cada vez mais que as FUNCIONALIDADES E CAPACIDADES da mulher são iguais senão melhores em setores SECUNDÁRIOS,TERCIÁRIOS e até PRIMÁRIOS.O Social é figura-chave a imagem da mãe-solteira, dando sustentabilidade ao discurso corrente da independencia feminina,ainda que não seja o ideário para uma sociedade justa e digna para a criação da nossa juventudade.E Político, enquadrando-se no post acima : a imagem pública é parte integrante, porém não determinante, do SER HUMANO e neste caso da pessoa pública/política, o que , consequentemente, passa a imagem de austeridade, bom senso,dignidade e ética.É isto que esperamos da tão aclamada REPRESENTATIVIDADE no Senado,Camara dos Deputados e Vereadores. ATRELAMOS A IMAGEM AO CONCEITO DO SER HUMANO, O QUE POR VEZES, SE TORNA PRECONCEITUOSO E NOS REVELA A FORMAÇÃO ( OU A FALTA DESTES ) EDUCACIONAL E DE CARÁTER.Um conceito deturpado de imaginário como este atribuído ao tipo de roupa/maquiagem,etc a POLÍTICAS BRASILEIRAS nos permitiu o populismo de Lula desenfreado e cego e tantos outros da classe política brasileira, não nos preocupando com os ATOS POLÍTICOS EM SI, O CUMPRIMENTO (OU NÃO) DE METAS POLÍTICAS FEITAS EM CAMPANHA APÓS 4 ANOS DE ELEIÇÕES, ETC, ETC, ETC.
    Não me preocupo com estereótipos femininos/masculinos na política, e sim a (in)capacidade de promover mudanças benéficas ao POVO BRASILEIRO.


  70. Camila — eu já escrevi sobre! \o/ Aqui e aqui.

    Mas eu acho que o post da Van e os do Sociological Images são mais bem explicadinhos. Bjs!


  71. Baxt – Pois é, eu vi isso também. Fiquei mó surpresa. Se eu soubesse que o post ia fazer tanto barulho, teria redigido uma coisa mais bonitinha, hahaha

    Deixei um comentário lá, agradecendo o link e dizendo que é muito legal da parte dele expor o ponto de vista divergente. Mas ressaltei que teria sido melhor se ele tivesse comentado as críticas que recebeu. Isso enriqueceria o debate e os leitores todos sairiam ganhando.

    Ele me respondeu? Não. Respondeu só os comentários do povo elogioso, que dizia estamos exagerando. E a resposta foi mais ou menos assim: “sinto que não é mais permitido falar das mulheres em certos termos porque a minha opinião pessoal é transformada em sexismo”. Porra. Não entendeu nada mesmo.

    Mas acho interessante isso. A exposição tão clara desta sensação: “sinto que não é mais permitido falar o que eu bem entendo”. Porque é isso que eu percebo. A galera se sentindo desnorteada mesmo. “Porra, não posso mais falar merda dos outros que vão me chamar atenção? Vão me cobrar responsabilidade? Vão me cobrar limite?”.

    E aí reclamam de patrulha. Não percebem que a gente tá exigindo uma coisa básica: respeito. Ora, respeito não é algo que se instaure com patrulha. É questão de semancol. De humanidade. De descer do pedestal. De ver que falar o que bem entender de quem está abaixo na hierarquia social — e absolutamente nada acontecer com você — é um privilégio injusto e desmerecido. Se hoje em dia acontece algo, se hoje em dia as pessoas chiam quando ouvem estas coisas, é porque o nosso barulho está funcionando e a noção de respeito está crescendo. E eu acho isso ótimo.

    É uma pena que o Marcelo Coelho (e outros) não entenda(m) isso. Essa coisa tão básica, tão óbvia. Que se trata de respeito. De enxergar o outro como um igual. Mas, fazer o quê, né? É um processo. Vamos seguindo metendo teaspoons.


  72. Michelle — sim, quase todas as matérias que mostram mulheres fazendo coisas ditas “masculinas” têm essa coisa, né? De tentar “neutralizar a ameaça”.

    Eu me lembro de uma edição bem antiga da revista TPM, com uma entrevista com a Soninha Francine. Ela tinha acabado de entrar pra política, estava se candidatando pela primeira vez, acho. E todas as perguntas eram uma tentativa forçada de botar feminilidade nela. Chegou a ser patético. “Olha, ela trabalha e o marido fica em casa, mas ela adora cozinhar”; “olha, ela entende de futebol, mas adora comprar sapatos”; “olha, ela já fez um aborto, mas não faria de novo!”. E por aí vai. As perguntas eram tão forçadas, mas tão forçadas nesse sentido, que a entrevista inteira era um grande mico. Pra própria revista e pra Soninha.

    Só faltaram escrever com todas as letras: “calma, gente, ela não morde. Ela vai ficar quietinha e docinha. Dêem um espacinho pra ela, vai?”. E eu acho que foi aí, quando eu li essa revista, que eu percebi que a obrigação com a tal da “feminilidade” é a nossa maior prisão. É isso que nos mantém subjugadas. Essas normas de conduta para cada gênero.

    Então, fulana pode até entrar para a política, ciclana pode até lutar boxe. Mas tem que continuar sendo “feminina”, tem que continuar cumprindo o que se espera do seu sexo. E o que se espera do nosso sexo é justamente que sejamos dóceis e passivas. Ou seja: que abaixemos a cabeça. Que não tomemos as rédeas. Que nos curvemos à vontade dos outros, mais assertivos. Ou seja: que não mudemos nada. Se ela se rende a isso, tá garantido que não vai mudar a estrutura, então todo mundo respira aliviado. O patricardo continua.

    Sao essas expectativas que nos subjugam. É ISSO que tem de mudar. Tu pode ter leis bacanérrimas contra violência doméstica, 50% de mulheres no congresso, blablabla. Nada disso adianta se as pessoas ainda acreditarem que existe uma “essência feminina” (dócil e passivona) e uma “essência masculina” (dominante). Porque são os preconceitos que geram as discriminações, não o contrário.

    …E o fato de haver tanta recriminação quando a gente desvia da norma (vide textos como o do Marcelo Coelho) é maior prova de que não existe “essência” porra nenhuma, né? É condicionamento mesmo.


  73. e a campanha continua: http://twitter.com/JorgePontual/status/3526008339


  74. Draupadi — PUTA QUE PARIU.


  75. não sou feminista, mas sou justa…
    e achei seu texto incrivelmente preciso!
    é por isso que te sigo no meu reader!
    Bjo


  76. Marjorie! A Deputada Manuela do PCdoB sofreu exatamente a mesma coisa…nenhum jornal, revista falava sobre sua capacidade de legislar, mas sim o quanto era bonita, o quanto era sexy. Asqueroso! Achei seu texto ótimo e acompanho seu blog sempre.
    bjão


  77. Twitter: This page doesn’t exist.

    O que é que tinha no que o Draupadi postou?


  78. A respeito desse assunto, peço para que vc dê uma olhadinha no blog da Denise:
    http://sindromedeestocolmo.com/archives/2009/09/meu_noivo_e_viciado_em_pornografia_a_mariana_pede_ajuda_o_que_vcs_podem_dizer_a_ela.html/

    Tem tudo a ver.
    Adoraria ouvir sua opinião…

    Obrigada



Deixe um comentário