…E o Serra acaba de escolher o Rodas para novo reitor. Tempos sombrios, indeed. Agora que me dá mais desânimo ainda de voltar para essa universidade.
Arquivo da categoria ‘Resmungos’

E o sexismo continua…
Agosto 25, 2009Pois é, muchachos. Agora vai ser assim. Como podemos ter uma eleição presidencial com nada menos do que três candidatas mulheres (uma delas com reais chances de vencer), vai chover jornalista machista se achando super engraçadinho com piadas de mau gosto como esta.
Isto, infelizmente, é só o começo. A corrida presidencial nem começou ainda. Preparem-se para muito mais jornalismo de esgoto e um show de desrespeito em relação às candidatas do sexo feminino. Marcelo Coelho deu a largada, Jorge Pontual acaba de pegar o bastão. Quem será o próximo?
***
Para fazer frente a tanta palhaçada, Cynthia Semíramis acaba de criar um blog coletivo. Uma espécie de observatório contra o sexismo na cobertura política. Eu vou postar lá também.

Brazil’s next top troll
Agosto 15, 2009Sim, estou copiando a idéia do Feministe, na cara dura. Já que tem tanto mané querendo aparecer na minha caixa de comentários (e alguns vociferam feito malucos quando percebem que a lista de spam é a única parte que lhes cabe do latifúndio), resolvi ser generosa e dar a eles uma chance de conquistar os tão almejados holofotes.
…Está dada a largada para o concurso Brazil’s Next Top Troll! \o/
Conheça, abaixo, cada um dos competidores (e é claro que eu não resisti a fazer um comentário sobre cada um deles…). Tudo o que você precisa fazer é votar no seu babaca favorito.
Fierce!
Competidor #1: Douglas
“Cara! Agente já deixa vocês aprender a ler e escrever, deixa vocês votarem e deixa vocês trabalharem! O que mais vocês querem?!”
Bem… Neste exato momento, eu quero fazer xixi. Depois, queria ir à padaria buscar um pote de Haagen Dazs sabor cheesecake, porque a larica tá foda. Mas só se você deixar, claro. Posso?
Competidor #2: Henrique
“vc precisa urgentemente de um pinto! quem sabe assim adquire um pouco de bom senso”
Homem evoluído é outra coisa: tem o dom da clarividência. Enquanto o Douglas precisa me perguntar o que eu quero, esse já chega me informando o que eu preciso! Tipo assim, caso EU não saiba. Porque ele sabe. Sempre.
Só tenho uma dúvida, Henrique. Meu cerebrozinho de mulher não conseguiu entender como exatamente o contato com um pênis humano dota alguém de bom senso. Mas tenho certeza de que você vai conseguir me explicar.
Competidor #3 - Diogo Mainardi
“Li até a metade, deu sono e resolvi não continuar. Nada que estimule a inteligência, apenas um punhado de frases feitas, chavões, erros e devaneios. Espero que ao menos você seja bonita”.
Desculpe, eu não sabia que tinha a obrigação de estimular a sua inteligência. Faz o seguinte: me manda o teu endereço que eu vou te enviar um presente. Quanto a eu ser bonita ou não, bem, que te importa? Eu não sou pro seu bico mesmo.
You can’t touch this!
Competidor #4 – Danilo Albergaria
“Essa carolice feminista me dá ânsia de vômito. Esse texto é coisa de patrulha. Quem sabe, se você estivesse no meio da contra-reforma, mandaria gente pra fogueira. Ou talvez mandaria pra Sibéria alguém que discordasse da doutrina oficial do partido. Só que nasceu num contexto diferente e se aferra a doutrina diferente”.
Competidor # 5 – Deddalus
“Fraude ! Vc é uma fraude ! Feminista, ativista e fascista”
Fodeu. Danilo e Deddalus me desmascararam! Que fazer, que fazer? Esconder o pôster de Mussolini que tenho no quarto? Jogar fora este recém-nascido que estou comendo com açúcar e limão? Ah, whatahell, o jeito é assumir. Ok, meninos, eu sou uma monstra. Só não contem pra ninguém.
…Até porque vocês sabem que, se contarem, sofrerão sérias consequências. MUAHAHAHA!
Competidor #6 — Vário do Andaraí, sobre a propaganda em que um negro parece embranquecer
“Meus caros, um modelo negro foi contratado, remunerado, sua etnia foi associada à informação e ascenção, e vocês me vêm com sensaborias?”
Nossa, tô até com vergonha agora. Você tem toda a razão. Afinal, vocês brancos fazem o esforço sobrehumano de colocar um negro numa propaganda; têm a gentileza de fazer esse favor… E eles ainda reclamam que o comercial não tá bom? Cambada de mal agradecido mêrmo!
Competidora #7 – Joana, comentando neste post
“Só pego homem com carro”
Legal, seja feliz. Mas, vem cá, dúvida sincera: se o homem em si é tão desimportante, não seria mais fácil eliminar o homem e trepar direto com os carros?
twitter.com/sergueirock. Segue aí.
Competidora #8 – Deborah
“Achei o post muito chato, mal escrito e ridicula a forçaçao de barra pra enchder o saco. Quem escreveu e quem corcordou nao tem senso de humor, sao mal amadas e mal comidas (pq soh assim pra serem tão malas)”.
E quem escreveu este comentário é ingênuo, pois acha que eu não vou perceber que se trata de um homem usando nick de mulher. Beijo, gátam.
Competidor #9 – Bruno
“sua vagabinha pretenciosa. se vc acha q refuta a paglia tão facilmte pq vc não faz um favor ao mundo e escreve um livro refutando as idéias dela? mas n!ão vai com micharia nem com essa argumentaçao ridícula q vc a lilla usam nSao, q é tipo comício do pt q só convence quem já tá convencido tá sua zé ruela. idiota. sua imbecil, cretina, é bem típico de pessoas da tua laia, ofender os outros e fechar o email. vagabunda. vai tomar bem devagarinho pra ver se arde sua pretensiosa, escrota e cretina. vê se morre vc, piranha barata. e aquela sua amiga l. é tão feia q quem come aquilo come até pedra e fala tanta m. q eu entraria na fila pra ser surdo umas 3 x pra não ter q ouvir aquelo. foda-se, escrota”.
Acho que a tal da “amiga l.” é a Lola? E “m.” seria uma abreviação para “merda”, é isso? Caramba. Quão reprimida uma pessoa precisa ser para ter vergonha de escrever a palavra merda num comentário tão ofensivo?
Queridô:
No mais, fico lisonjeada que você ache que um livro meu seria um “favor ao mundo”. Beijos!
Competidor #10 – Cristiano Schmitz, comentando neste post
“Faz uma piada aí então”.
É claro, amo! Seu desejo é uma ordem. Fritas acompanham?
Ok, vai, eu reconheço. Não posso lutar contra a ciência. Crisitano, não consigo contar uma piada para você. Afinal, centros de pesquisa renomados já comprovaram que, como mulher, sou fisicamente incapaz de ser engraçada. Isso porque os homens caçavam e as mulheres coletavam frutinhas.
A técnica de caça mais eficaz naquela época consistia em distrair o animal, contando uma piada para ele. Milhões e milhões de bisões morreram a flechadas só porque se interessaram por uma mísera anedota.
Como as mulheres não participavam das caçadas, nosso gene do humor acabou não sendo selecionado ao longo da evolução. Mas, no fim, isso nem faz falta, né? Séculos e séculos de aperfeiçoamento genético geraram humoristas homens extremamente refinados e talentosos!
Ah, sim, e só para constar: Nair Belo, Fernanda Torres, Tina Fey, Sarah Haskins e Julia Louis-Dreyfus são na verdade homens, ok? Repara no pomo de Adão.

A adolescente que não cresceu
Abril 28, 2009A Folha publicou ontem uma matéria sobre Maria Mariana, autora de “Confissões de Adolescente”. Há anos, ela não escrevia nada porque decidiu ser mãe e dona de casa — seu último trabalho foram uns roteiros para “Malhação”. Agora, MM resolveu voltar, com um livro chamado “Confissões de Mãe”.
Leitores cardíacos e de estômago irritável, se segurem:
Nas suas novas “Confissões”, Maria Mariana diz acreditar que só tem filho por parto normal as mulheres que “merecem” e que eventuais dificuldades para amamentar o bebê surgem para quem não estão [sic] dando “o devido valor a seu lugar de mãe”.
Putz. Coisas assim a gente sequer se dá ao trabalho de rebater. Porque não têm validade. Rebater seria conferir validade a este discurso.
É por coisas assim que, às vezes, eu ponho o meu ateísmo de lado e tenho de fazer uma prece: ó, senhor, tende piedade do mercado editorial brasileiro. Eu sei que essa anta é relativamente famosa, filha de celebridade, e só por isso está sendo publicada (Mayra Dias Gomes, anyone?). Mas como é que a editora me deixa uma asneira dessas ser colocada no papel? Porque dá vergonha alheia mesmo. Por uma questão de compaixão, deviam ter cortado isso – o que me faz concluir que, das duas, uma: ou o editor é um sádico e sente prazer em ver os outros passando vergonha ou ele é mesmo tão burro quanto ela. Não sei qual das opções é a menos triste.
Se me permitem a piada sem graça, querem até cercar favelas para proteger as famigeradas árvores – mas as árvores derrubadas para a publicação deste tipo de porcaria ninguém lamenta. Quantos milhões de árvores salvaríamos se as editoras tivessem semancol e não inundassem as livrarias de merda? Quantos?
(Ah, sim, só um detalhe: qual exatamente é o “lugar da mãe”, cara pálida? E quem estabelece esse lugar?)
“A partir do movimento feminista, sofremos uma pressão para ser ativa [sic] no mercado de trabalho, ter valores masculinos. E a realidade da maternidade é outra, é querer vivenciar essa experiência.”
Pois é. Trabalho é um VALOR MASCULINO, minha gente. Não é um valor humano, mas somente masculino. Não é do feitio da mulher produzir nada — ela só serve para parir, só deseja parir. Tem de viver para parir. E, se não viver assim, então não é vida. Se você concilia sua maternidade com outras coisas, não está vivendo. Se deseja mais coisas, não está vivendo. Está somente sendo uma marionete comandanda pelas feministas, essas monstras destruidoras de lares.
Pelo visto, para Maria Mariana, só é vida de verdade a vida que ELA escolheu para si. Todo o resto está errado. Ela toma a SUA realidade como A realidade de toda maternidade – o que, no mínimo, é uma gigantesca pretensão. As experiênicas das outras mulheres não são válidas ou verdadeiras – principalmente a das mais pobres, que não podem se dar ao luxo de escolher se vão ou não trabalhar. No mundinho da Maria Mariana, suponho que mulher pobre simplesmente não exista.
Em “Confissões de Mãe”, Maria Mariana expõe opiniões polêmicas, de forma contundente, a respeito da maternidade, que, aliada ao casamento -o tradicional e não aquele do qual seu pai foi adepto-, são a única forma de obter uma felicidade verdadeira, em sua opinião. Quem escolhe ser solteiro e não ter filhos, acredita, “está fugindo por medo”.
De novo, o egocentrismo do tamanho de um bonde: “oi, a vida que eu escolhi para mim é A ÚNICA forma de obter felicidade. Não admito que outros se considerem felizes de outro modo”. A megalomania é tão grande que ela se julga em posição de detectar e medir o medo dos outros (que, aí, viram Outros com maiúscula, claro. Eu me pergunto quantos solteiros sem filhos ela realmente conhece). Gente, essa mulher precisa de um analista urgentemente – alguém providencia, fazfavô?
Maria Mariana, te peço encarecidamente: volta para a toca onde estavas enfiada. O ostracismo lhe cai bem.

Pedido
Março 5, 2009Peço encarecidamente às (várias) pessoas que dizem que gostam de Big Brother pela “psicologia social” ou pela “antropologia” (fazendo cara de conteúdo e dizendo: “é que eu gosto de analisar o comportamento humano…”) que parem. Por favor. Vocês só estão pagando mico.
Primeiro, porque ninguém cai neste discurso pseudointelectual. Desculpe informar, mas a verdade é que ninguém acredita mesmo.
Segundo, porque psicologia e antropologia NÃO são isso que você está pensando. NÃO SÃO, ok?
Terceiro: se analisar o comportamento humano fosse mesmo seu objetivo (e se você realmente estivesse disposto a desempenhar esta tarefa de forma séria), não tomaria como objeto de análise um grupo de pessoas que não representa a população em geral e, muito provavelmente, está apenas seguindo um roteiro. Além disso, as falas das pretensas “cobaias” são habilmente editadas pelos produtores – cujo objetivo, obviamente, é aumentar a audiência e, assim, obter mais anunciantes.
E, se alguém realmente diz a verdade ao falar que gosta de BBB pela “psicologia”… Bem, bem-vindo à Terra. Só sendo muito ingênuo para achar que dá para tirar alguma conclusão válida sobre a sociedade através de um programa de TV que é, se não a maior, uma das maiores fontes de renda da emissora mais féladaputa desse Brasil-sil-sil.
Então, na boa? Relaxem! Ninguém vai morder vocês por gostar de um reality show porcaria. Vocês não vão ser empalados em praça pública por isso. Não precisam ter medo de ser julgados. Os outros não pagam as suas contas (bem, você está pagando as da Globo, mas até aí…) – logo, não é preciso sair dando satisfações para todo mundo. Assumam que gostam porque gostam e abandonem o papo intelectualóide, please.
Grata.
[update, para evitar mais comentários hostis/desentendidos] Eu faço parte do oprimido grupo das pessoas que põem ketchup na pizza. Não sei como é em outros lugares, mas aqui em Sampa fala-se disso como se fosse um insulto. Um ultraje ao trabalho do pizzaiolo. Já vi até matéria no Bom dia Brasil sobre isso (porque, é, não tem mais nada relevante acontecendo no mundo). Veja bem, eu poderia dar uma desculpa. Eu poderia dizer: “é que essa pizza veio com pouco molho, está seca”, na esperança de escapar do estigma do “mau gosto”. Mas o fato é que eu GOSTO. Se é mau gosto, so be it. Vou continuar comendo minha pizza com ketchup. Sei que o exemplo é esdrúxulo, mas com o Big Brother é a mesma coisa. Eu, sinceramente, acho que a gente não deve dar audiência para programas que objetificam mulheres, tratando-as como burras; nem a programas que usam idosos como meros tokens – mas o BBB certamente não é o primeiro nem o único a fazer isso. Todo mundo tem seus “guilty pleasures”. Logo, se você gosta do programa e não considera deixar de assisti-lo pelos motivos citados acima, seja feliz. Assuma-se. Saia do armário. Para ser mais feliz ainda, assista-o comendo pizza com ketchup, dando um tapa na cara do mundo.

Lamento
Fevereiro 17, 2009Tô fraca, tô com febre, tô com a garganta inflamada, tô com coriza… E tô trabalhando.

Blog diarinho
Fevereiro 11, 2009
E é nessas horas que eu me lembro por que gosto tanto de Edukators: é por causa da frase final: “algumas pessoas nunca mudam”.
Mesmo.
Eu podia ter usado as últimas três horas para terminar de ler a Betty Friedan ou para ter assistido Friends ou simplesmente para ter dormido cedo, afinal hoje eu acordei às cinco e quarenta da manhã e peguei um ônibus mais cheio, quente e apertado do que uma lata de sardinha. Em vez disso, tive de lidar com uma pessoa pior que porta. Uma pessoa com quem nada quero, que eu NÃO CONVIDEI, mas se sente no direito de interromper o meu sagrado sossego (não, eu não acredito em deus nem na sacralização de nada, a não ser da porra da minha privacidade e do meu descanso e do direito de ser deixada em paz) para vir pisar na minha cabeça — parece que ela não consegue dormir tranquilamente se não atacar alguém pelo menos uma vez ao dia. E isso é tão triste que eu sinto pena – mas se disser que sinto pena vou parecer arrogante. Pena não traduz exatamente o que sinto.
Ataco de volta, porque já tenho calos demais para aturar mais pisadas, mas a verdade é que eu não deveria perder o meu tempo. Algumas pessoas simplesmente não têm solução. Por que tem de ser eu a madre Teresa que vai fazer caridade? Por que sou eu quem tem de ”suck it up and be the bigger person”? Não tô aqui para me responsabilizar por alguém cuja responsabilidade eu não reclamei. Certas coisas a gente tem de aprender sozinho, batendo a cara no muro. E, por mais que, outrora, eu tenha tido uma leve esperança de que esta pessoa pudesse aprender apenas ouvindo, sem ter de quebrar a fuça, defiitivamente não é este o caso.
Então, se não fosse pedir muito, viu?, gostaria apenas de ser deixada EM PAZ. Quietinha no meu canto. Dá para ir cantar de galo em outra freguesia? São Paulo é grande.
Caso contrário, alguém precisa inventar pílulas de paciência porque, senão, uma hora eu ainda meto um tiro na cabeça. Nesse mundo, parece que tem mais gente que não vale a pena do que o contrário. Todos os dias, quando acordo, tento me convencer de que não é bem assim, de que talvez eu apenas não tenha conhecido ainda as pessoas certas. Mas aí me acontece uma dessas e pimba: lá se vai a minha esperança.

Puta que pariu
Fevereiro 11, 2009Outro dia, postei aqui um link sobre machismo e literatura, bradando meu usual “caguei para o Bukowski” (nunca é demais, grite você também!). Nos comentários, Srta T. postou um link para o blog da escritora Clarah Averbuck (não vou linká-la porque, sério, você não merece gastar seu tempo com isso).
E eis que me deparo com o seguinte trecho:
“A pessoa acaba com a sua vida. Ela pega o seu coração, arranca, joga no chão e pisa em cima. Você até faria o mesmo, mas se tivesse esse poder sobre o coração dela não estaria nessa bagunça para começo de conversa. Seguindo o RACIOCÍNIO LÓGICO, se você não pode quebrar o coração da pessoa figurativamente, quebre literalmente. De forma lenta e dolorosa. Lindemberg, I feel you.”
Péra aí, péra aí…… “Linderberg, I feel you”? “Linderberg, I feel you”?
Sério, não creio numa coisa dessas. Tô de queixo caído com o tamanho da insensibilidade e da irresponsabilidade da “escritora”.
Escuta aqui, Averbuck. Você pode tentar ser cool, pode tentar ser descolada, maldita, o que for. Não me importa. Mas não se faz piada com isso. É irresponsável e ultrajante usar a sua decepção amorosa, seja qual for a escala dela, para justificar um caso de violência doméstica. Porque isso não é justificável.
No ano passado, 9.542 mulheres denunciaram que são agredidas diariamente (61,5%) ou semanalmente (17,8%). E 9.542 são apenas as que tiveram coragem de denunciar. No seu mundo de escritora hype, essas coisas podem não existir. No seu mundo de escritora hype, a agressão é apenas um recurso de estilo para chocar o leitor. Para você, pode parecer “subversivo” escrever esse tipo de coisa. Mas, para pelo menos 9.542 mulheres que não vivem no seu mundinho floreado, não há absolutamente nada de cool na violência. As cicatrizes são reais.
Então tome vergonha nessa cara, Averbuck. Se você (ou seu alter-ego, seu personagem, seja o que for) não tem maturidade para lidar com uma decepção amorosa sem aplaudir um crime hediondo (um crime que prejudica essencialmente as pessoas do SEU SEXO, mulheres como você), então fique quieta. Poupe-nos e vá escrever sobre outra coisa.
[update] – Parece que este texto não foi escrito pela Clarah Averbuck, mas sim por sua companheira de blog, Polly. Bem, seja quem for, mantenho a crítica.

Fevereiro 9, 2009
Ah, Silvio Berlusconi… Ofendendo bem para ofender sempre.
Manifestando-se contra a eutanásia de Eluana Euglaro, em coma há 17 anos, Berlusconi disse que não se pode desligar os aparelhos pois a moça ”ainda pode ter filhos”.
Esse povo que vê mulher somente como fazedora de bebês é inacreditável, não? Só uma coisa, tio Berlusca: ela não pode fazer filhos, não. De jeito nenhum. Porque, em coma, não é possível para fazer sexo consentido. Só se ela for estuprada, mané.
…Ou talvez Berlusca ache que tudo bem estuprar a mocinha, afinal ela é bonitinha?

Again and again and again
Janeiro 21, 2009Eu sei que tô ficando chata e insistente com este assunto, mas é que, quanto mais você presta atenção, mais assombração aparece.
Este é um post de um blog da Folha para estudantes e interessados em jornalismo.
Não, não vou discorrer sobre como a Ana, editora de treinamento da Folha, endossou a mensagem sexista do anúncio ao escolher “mulheres complicam” como título. Isso não é nada perto dos comentários do post, feitos por… mulheres. Elas disseram ”adorar” o anúncio.
Eis uma pérola:
[Silvia Dutra] Maravilha, é isso mesmo. Por essas e por outras (muitas outras) que eu adoro os homens, essas criaturas simples e óbvias.
Aham. E o seu sexo mesmo, qual é?
Sorry, mas eu fico, sim, revoltada com essas coisas. Que porra de mundo é esse, em que um anúncio te chama de frívola, burra e amaldiçoada por deus e você o “adora”, achando que é tudo verdade?
Sim, o anúncio diz isso mesmo. Pensa com a tia: 1) complicar as coisas em vez de facilitar é burrice; 2) Passar horas se preocupando com a roupa é uma atitude considerada fútil; 3)Para fechar com chave de ouro, o slogan é “thank god you’re a man”. Se você deve agradecer a deus por ser homem, ser mulher, então, só pode ser uma maldição. Adradeça a deus porque deus o livrou de ser mulher! Isso seria hor-rí-vel! Ninguém quer ser burro e fútil como elas (nem elas mesmas, como o comentário da Silvia atesta).
É tão absurdo e tão óbvio, mas parece que nunca cessa a necessidade de repetir: não, nós não somos assim. E, se há algumas que são, cabe questionar se elas não são assim porque, desde pequenas, ouvem que é assim que as mulheres se comportam.
Ora, embora passem horas escolhendo a roupa, muitas mulheres resolvem equações em dois palitos. Muitas comandam empresas e governos. E aí? Dá pra governar um país sem ser prática? Opa, deve ser por isso que dizem que, na verdade, quem governa são os maridos (era o que diziam de Hillary, caso ela ganhasse; e é o que dizem de Christina Kirchner). Se a mulher não tem marido político, então só governa bem porque é “mulher-macho” (como Michelle Bachelet e Angela Merkel).
Também temos de pensar: por que as mulheres demoram demais para escolher o que vão vestir? Será que é porque somos automaticamente julgadas pela aparência, como se as roupas dissessem mais do que o que sai da nossa boca? Com um decote assim ou uma saia assado, num piscar de olhos viramos “putas” ou “santas” ou “lésbicas” ou “masculinizadas demais”. Por causa da roupa que usamos, dizem que estamos “provocando” quem nos estupra. Por causa da roupa, tem gente que não nos leva a sério. Fica mesmo difícil se vestir num mundo assim.
Então, puta merda, parem de acreditar nessas generalizações ridículas, meninas. Isso só prejudica vocês.



