
Política de comentários
Esta não é a casa da mãe Joana
Desde que passei a escrever sobre feminismo neste blog, tomei conhecimento de um fenômeno até então inédito para mim: a trollagem.
Por isso, este blog tem comentários moderados. Os critérios que me fazem decidir quais mensagens entram ou não são bastante simples. Esta página serve, então, para deixar isso transparente para todo mundo.
Se as regras abaixo forem atendidas, nem eu nem (alguns de) vocês perderemos tempo. Por favor, antes de comentar, saibam:
Qual é o meu objetivo para a caixa de comentários
Criar um espaço seguro, onde as minorias maiorias citadas aqui se sintam à vontade; onde se possa debater sobre machismo, racismo, homofobia, dentre outros temas, sem as espezinhações e ofensas habituais em outros cantos da Internet. Absolutamente todo mundo é bem-vindo, desde que considere a voz das partes interessadas (mulheres, gays, negros, etc) como as mais relevantes e queira debater junto com elas, não discursar para elas.
Encontrar fóruns assim é raro, por isso a moderação aqui é bastante firme. Se você quer xingar, provocar, cavar inimiguinhos virtuais, defender o seu ídolo como se ele fosse um santo; chamar negro de macaco, estudante da USP de vagabundo, esquerdista de esquerdalha e feminista de feminazi… Bem, eu não faço a menor questão do seu comentário. A menor. Pessoas como você já têm espaço em tantos outros lugares! Vá para lá, então. Aqui a coisa é diferente.
Como funciona a moderação
1 - Visitantes novos têm seus primeiros comentários submetidos à aprovação. Caso eu aprove o comentário da pessoa, ela recebe um voto de confiança do sisteminha: suas mensagens passam a ser publicadas automaticamente — a não ser que, por algum motivo, eu delete alguma. Aí elas voltam para a moderação.
Dependendo de quão embananada eu estiver com a minha rotina, posso demorar um pouco para aprovar comentários. Se o seu comentário estiver demorando a aparecer, provavelmente é porque ainda não tive tempo de o ver.
Logo, para os que mandam várias mensagens após a primeira (geralmente, dizendo: “ué, cadê sua democracia?!!? Vc não aprovou meu comment só pq eu discordei de vc! Sabia que vc não aguentaria o poder da minha argumentação!”), só o que posso dizer é: easy, honey. Eu tenho uma vida além disso aqui. Você também devia ter uma.
2 – Os comentários que não aprovo são classificados como spam. Isso significa que, além dessas mensagens não serem publicadas, eu não serei mais incomodada pelo dono daquele e-mail. Ou seja: o comentarista vai para o limbo.
3 - Tem gente que tenta burlar a moderação (ou me irritar), criando e-mails novos para enviar, de novo e de novo e de novo, comentários que foram recusados. Véi, desista. Eu não sou trouxa. O máximo que você vai conseguir é ter trocentos endereços de e-mail classificados como spam. Tampouco vai conseguir me irritar com isso — afinal, basta um clique para te mandar para o limbo. Vai uma dica? Vá curtir sua vida. Eu não mereço seu tempo e sua atenção tanto assim.
Quem vai para o limbo
Qualquer pessoa que não esteja disposta a ouvir e considerar como válidas as opiniões que difiram das suas. Veja bem, não se trata de concordar comigo ou com quem quer que seja. Trata-se de respeitar o espaço e a voz alheios, partindo do pressuposto de que todo mundo pode aprender com todo mundo. Mesmo que as partes discordem em alguns pontos.
Se você não está disposto a ouvir, não está disposto a trocar. Se você não está disposto a trocar, não tem porque estar aqui. Ponto. Isole-se em seu quarto, ligue um Radiohead e lamente o quanto é um gênio à frente de seu tempo e só lhe compreenderão quando você morrer.
Considero indisposto a ouvir:
1 – aquele que ofende a mim e/ou outros comentaristas. Ataques pessoais não são tolerados. Ataques a grupos também não são tolerados.
Quer uma dica? Não perca seu tempo deixando comentários me atacando. Porque, oi, eu nem leio. Não sou masoquista. Quando percebo a primeira ofensa, já classifico como spam. Direto.
2 – aquele que trata quem discorda dele como leviano, imbecil ou menos evoluído. Se você não consegue defender seu ponto de vista sem dizer ou dar a entender que quem discorda é burro, buh-bye. Isso aqui é um espaço para Homo Sapiens, não Neanderthais. Então, deixe as frases “você é patético”, “você é leviano”, dentre outras, pra lá. Se você é mesmo tão inteligente, pode muito bem debater sem esse tipo de ofensa.
Atenção: uma das variantes desse “pecado” é a atitude paternalista. Se você não é mulher, não é negro e não é gay, certifique-se de deixá-la em casa. Exemplo de comentário com clichês paternalistas: “ah, vocês estão exagerando. Isto não é opressão de verdade. Vocês só estão prejudicando a luta de vocês, agindo desse jeito. Quanta mania de perseguição!”. Ou: “quer reclamar? Reclame, mas continue comportadinha, sorridente e cheirosinha. Não seja amarga assim”. Desça do pedestal, pois não cabe a você determinar quem pode reclamar do quê e quando e como esta reclamação deve ser feita – principalmente, se você nunca poderá passar pela mesma situação.
3 – quem trata o outro como Outro. Evite maniqueísmos e fla x flu. Tome cuidado para não transformar o outro em uma entidade conspiratória, o Outro. Exemplo: “vocês, politicamente corretos, querem impor as suas visões e restringir a liberdade!“. Ou: “o que esperar dessa esquerdalha que votou no Lula?”. Afinal, nem todo mundo de esquerda pensa igual, nem todo mundo de esquerda votou no Lula, etc. As pessoas são mais complexas do que isto. Elas merecem ser tratadas como indivíduos pensantes, não como alegorias.
4 - aquele que demonstra não ter lido o post. Ou que, em vez de discutir o post em questão, fica espezinhando sobre X, Y ou Z. Se você não leu o post ou não prestou atenção nele, como quer comentar sobre ele? Já teve gente que teve o disparate de chegar aqui e dizer “não li o post, mas essas pessoas que criticam X, Y e Z são muito chatas”. Limbo na hora, né? A pessoa está cometendo, ao mesmo tempo, os erros 3 e 4.
Atenção: eu sei que ninguém tem a obrigação, o tempo ou o interesse de ler os comentários anteriores – mas você há de concordar que é muito chato quando alguém chega aos 45 do segundo tempo, repetindo exatamente o que outra pessoa já tinha dito, mas já foi refutado por mim e/ou outros comentaristas. Se você não gosta de ficar repetindo a mesma coisa várias vezes, nem eu. Ninguém gosta. Tente pelo menos passar os olhos na discussão para ver se a sua pergunta já não foi feita e respondida.
5 - todo aquele que demonstre ter como único objetivo irritar, não conversar. Quer aparecer? Mande um vídeo para o BBB. Quer aparecer em blog especificamente? Então nem sei o que você está fazendo neste blog mixuruca: tenta a sorte no Inagaki que é mais negócio. Quer arranjar inimiguinhos virtuais? Vá para o orkut. Enfim, aqui simplesmente não é o lugar apropriado.
6 - aqueles que querem discutir o que, obviamente, não é discutível para mim. Veja bem, está na cara que este é um blog feminista. Ele defende a igualdade entre os gêneros na sociedade. Isto é a base de tudo. Não é negociável. Então, não adianta você deixar um comentário querendo me convencer de que lugar de mulher é na cozinha ou que não podemos “lutar contra a biologia”. Outro exemplo: este é um blog que apóia o movimento LGBTT. Não perca seu tempo querendo me convencer de que essas pessoas não deviam ter certos direitos civis. Porque nisto eu não me dobro. São princípios que eu não negocio. Simples assim.
7 - aqueles que vêm com clichês sobre feminismo que são tão bobos e velhos que me dá preguiça de responder. Exemplos:
- “vocês são todas lésbicas”
- ”vocês odeiam os homens”
- “vocês estão sendo maniqueístas”
- “vocês que se acham inferiores”
- “feminismo é tão nocivo quanto o machismo” (esse aí precisa procurar feminismo no dicionário)
Caso você desconfie de que foi para o limbo
Pode espezinhar o quanto quiser. Pode dizer por aí que não sei discutir, que se eu não aguento devia beber leite, que não sou democrática (heh?), que tudo o que eu escrevo é uma bela merda, blábláblá. Pode até montar uma comunidade contra mim no orkut, se quiser — opa, péra aí, ela já existe! E olha a minha cara de preocupação.
O fato é que este é um blog pessoal. Não é um jornal. Eu não tenho a obrigação de ser imparcial — o que quer que isso seja (ou se é que isso existe). Você também não tem direitos de assinante, dado que não estou aqui “trabalhando para melhor lhe servir”. Portanto, não mande comentários reclamando que gostava mais de mim no (insira blog antigo aqui) ou me dando puxão de orelha porque prefere posts do tipo X a posts do tipo Y. Porque isto é um blog, ora pois. Blog é um lugar para expressar o que se pensa, no momento em que se pensa. Pode sair truncado, longo demais, raivoso demais, sentimental demais. Mas taí a graça da coisa: ser um tanto quanto visceral. Como blog não é um negócio, não é uma empresa, o leitor é apenas um convidado, um colega, alguém com quem trocar figurinhas e opiniões. Não é um cliente. Ele pode sugerir, pode criticar… Mas exigir, nunca.
Também é uma perda de tempo você me mandar um comentário discordando do blog como um todo — como se desejasse que minhas opiniões fossem o completo oposto do que são. Porque, aí, meu filho, o que você quer é outra pessoa! Tu não tem que pedir que eu mude. Tem é que procurar outro blog. Ou montar o seu.
Por fim, sim, este é um blog moderado. Sim, eu classifico trolls como spam, sem dó. E, sim, eu vou continuar fazendo isso. Por um motivo muito simples: você não pode entrar na minha casa, socar a minha cara, cagar no meu chão e depois querer chamar isso de liberdade de expressão. Não pode. Aqui não, violão.




[...] dos comentários mais frequentes que recebo dos trolls nesse blog (e eu não aprovo nenhum, ok?) é o que diz: “faça isso, mas não faça aquilo”. Exemplo: “lute pelos seus [...]
Depois do manifesto “Dispenso esta rosa” (que eu enviei para todos os meus contatos com seus devidos créditos), eu briguei feio com dois amigos que receberam com enorme grosseria ao meu e-mail (ainda mais porque um deles tinha me dado os parabéns pelo dia da mulher com o típico “obrigado por enfeitar o mundo”)….hahaha, então realmente imagino como devem ter idiotas tentando jogar tomate no blog, afinal de contas, essa temática incomoda muita gente.
Muito bom, Marjorie, é exatamente como eu me sinto e me comporto lá no SdeE.
Cara, gostei demais daqui.
Só isso.
Mariê
Também estou lendo tudo doidamente. Pena não ter mais tempo. Nada, nada, sua retórica é muito gostosa, o tempo voa.
Nossa, as pessoas te atacam e se identificam? Parabéns, seu público deve ser muito melhor que o meu. As baixarias que recebo no meu blog vem todas de anonimos. Nem leio, deleto na hora! Tem gente que é muito folgada mesmo.
Jura que existe uma comunidade contra vc no orkut?
Acho chique!
Hahaha, pois é. Se chama “não sabe? Pergunta para a Marjorie”, algo assim.
Porque o povo se incomodou com a minha suposta pretensão a ponto de fazer uma comunidade do orkut sobre. Como pessoa pretensiosa, só posso achar isso o maior luxo, brilho e poder, hahahahaha
Parabéns pelo espaço, Marjorie. Adoro. Sempre que posso, recomendo seu blog.
Marjorie, tô até agora passada com a tua inteligência e teu bom humor (creia-me, eu acho sim q vc tem muito senso de humor!!!) Gasto minhas madrugadas lendo teu blog,é delicioso!
Adorei isso aqui:
“Se você não está disposto a ouvir, não está disposto a trocar. Se você não está disposto a trocar, não tem porque estar aqui. Ponto. Isole-se em seu quarto, ligue um Radiohead e lamente o quanto é um gênio à frente de seu tempo e só lhe compreenderão quando você morrer.”
Bom, eu queria que o blogspot tbm tivesse essa ferramenta do “limbo”. Eu proibi comentários anônimos, mas agora virou moda fazer perfis fakes no GoogleCounts pra me atacar no meu modesto blog. Postei seu maravilhoso texto “I choose my choice” e fui criticada por uma mulher com o fantástico “argumento”: ” Quanta besteira!” . Esta mesma troll depois veio me dizer : “vc deve ter sérios problemas com homens”.
Jogue duro mesmo e mande este povo cretino pro mármore do inferno! Beijos!